11/09/2020

Carlos V mais além

O lema do imperador Carlos V – "Plus Ultra" – ("Mais Além", em português) integra a actual bandeira de Espanha.

Ora, foi para ir exactamente mais além que o navegador português Fernão de Magalhães se dirigiu a Carlos V propondo ir ao encontro das especiarias até então exclusivas do comércio português por uma rota marítima que não colidisse com a parte portuguesa definida pelo Tratado de Tordesilhas.

Ou seja, navegando apenas na metade espanhola do mundo a descobrir, por assim dizer.

Acabou Fernão de Magalhães por não conseguir alcançar as tão cobiçadas especiarias mas tornou-se no primeiro ser humano (coadjuvado pelo espanhol Juan Sebastián Elcano) a fazer a circum-navegação ao globo terrestre.

10/09/2020

"In God We Trust"

Talvez influenciados por estarem a brindar com vinho da Madeira, o lema adoptado pelos pais fundadores dos Estados Unidos da América foi "E Pluribus Unum" (ou, em português, "Entre Muitos, Um") – à semelhança do escolhido, em Portugal, pelo clube Sport Lisboa e Benfica mais de uma centena de anos mais tarde – para aludir à ‘herança’ cultural e étnica do país e a uma tolerância que, de resto, em muito poucas ocasiões se verificaria.

Ora, em meados da década de 1950, os Estados Unidos – então em confronto ideológico (e não só) com a Comunista União Soviética – decidiram, num gesto desafiador, inscrever o lema "In God We Trust" ("Confiamos Em Deus", em português) nalgumas notas e moedas em circulação corrente: perante um país com um regime político comunista (e claro, anticapitalista) e ateu, o que poderia ser melhor do que exaltar uma entidade divina no sistema monetário, fulcro do Capitalismo?

Mas, embora a União Soviética possa ter já desaparecido, tal lema tem-se mantido e irá continuar a existir: o Supremo Tribunal norte-americano anunciou já, em Junho de 2019, que considerava improcedente uma queixa apresentada que pretendia a retirada pura e simples do referido "In God We Trust" por, argumentou-se, chocar contra os direitos religiosos de quem se identificava como ateu.

09/09/2020

A UNESCO e a língua portuguesa

A UNESCO é a organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. Ou seja, é a responsável pela promoção destas dimensões da vida do Homem, onde quer que habite.

Trata-se, assim, de uma organização que almeja, como o seu lema de resto refere, "Building peace in the minds of men and women" ("Construir a paz nas mentes dos homens e das mulheres", em português).

Ou seja, a paz.

Ora, esta construção implica diálogo.

No entanto, a UNESCO só dialoga em seis idiomas (que são, portanto, oficiais): inglês, francês, espanhol, russo, árabe e mandarim.

Em português, por exemplo, não!

Mas a língua portuguesa, para além de ser uma das mais faladas no mundo – já que cerca de 4% da população do planeta a fala –, tem uma ‘abrangência’ geográfica verdadeiramente universal: falam-na na América (o Brasil), na Europa (Portugal), em África (em Angola, em São Tomé e Príncipe, em Cabo Verde, em Moçambique e na Guiné-Bissau) e na Ásia (em Timor-Leste e em Macau).

Ou seja, a "Lusofonia" espalha-se por mais de dez milhões de quilómetros quadrados.

Aliás, num mundo com cada vez mais migrantes e refugiados e com uma língua a desaparecer a cada quatorze dias, poderia ser, até, um sinal para a melhoria na busca da UNESCO pela construção da paz ter muito mais línguas oficiais do que as seis que tem actualmente.


08/09/2020

Tortura e Pena Capital na Europa, ontem e hoje

Foi um sentimento de imenso horror aquele que se tinha apoderado do meu espírito ainda
adolescente quando acabei de ver a exposição "Instrumentos Europeus de Tortura e Pena Capital – Desde a Idade Média até ao Século XIX" que o Palácio das Galveias, em Lisboa, acolheu no fim da década de 1990.

Ora, compreendi, anos mais tarde, que o facto de me ter sentido horrorizado se tinha devido,
unicamente, à incapacidade para conceber que o espírito humano tivesse podido inventar
instrumentos para, fisicamente, torturar o Outro e, espiritualmente, destrui-lo inteiramente (confesso que desconhecia, ainda, o que o astrofísico canadiano Hubert Reeves havia escrito no seu "Malicorne": "No pequeno Homo Sapiens tudo é excessivo. Nele, intimamente misturados, estão o sublime e o horrível. Há nele, em potência, Wolfgang Amadeus Mozart e Adolf Hitler"…).

Claro que hoje, na Europa, em nome da ‘civilização’, os sistemas judiciais já não recorrem a objectos físicos para exercer Tortura e sentenças capitais sobre alguns indivíduos mas será que a aniquilação mental e a violência psicológica não continua a ser amplamente praticada pela quase totalidade dos Estados (ou mesmo por todos)?

07/09/2020

O "cocktail Molotov"

Encontra-se, actualmente, (bastante) disseminada a utilização, em acções de violência urbana, dos "cocktail Molotov", dispositivos incendiários preparados artesanalmente.


O termo foi ‘cunhado’ pouco depois (cerca de três meses) do começo da II Guerra Mundial.


Na Finlândia.


Após a invasão por soldados soviéticos.


De facto, cidadãos finlandeses, revoltados com a propaganda difundida pelo ministro dos negócios estrangeiros da União Soviética, Viacheslav Molotov (que havia assinado com o seu homólogo alemão – apenas alguns dias antes do "início oficial" do conflito mundial, um pacto de não agressão…) –, que se referira, entretanto, aos ataques vindo do ar como sendo, na (sua) verdade, "ajuda humanitária" (alimentos, sobretudo).


Ora, o "cocktail (Molotov)" seria, assim, o complemento líquido para essa comida...

05/09/2020

Munique, Israel e a "causa" palestiniana

5 de Setembro de 1972.

Alemanha de Leste.

Munique.

Aldeia Olímpica.

Jogos Olímpicos de Verão.

11 atletas da equipa de Israel foram, primeiro, raptados e, depois, assassinados por membros do grupo palestiniano "Setembro Negro".

04/09/2020

Los Angeles e Santa Kateri

No dia em que se assinalam duzentos e trinta e nove anos da fundação do povoado que se tornaria, muitos anos depois, na segundo mais populosa cidade dos Estados Unidos da América – Los Angeles –, opto por lembrar, também, que o Papa Bento XVI canonizou, em 2012, Kateri Tekakwitha.

Esta tornou-se, assim, na primeira autóctone (índia) da América do Norte a ser considerada santa pelo Catolicismo.