08/06/2020

O Tratado de Tordesilhas

Foi assinado no dia 7 de Junho de 1494 entre Portugal e Espanha um acordo que mudaria o mundo.


Acordado – ou melhor, oficializado já que, como sempre nas Relações Internacionais e na Diplomacia, tinham-se já verificado várias ‘entrevistas’ – numa vila localizada não muito longe da cidade espanhola Valladolid, Tordesilhas.


Efectivamente, como, de resto, refere o portal Ensina da RTP, "A 7 de junho de 1494, as delegações de Portugal e Espanha reuniram-se em Tordesilhas, perto de Valladolid, e acordaram no estabelecimento de uma linha 370 léguas a oeste de Cabo Verde, de polo a polo, que dividia o Oceano Atlântico em duas metades: todas as terras, descobertas e por descobrir, a oeste dessa linha pertenceriam aos reis de Espanha, e todas a leste caberiam a Portugal".

06/06/2020

D. João III, D. José I e Thomas Mann

Foi exactamente no dia 6 de Junho do ano 1502 que nasceu aquele que viria a reinar em Portugal sob o "título" D. João III que, por exemplo, estabeleceu a Inquisição no país (em 1536).

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E também foi no dia 6 de Junho mas de 1714 que nasceu um indivíduo do sexo masculino que se tornou no vigésimo quinto monarca de Portugal com o cognome “O Reformador”: D. José I.

Aproveito, assim para relembrar algo que eu já aqui escrevi: "Ora, o historiador e professor Charles Ralph Boxer, também no seu livro "O Império Marítimo Português 1415-1825" escreveu sobre a existência de "uma história muito conhecida segundo a qual D. José estava a considerar uma proposta da Inquisição no sentido de que todos os cristãos-novos [judeus convertidos ao cristianismo] do seu reino deveriam ser obrigados a usar chapéu branco como um sinal de que tinham sangue judeu. No dia seguinte, [o Marquês de] Pombal apareceu no gabinete real com três chapéus brancos, e explicou que tinha trazido um para o rei, outro para o inquisidor-mor e outro para si próprio".

O Marquês de Pombal – Sebastião José de Carvalho e Melo – foi o primeiro-ministro de D. José.

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E, como "não há duas sem três": foi no dia 6 de Junho de 1875 que, na cidade alemã Lübeck, nasceu alguém que viria a ganhar o Prémio Nobel da Literatura (em 1929) e, assim, foi um dos ‘expoentes’ da chamada literatura mundial: Thomas Mann.

05/06/2020

Tunísia

A terra a que hoje se dá o nome Tunísia foi colonizada pelos Fenícios no século IX antes data habitualmente atribuída ao nascimento de Jesus Cristo.

Entrou, a partir desse momento, na posse de Romanos, de Vândalos, de Árabes, de Turcos, de Franceses e, já durante a II Guerra Mundial, de Alemães.

Mas tinha também já sido alvo da cobiça de Carlos V: o rei português D. João III mandou organizar uma expedição marítima a Tunes em 1535 com o objectivo de integrar a armada do imperador à antiga Cartago.

Ora, terá sido por tudo isto a razão por que só há alguns anos a Tunísia escolheu o seu lema – " الحرية والكرامة والعدالة والنظام" (ou em português, "liberdade, dignidade, justiça, ordem").

04/06/2020

Heydrich e a "Endlösung"

Morreu no dia 4 de Junho de 1942, em Praga (actualmente a capital da República Checa), na sequência de um atentado, Reinhard Heydrich.


Oficial do governo nacional-socialista da Alemanha de então, foi um dos principais organizadores da Conferência de Wannsee que teve lugar em Janeiro desse mesmo ano nos arredores da capital Berlim – em que foi definida e pormenorizada a "Solução Final" ("Endlösung").


