A
Federação Europeia de Ciclismo organiza anualmente uma conferência
que pretende ser, primeiro, uma plataforma global de partilha de
informação e, depois, um meio para influenciar positivamente os
decisores políticos dos países no sentido de planearem e fomentarem
a utilização diária da bicicleta num ambiente cada vez mais urbano
segundo os mais recentes estudos.
Por
isso mesmo, essas conferências reúnem não apenas actores políticos
mas também representantes da chamada Sociedade Civil e da
Academia.
Ora,
a conferência que se realizou em 2017 na cidade holandesa de
Nijmegen contou com a participação, por exemplo, do próprio rei do
país e de Violeta Bulc, então a comissária europeia dos
Transportes.
O
que mostrou, desde logo, a importância do uso da bicicleta naquele
país.
Assim,
poucos terão ficado admirados com a escolha do lema que a
organização fez para ‘representar’ a conferência: "The
Freedom of Cycling" (ou, em português, "A Liberdade de
Pedalar").
No
entanto, o gabinete de estatísticas da União Europeia – o
Eurostat – revelou, nesse mesmo ano, que Portugal era o
líder no que à exportação de bicicletas no espaço europeu se
referia.
E,
simultaneamente, um dos maiores no mundo.
Mas,
segundo os autores do relatório "Special Eurobarometer 422a
"Quality of Transport"", publicado em 2014, não mais
do que 8% dos cidadãos residentes na União Europeia usava a
bicicleta como seu meio de transporte num dia ‘normal’.
8%
em média, claro: se, nos Países Baixos, 36% encaravam a bicicleta
como o seu meio de transporte ‘preferido’, apenas 1% – ou menos
– da população de outros países via a bicicleta de forma "amigável".
Recorde-se
ainda, por exemplo, o relatório "Special Eurobarometer 412
"Sport and physical activity"", também publicado em
2014.
"Na generalidade, os
cidadãos residentes no norte da União Europeia são os mais activos
no que se refere à actividade física. A proporção dos que, pelo
menos uma vez por semana, fazem algum tipo de exercício físico é
de 70% na Suécia, de 68% na Dinamarca, de 66% na Finlândia, de 58%
nos Países Baixos e de 54% no Luxemburgo. Por seu lado, os níveis
mais baixos de actividade física registam-se nos Estados-membros do
sul. A maioria dos inquiridos que afirmou nunca fazer qualquer tipo
de exercício físico vive na Bulgária (78%), em Malta (75%), em
Portugal (64%), na Roménia (60%) e em Itália (60%)".
Ou
seja, "bicicletas made
in Portugal"? Sim, mas.