25/04/2020
Antes e depois de Abril (parte 2)
Porque passam hoje 46 anos do dia 25 de Abril de 1974, opto por recordar um texto que escrevi há dois anos por esta mesma altura: "Assinalaram-se ontem 44 anos do golpe militar de 25 de Abril de 1974.
Embora democrata e resolutamente antifascista, não consigo partilhar do ‘entusiasmo’ daqueles que chamam ao acontecimento "Revolução dos Cravos" pelo simples facto de acreditar que um movimento verdadeiramente revolucionário não pode ser feito com ‘flores’.
Veja-se, por exemplo, o estado de coisas em que vive a Tunísia alguns anos após a "Revolução do Jasmim"…
Cito, por isso, duas pessoas temporalmente separadas por mais de trinta anos: o grande músico/cantor e resistente José Afonso ("Zeca Afonso") e o fiscalista e sócio da "Espanha e Associados" João Espanha.
"O 25 de Abril não foi feito para aquilo que estamos agora a viver. Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril imaginaram uma sociedade muito diferente da actual que está a ser oferecida aos jovens. Os jovens deparam-se hoje com problemas tão graves – ou talvez mais graves que aqueles que nós tivemos que enfrentar – o desemprego, por exemplo, e por vezes não têm recursos. O sistema ultrapassa-os. O sistema oprime-os criando-lhes uma aparência de liberdade. Eu creio que a única atitude foi aquela que nós tivemos – nós, refiro-me à minha geração: de recusa frontal, de recusa inteligente (se possível até pela insubordinação; se possível até pela subversão) ao modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido com belos discursos, com o fundamento da legalidade democrática, com o fundamento do respeito pelos direitos dos cidadãos. É, de facto, uma sociedade teleguiada de longe por qualquer FMI, por qualquer deus banqueiro que é imposta aos jovens de hoje".
"Zeca Afonso" em 1984, nas comemorações dos dez anos do "25 de Abril"
"Só uma pequena minoria endinheirada pode recorrer a um advogado mesmo que seja vítima de injustiça [do Fisco]".
João Espanha no "Jornal de Negócios" em 12 de Abril de 2018
Acrescento, todavia, uma frase escrita pelo filósofo italiano Nicolau Maquiavel que me parece exemplar para descrever o que, em minha opinião, se tem vindo a passar na História (de Portugal e não só): "Os povos que perdem a liberdade pela força, pela força haverão de reconquistá-la. Mas os que perdem a liberdade por descuido, estes demorarão muito a voltar a ser livres".
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25 de Abril,
parte 2
24/04/2020
Morte e impostos
"Nada
de absolutamente certo existe neste mundo para além da morte e dos
impostos".
Benjamin Franklin (1706-1790),
político norte-americano
23/04/2020
Lenine
Se Adolf Hitler marcou, enquanto actor político, a Europa - e o Mundo - no século XX no espectro da chamada Direita, uma outra personalidade, oriunda do panorama político e ideológico oposto - a Esquerda -, marcou também a Europa e o Mundo ainda no século XX: Vladimir Ilich Ulyanov (nascido no dia 22 de Abril de 1870).
Ou, simplesmente, Lenine.
Poderá o Ser Humano alguma vez esquecer o trágico legado de ambos?
Ou, simplesmente, Lenine.
Poderá o Ser Humano alguma vez esquecer o trágico legado de ambos?
22/04/2020
Um massacre lisboeta
Ainda ontem aqui deixei algumas palavras sobre os judeus portugueses e de como Portugal optou por lidar com muitos deles: através da expulsão.
Escolho, no entanto, invocar um outro 'episódio' que revelou uma intolerância ainda maior e mais 'profunda' - muito "próxima" da verificada nos pogroms sofridos pelos Judeus ao longo da história.
De facto, como escreveram Susana Bastos Mateus e Paulo Mendes Pinto no prólogo do livro "Lisboa, 19 de Abril de 1506 - O massacre dos judeus" (que a Alêtheia Editores publicou em 2007), "Nesta data, em Lisboa, a actual capital de Portugal, foram brutalmente chacinados vários milhares de pessoas pelo simples facto de serem, ou terem sido, judeus (tornados cristãos-novos a grande parte deles possivelmente contra a sua vontade).
