Anwar al-Sadat – presidente do Egipto – e Menachem Begin –
primeiro-ministro de Israel – foram, em 27 de Outubro de 1978,
distinguidos com o Prémio Nobel da Paz por negociações que
resultaram, primeiro, nos "Acordos de Camp David" (sob os
‘auspícios’ do presidente dos Estados Unidos da América, Jimmy
Carter) e, depois, num acordo de paz assinado entre as autoridades de
ambos os países.
Creio, assim, ser algo
pertinente republicar um texto que publiquei no blogue "uso
externo" em 15 de Maio de 2018 – "O
Corão, a Bíblia e Israel".
"«Racismo»,
«medo»,
«traição»,
«ódio».
Estas
foram apenas algumas das palavras que há dias li num texto – “Le
Coran est-il antisémite?”
– escrito por um franco-marroquino especialista em islamismo.
Ora,
eu não sou, admito, um especialista no estudo de qualquer das
religiões existentes no mundo mas tenho as minhas próprias ideias e
a minha própria opinião.
Julgo,
assim, que o texto sagrado do Islão pode conter, de facto, todos os
conceitos que se quiser que ele tenha bastando para isso que quem o
leia o manipule convenientemente nessa direcção, se se quiser dizer
assim.
Ou
que outros o manipulem (como alguns media, por exemplo),
evidentemente…: não é por mero acaso que muitos vêem hoje a
religião ‘associada’ do Corão – o islamismo – como sinónimo
inequívoco de terrorismo.
A
esta manipulação exterior surgirão coligados, mais cedo ou mais
tarde, outros problemas como o da generalização (intencional ou
não): «os adeptos do
islamismo são terroristas»,
ouço alguns clamarem.
Ou
seja, de acordo com esta ‘visão’, todos aqueles que professam a
fé islâmica são terroristas.
Isto
é errado, claro.
Estou
a lembrar-me, à medida que escrevo estas palavras, de uma entrevista
do ensaísta e tradutor Frederico Lourenço, autor de uma «nova
tradução da Bíblia, na sua forma mais completa - a partir da
Bíblia Grega, ou seja, contendo o Novo Testamento e todos os livros
do Antigo Testamento. em suma, a presente tradução dará a ler os
27 livros do Novo Testamento e os 53 do Antigo Testamento grego (em
lugar dos 39 do cânone protestante, ou dos 46 do cânone católico).
Será, assim, a Bíblia mais completa que jamais existiu em
português, apresentada pelo mais importante e rigoroso dos
tradutores do Grego clássico, Frederico Lourenço. a [A]
chamada Bíblia Grega é a versão mais importante do Livro...».
Afirmou,
por exemplo, o seguinte: «A
Bíblia é um espelho da existência humana, da realidade humana, de
tudo aquilo que o ser humano tem de bom – e de mau, também…. A
Bíblia é um conjunto de narrativas
[em]
que nós
encontramos das coisas mais atrozes que o ser humano foi capaz de
fazer, desde genocídios (que estão perfeitamente descritos no
Antigo Testamento) até àquilo que é o ‘evento’ central do Novo
Testamento que é a crucificação de um homem inocente...».
Assim,
de acordo com essa perspectiva generalista, poder-se-ia, também,
concluir que todos – ainda que alguns (muitos?) o sejam – os
cristãos são ‘bárbaros’, racistas e intolerantes?
Creio
que não.
***
«A
menção a Jerusalém na Bíblia ascende a perto de 650 vezes por uma
única razão: esta é, desde há 3000 anos, a capital do nosso povo
e apenas do nosso povo».
Esta
frase foi proferida pelo primeiro ministro-israelita, Benjamin
Netanyahu, numa recente reunião do conselho de ministros judeu.
Apesar
de achar que nem todos os judeus de Israel alinham politicamente com
os valores representados por tal pessoa penso que a segunda metade da
frase é unânime, por assim dizer, até porque o Estado de Israel
assinalou ontem o 70.º aniversário e já várias sensibilidades
políticas o dirigiram, claro.
Creio,
por isso, que nunca irão existir dois Estados lado a lado. De judeus
e de árabes.
Nunca".