À cidade marroquina de Ceuta
foram, pelo rei espanhol Filipe IV no século XVII, atribuídos os
títulos que ainda hoje compõem o seu lema: "Noble, Leal y
Fidelísima" ("Nobre, Leal e Fiel", em português).
No
entanto, se a posse política e administrativa de Ceuta foi, a partir
do referido século XVII, exercida por Espanha, foi de outro país
que partiu, em Agosto de 1415, uma armada que pretendia conquistá-la.
Portugal.
Mais
concretamente, de uma cidade cujo lema – "Mui Nobre e Sempre Leal
Cidade" – poderia ter servido de inspiração para os
castelhanos: Porto.
Ora,
sendo essa conquista alcançada, foi uma outra cidade portuguesa –
Lisboa – quem conseguiu tecer mais profundos laços com Ceuta.
Assim,
partindo da exposição "Lisboa 1415 Ceuta" que os Paços do
Concelho da capital portuguesa acolheram no início do ano de 2016 e
do respectivo guia explicativo da dita exposição que dizia, por
exemplo, que "Séculos de relação
entre Lisboa e Ceuta, que se manteve mesmo quando as duas cidades
seguiram caminhos políticos distintos, asseguraram uma recíproca
presença na memória das duas comunidades", pedi
a quem a coordenou que, resumidamente, me explicasse essa
‘profundidade’ de laços:
"Por
um lado há toda uma história dos séculos XVIII e XIX em que as
relações se mantém, apesar da pertença a países distintos. Por
outro, (…) há
toda uma simbólica de relações que chega aos dias de hoje, em
vários domínios. O facto de Lisboa e Ceuta
partilharem bandeiras, o facto de Av. de Lisboa e Av. de Ceuta serem
das principais ruas das duas cidades (em Madrid a Rua de Ceuta é uma
coisa insignificante), enfim, em vários domínios há uma memória,
uma representação que se faz da outra cidade muito superior, mais
expressiva, do que o real peso da relação e da importância
histórica das duas cidades, quase uma coisa mítica".