No decorrer de uma situação onde os ânimos se exaltaram, exacerbando medos, receios e construindo expiações, a crítica, um reparo a um milagre que estava a ser profundamente vivenciado foi o mote para que, em espaços que ainda hoje existem e reconhecemos, lisboetas como nós tenham irrompido pelas ruas da antiga judiaria e tenham matado quem encontravam".
Escolho, no entanto, invocar um outro 'episódio' que revelou uma intolerância ainda maior e mais 'profunda' - muito "próxima" da verificada nos pogroms sofridos pelos Judeus ao longo da história.
De facto, como escreveram Susana Bastos Mateus e Paulo Mendes Pinto no prólogo do livro "Lisboa, 19 de Abril de 1506 - O massacre dos judeus" (que a Alêtheia Editores publicou em 2007), "Nesta data, em Lisboa, a actual capital de Portugal, foram brutalmente chacinados vários milhares de pessoas pelo simples facto de serem, ou terem sido, judeus (tornados cristãos-novos a grande parte deles possivelmente contra a sua vontade).
No decorrer de uma situação onde os ânimos se exaltaram, exacerbando medos, receios e construindo expiações, a crítica, um reparo a um milagre que estava a ser profundamente vivenciado foi o mote para que, em espaços que ainda hoje existem e reconhecemos, lisboetas como nós tenham irrompido pelas ruas da antiga judiaria e tenham matado quem encontravam".
21/04/2020
Sefardita
Aqui escrevi há dias sobre o facto do inglês David Ricardo ter uma origem étnica sefardita.
Mas o que significa ser-se sefardita?
Significa que se é descendente dos Judeus que viveram em Espanha e em Portugal desde, sensivelmente, as últimas centúrias do Império Romano até à sua perseguição e expulsão nos últimos anos do século XV.
Mas o que significa ser-se sefardita?
Significa que se é descendente dos Judeus que viveram em Espanha e em Portugal desde, sensivelmente, as últimas centúrias do Império Romano até à sua perseguição e expulsão nos últimos anos do século XV.
20/04/2020
Um poço de trevas
Quer
privilegiasse
uma dimensão histórica, quer uma dimensão ‘rigorosamente’
científica, as
(breves) linhas que agora deixo nada acrescentariam
sobre o percurso de vida de uma personalidade que marcou a história
da Europa.
Na
verdade, existia, por assim dizer, uma Europa até esta pessoa
emergir politicamente e uma outra Europa depois de, fisicamente, "sair de cena".
Europa
e, acrescento, mundo.
Efectivamente,
a ‘marca’ que deixou numa e no outro foi tragicamente negativa
pois serviu-se do Bem para consolidar e ampliar o Mal.
Essa
pessoa – "ele" – e, claro, os lacaios de quem se conseguiu
rodear.
Desde
a passagem de todos eles pela Terra que – como já aqui escrevi uma
e outra vez ainda que talvez utilizando outras palavras – sabemos
aquilo que o Homem é capaz de fazer ao seu semelhante.
Adolf
Hitler nasceu no dia 20 de Abril de 1889.
![]() |
| Adolf Hitler. |
18/04/2020
David Ricardo e "laissez faire"
No exacto dia em que se
assinalam duzentos e quarenta e oito anos do nascimento do economista
inglês de origem sefardita David Ricardo aventuro-me a escrever
sobre Economia.
Efectivamente,
nem a Portugal nem a nenhum outro país do continente europeu tinham
chegado "inovações" da ciência económica em meados do século
XVIII.
De
facto, naqueles vigorava ainda o Antigo Regime socio-económico, por
assim dizer: o senhorialismo na terra e o mercantilismo
no comércio e na indústria.
Mas
não demorou muito, no entanto, para se começarem a fazer sentir
críticas ao ‘velho sistema’.
Alguns
economistas começaram, pois, a propor a adopção de uma nova
abordagem: a fisiocrática.
Esta
advogava uma valorização das actividades agrícolas em detrimento
do comércio e, de certo modo, da indústria.
Na
verdade, o fisiocratismo sustentava que o comércio nada
produzia uma vez que apenas se limitava a trocar alguns bens por
outros e que a indústria se limitava a transformá-los sendo que
somente a agricultura conseguia exactamente produzir bens.
Adoptando
o lema "Laissez faire, laissez passer" (em português, "Deixai
produzir, deixai circular"), a teoria fisiocrata defendia que ao
Estado competiria, sobretudo, promover e garantir a liberdade
económica.
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