06/04/2021

Império Otomano e genocídio

Várias dezenas de senadores norte-americanos têm vindo a apelar ao presidente do país, Joe Biden, para que se torne no primeiro presidente dos Estados Unidos da América a reconhecer as atrocidades cometidas pelo Império Otomano contra muitos milhares de Arménios durante e após a I Guerra Mundial como "genocídio".


A verdade é que várias administrações norte-americanas chegaram a equacionar essa tomada de posição mas nunca ‘avançaram’ devido à hipotética reacção que a Turquia (membro da OTAN/"NATO" desde Fevereiro de 1952) pudesse vir a ter.


Recordo que as autoridades turcas continuam a rejeitar todas as acusações.

05/04/2021

Os Mosqueteiros e a morte

Recordo-me de um professor de História me ter confidenciado – e a todos os meus colegas de turma, claro – que o seu interesse pela História havia sido ‘despertado’ pelo visionamento da série de animação "D’Artacão e os três Moscãoteiros" (emitida pela RTP na década de 1980).


Série baseada na obra escrita pelo autor francês Alexandre Dumas "Les Trois Mousquetaires" (ou, em português, "Os Três Mosqueteiros"), publicada em 1844.


Ora, segundo podia ouvir-se no genérico desta série de animação, "o seu lema [dos referidos Moscãoteiros] é "Um por todos e todos por um"".


A verdade, porém, é que a divisa dos Mosqueteiros era "Por onde passa, semeia a morte"...

03/04/2021

A OMS

A Organização Mundial da Saúde (ou OMS) é, por assim dizer, o "braço" da Organização das Nações Unidas (ou ONU) no que concerne à coordenação e implementação de medidas, no mundo, relativamente à Saúde.


Lembro que esta organização foi instituída em Abril de 1948.

02/04/2021

Hipácia de Alexandria

Nasceu na cidade egípcia Alexandria cerca de meados do século IV depois da data atribuída ao nascimento de Jesus Cristo aquela que foi a primeira – de que há registo – matemática.


Teria, efectivamente, chegado a ensinar esta disciplina.


Mas o seu interesse parece ter ido mais além do que os números: terá, também, ensinado filosofia (a chamada "escola neoplatónica"), construído um hidroscópio – instrumento para encontrar fontes e nascentes e ajudado a desenhar um astrolábio.


Linchada em 415 por uma turba que professava os ensinamentos cristãos, morreu por acreditar e praticar nos e os ‘ideais’ pagãos.

01/04/2021

A Inquisição e o lamento da Igreja

Tendo ontem aqui escrito algumas palavras sobre o fim de uma das instituições – a Inquisição – que, na minha opinião, mais prejudicou Portugal bem como sobre o seu tenebroso legado, parece-me oportuno citar um pequeno texto que ornamenta uma placa situada junto à igreja de São Domingos, em Lisboa:


"Este centro histórico de Lisboa, onde hoje fraternalmente nos abraçamos, foi no passado palco de violências intoleráveis contra o povo hebreu. Nem devemos esquecer, neste lugar, a triste sorte dos «cristãos novos»: as pressões para se converterem, os motins, as suspeitas, as delações, os processos temíveis da Inquisição. Como comunidade maioritária nesta cidade, há perto de mil anos, a Igreja Católica reconhece profundamente manchada a sua memória por esses gestos e palavras, tantas vezes praticados em seu nome, indignos da pessoa humana e do Evangelho que ela anuncia.


Oceanos de Paz, 26 de Setembro de 2000

José, Patriarca de Lisboa"

 


 

31/03/2021

Ainda a Inquisição

Através de um decreto aprovado pelas Cortes Constituintes na sessão ocorrida no dia 31 de Março de 1821 – e confirmado pelo rei D. João VI em 5 de Abril seguinte –, foi abolida a Inquisição.

 


 

Mas, embora tivessem já passado duas centenas de anos desde o seu fim e, portanto, da abolição escrita de tal instrumento de delação, de tortura e de morte, a Inquisição permanece ‘viva’ nas mentes: como já aqui escrevi – no texto "A Inquisição em Portugal – parte II" –, "segundo os autores da "História da Inquisição Portuguesa (1536-1821)", de José Pedro Paiva e Giuseppe Marcocci, "A sua influência continua a sentir-se ainda hoje, em certas dimensões da vida institucional e até nos costumes e modos de ser e pensar"".

30/03/2021

A China e a escravatura

É inteiramente verdadeira a afirmação de que a China – e a sua civilização – foram, durante muito tempo, como que precursoras de um conjunto de alterações levadas a efeito nas chamadas sociedades ocidentais.


Alterações importantes, refira-se.


No ‘plano’ material (a invenção de objectos) e no ‘plano’ espiritual (a filosofia), por exemplo.


Mas não noutras, naturalmente: recordo que a escravatura teve, na China, enquadramento legal até 1910.