31/03/2021

Ainda a Inquisição

Através de um decreto aprovado pelas Cortes Constituintes na sessão ocorrida no dia 31 de Março de 1821 – e confirmado pelo rei D. João VI em 5 de Abril seguinte –, foi abolida a Inquisição.

 


 

Mas, embora tivessem já passado duas centenas de anos desde o seu fim e, portanto, da abolição escrita de tal instrumento de delação, de tortura e de morte, a Inquisição permanece ‘viva’ nas mentes: como já aqui escrevi – no texto "A Inquisição em Portugal – parte II" –, "segundo os autores da "História da Inquisição Portuguesa (1536-1821)", de José Pedro Paiva e Giuseppe Marcocci, "A sua influência continua a sentir-se ainda hoje, em certas dimensões da vida institucional e até nos costumes e modos de ser e pensar"".

30/03/2021

A China e a escravatura

É inteiramente verdadeira a afirmação de que a China – e a sua civilização – foram, durante muito tempo, como que precursoras de um conjunto de alterações levadas a efeito nas chamadas sociedades ocidentais.


Alterações importantes, refira-se.


No ‘plano’ material (a invenção de objectos) e no ‘plano’ espiritual (a filosofia), por exemplo.


Mas não noutras, naturalmente: recordo que a escravatura teve, na China, enquadramento legal até 1910.

29/03/2021

"Lai Si"





 

Uma das reacções que alguns dos visitantes do Pavilhão de Macau na chamada “Expo’98” terão tido foi a de espanto.


E em “dose dupla”…


Porquê?


Por isto: quem – como eu – tenha recebido um pequeno envelope de cor vermelha contendo uma moeda pôde ler o seguinte: "A oferta de "Lai Si" é uma tradição chinesa milenária que representa uma forma de desejar ao próximo e ao ofertante boa sorte e prosperidade".


Ora, eu, nascido em Portugal e com antepassados nascidos no país, espantei-me pois era uma perfeita novidade a existência de tal gesto.


E, para além disso, Macau era uma ‘terra’ portuguesa. Porquê, então, essa espécie de contágio (positivo, bem entendido) cultural da China? Ora, descobri-lo-ia muito mais ‘tarde’, Macau era um território administrado politicamente por portugueses, sim, mas apenas e só com autorização das autoridades da China. A esmagadora maioria de quem aí vivia era originária da China. Tal como a sua identidade cultural...

 


 

27/03/2021

África à venda?

Já aqui escrevi que "de acordo com números oficiais desse país africano [África do Sul], cerca de 70 % de toda a terra agrícola aí existente é actualmente controlada por agricultores "brancos"…".


Ora, a base de dados "Land Matrix"um projecto criado e desenvolvido pelo "Centre for Development and Environment" da Universidade de Berna – explica pormenorizadamente que desde há cerca de vinte anos que mais de trinta e cinco milhões de hectares de terras agrícolas em África foram adquiridas por capitais estrangeiros, por assim dizer.

26/03/2021

"Os Lusíadas"

Terá sido no dia 26 de Março de 1560 que terá começado a imprimir-se a primeira edição daquela que se viria a revelar uma das principais (se não mesmo a principal) obras da Literatura feita em Portugal: "Os Lusíadas", o poema épico escrito por Luís Vaz de Camões.


Poema em que ao ‘longo’ de dez cantos são celebradas, simultaneamente, a viagem de Vasco da Gama à Índia (em 1497) e a história de Portugal até então.

 

 


 

 


 

25/03/2021

Portugal, Nossa Senhora da Conceição e "Senhor da Guiné"

Contexto? Cortes.

Onde? Lisboa.

Quando? 25 de Março de 1646.


Foi, precisamente, na data e contexto acima mencionados que o rei D. João IV declarou Nossa Senhora da Conceição como padroeira de Portugal.


***



Recordo que foi também em 25 de Março – mas de 1485 – que D. João II decidiu acrescentar ao ‘título’ "Rei de Portugal" o de "Senhor da Guiné".

 


 

24/03/2021

Beitar e os árabes

Lembro-me muito bem de já aqui ter escrito sobre uma atitude de intolerância racial do jogador egípcio de futebol Mohamed Salah (jogador da equipa inglesa "Liverpool").


No texto "Se ele entrar, eu saio".


Ora, não voltarei, evidentemente, a afirmar o quão negativa foi e é essa atitude.


Mas quero, sim, escrever sobre um outro exemplo de que o conflito entre Árabes e Judeus extravasa, por vezes (sempre?), a ‘fronteira’ da Política.


O clube israelita de futebol "Beitar Jerusalem" costuma ser orgulhosamente anunciado por muitos dos seus adeptos como "a equipa mais racista de Israel" pois chamam, por exemplo, "terroristas" aos jogadores árabes das equipas adversárias sendo que esta mesma equipa nunca – desde a sua fundação, em 1936 – ‘acolheu’ um só atleta árabe-israelita***.


No passado mês de Dezembro de 2020, no entanto, o clube passou a ter um dono muçulmano e árabe.


Por sinal, primo do principal governante dos Emirados Árabes Unidos.


Assim, como lidarão esses adeptos com a falta de "pureza" racial do seu clube?





*** Recordo que os Árabes constituem cerca de 20% da população de Israel.