03/06/2020

Uma grande abada


O rei D. Manuel I, nascido no dia 31 de Maio de 1469 (em Alcochete) e que se tornaria no décimo quarto monarca de Portugal, escolheu para lema a expressão "Spera in Deo e fac bonitatem" (ou, em português, "Crê em Deus e sê bondoso").

Ora, foi este rei quem primeiro pediu ao Papa que então comandava a Igreja a partir de Roma a introdução da Inquisição em Portugal e foi também ele que enviou, nos primeiros anos do século XVI, uma embaixada ao Papa Leão X – de que constavam, por exemplo, um elefante e peças de joalharia.

E um rinoceronte: um animal que o rei de Cambaia (na Índia) tinha oferecido a Afonso de Albuquerque que, por sua vez, o ofereceu a D. Manuel I que, por sua vez também, o ofereceu a Leão X.

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A gravura do alemão Albrecht Dürer sobre um rinoceronte foi mostrada a toda a Europa a partir de 1515.

Na verdade, o primeiro rinoceronte que o continente vira já desde o Império Romano desembarcou em Lisboa em Maio desse ano vindo da Índia onde o soberano do estado de Gujarate (no Norte da Índia) o tinha oferecido ao rei português D. Manuel I*.

Ora, foi exactamente em Lisboa (perante a corte) que foi organizado um confronto físico entre esse rinoceronte e um elefante no início de Junho desse mesmo ano.

Assim, tendo tal luta saldado-se pela fuga do elefante e como, à época, abada era o nome por que era designado, em Portugal, um rinoceronte, alcançou grande popularidade, por assim dizer, a expressão "levar uma grande abada"…




 
Antes dos Portugueses, em 1515, só os Romanos haviam mostrado à Europa um rinoceronte.

02/06/2020

O Liceu Francês

Um dos ‘sinais’ da multiculturalidade de uma determinada localidade é a Educação.

Ou melhor, os espaços onde, académica e formalmente, esta se procura transmitir: as escolas.

Ora, tomo como exemplo a cidade de Lisboa e o Liceu Francês.

A escola francesa foi criada no ano 1900.

Ocupou, sucessivamente, vários espaços tendo somente em 1952 encontrado aquela que é, ainda hoje, a sua morada.

Foi nesta data que encontrou a designação que mantém – Lycée Français Charles Lepierrenuma homenagem póstuma ao engenheiro químico francês Charles Lepierre (1867-1945) que havia sido professor na Universidade de Coimbra e no Instituto Superior Técnico.

01/06/2020

A Sociedade das Nações e o "Balzac português"

Assinala-se no dia 1 de Junho mais um "Dia Mundial da Criança".


Pergunto, no entanto: tendo a Convenção sobre os Direitos da Criança sido estabelecida, quase unanimemente, pela Organização das Nações Unidas (a ONU) em Novembro de 1989, para quando os direitos reais das crianças?




Ora, também se assinala precisamente em Junho de2020 um século da criação da Sociedade das Nações.



Nascida dos escombros resultantes da I Guerra Mundial, a antecessora da ONU, pretendeu, exactamente, que nunca mais deflagrasse um conflito que, de alguma forma, pudesse pôr em causa a Civilização Humana.



Não o conseguiu pois a II Guerra Mundial, como, de resto, já aqui escrevi, veio demonstrar aquilo que o Homem é capaz de fazer ao seu semelhante.




"post scriptum": pela primeira vez na história da ONU, os ‘líderes’ do mundo não se vão reunir pessoalmente na Assembleia Geral que irá decorrer, durante o próximo Outono, na cidade norte-americana Nova Iorque. Não o conseguirão devido à pandemia de COVID-19 que afecta as viagens e impõe o chamado distanciamento social. Será uma reunião virtual?



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Um tiro disparado sobre si mesmo no dia 1 de Junho de 1890 foi quanto bastou para silenciar para sempre um dos melhores romancistas que Portugal já conheceu: Camilo Castelo Branco.