30/04/2021

Boccaccio e a peste

Já aqui escrevi no blogue "um pouco impossível" algumas palavras sobre a pandemia que, desde há mais de um ano, nos afecta.


Mas nenhuma delas a propósito do "Decameron" de Giovanni Boccaccio.


Ora, aquela que é, na minha opinião, uma das obras-primas da literatura feita na Europa no período medieval é uma espécie de colecção de contos sobre a fuga de habitantes de Florença em direcção ao ‘campo’ durante a chamada "Peste Negra" (que, recordo, terá dizimado mais de quarenta por cento da população que vivia na Europa em meados do século XIV).


Eis um excerto:


"Passava já o ano 1348 [] e a cidade de Florença, nobre entre as de maior fama na Itália, foi presa de uma mortal epidemia. […] a verdade é que a peste se declarara anos antes no Oriente, onde vitimara incontáveis vidas. Prosseguindo imparável a sua marcha, propagou-se, para mal nosso, ao Ocidente. Nenhuma medida sanitária resultou. […] A calamidade incutira tanto terror entre os homens e as mulheres, que irmão abandonava o irmão, tio desprezava o sobrinho, irmã esquecia o irmão e bastas vezes o mesmo acontecia até em relação a mulher e marido. E – o que é pior e quase inaceitável – pais e mães evitavam visitar e dar auxílio aos filhos, tal como se eles lhes não pertencessem já".

29/04/2021

A CIA e Raúl Castro

Os oitenta e seis mil milhões de neurónios que o cérebro humano contém permitem que, por exemplo, tomemos milhares de decisões todos os dias.


Precisamente, uma das que tomo hoje é a de voltar a escrever aqui no blogue sobre Cuba.


Mais exactamente sobre Raúl Castro – ainda que tivesse havido um tempo em que "Cuba" era sinónima de "Castro"….


O "National Security Archive" (nos Estados Unidos da América) publicou, há dias, documentos que também haviam sido recentemente desclassificados que deram a conhecer um esquema elaborado pela "Central Intelligence Agency" (a CIA) para assassinar, em 1960, o mais novo dos irmãos Castro que governavam a ilha.


Essa tentativa acabou, no entanto, por ser abortada e Raúl pôde continuar a viver.




Post scriptum: recordo que, por sinal, terão sido mais de seiscentas as tentativas para assassinar Fidel Castro. Fidel acabou por morrer, sim, mas em 2016 e devido a causas naturais. Contava noventa anos de idade.

28/04/2021

"Celsius" e "Richter"

Talvez nunca como agora se tenha falado e escrito tanto sobre alterações climáticas e sobre a importância de as instâncias políticas dos países – e as pessoas... – respeitarem e cumprirem os pressupostos definidos pelo Acordo de Paris.


E, sobretudo, a meta definida de limitar o aquecimento global a dois – ou menos – graus Celsius.


Mas, qual a ‘origem’ desta designação ("Celsius")?


Assim, esta deve-se ao cientista sueco que foi professor de astronomia na universidade de Uppsala na primeira ‘metade’ do século XVIII e que inventou uma escala de temperatura.


"Celsius", precisamente.


Tal como a "escala de Richter", usada nos terramotos (ou "abalos sísmicos").


Efectivamente, esta escala foi inventada e desenvolvida por Charles Richter, um físico e sismólogo norte-americano (1900-1985).

27/04/2021

As crianças e a imitação

"As crianças nunca foram muito boas a ouvir os mais velhos mas souberam sempre imitá-los"


James Baldwin (1924-1987), escritor norte-americano

26/04/2021

S. Nuno de Santa Maria

D. Nuno Álvares Pereira foi beatificado pelo papa Bento XV em 1918 e canonizado por Bento XVI em 2009.


Mais concretamente em 26 de Abril desse ano.


Tornou-se, assim, para a Igreja Católica, S. Nuno de Santa Maria.


Foi a apropriação religiosa de alguém que foi, nas palavras presentes na mostra bibliográfica “Na Canonização de D. Nuno Álvares Pereira” que a Biblioteca Nacional de Portugal organizou e ficou patente de 24 de Abril a 13 de Maio de 2009 , um "Exímio e exigente líder militar, combatendo sempre em inferioridade numérica, invencível na arte da guerra e na firmeza e coerência das suas convicções - que arrastavam príncipes e plebeus - consegue consolidar o trono de Avis, participar na empresa de conquista de Ceuta e assegurar uma significativa parcela dos bens que viriam a integrar a futura Casa de Bragança".

 

 


 

25/04/2021

Antes e depois de Abril (parte 3)

Porque passam hoje 47 anos do dia 25 de Abril de 1974, opto por recordar um texto que escrevi há três anos por esta mesma altura: "Assinalaram-se ontem 44 anos do golpe militar de 25 de Abril de 1974. Embora democrata e resolutamente antifascista, não consigo partilhar do ‘entusiasmo’ daqueles que chamam ao acontecimento "Revolução dos Cravos" pelo simples facto de acreditar que um movimento verdadeiramente revolucionário não pode ser feito com ‘flores’. Veja-se, por exemplo, o estado de coisas em que vive a Tunísia alguns anos após a "Revolução do Jasmim"… Cito, por isso, duas pessoas temporalmente separadas por mais de trinta anos: o grande músico/cantor e resistente José Afonso ("Zeca Afonso") e o fiscalista e sócio da "Espanha e Associados" João Espanha. "O 25 de Abril não foi feito para aquilo que estamos agora a viver. Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril imaginaram uma sociedade muito diferente da actual que está a ser oferecida aos jovens. Os jovens deparam-se hoje com problemas tão graves – ou talvez mais graves que aqueles que nós tivemos que enfrentar – o desemprego, por exemplo, e por vezes não têm recursos. O sistema ultrapassa-os. O sistema oprime-os criando-lhes uma aparência de liberdade. Eu creio que a única atitude foi aquela que nós tivemos – nós, refiro-me à minha geração: de recusa frontal, de recusa inteligente (se possível até pela insubordinação; se possível até pela subversão) ao modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido com belos discursos, com o fundamento da legalidade democrática, com o fundamento do respeito pelos direitos dos cidadãos. É, de facto, uma sociedade teleguiada de longe por qualquer FMI, por qualquer deus banqueiro que é imposta aos jovens de hoje". "Zeca Afonso" em 1984, nas comemorações dos dez anos do "25 de Abril" "Só uma pequena minoria endinheirada pode recorrer a um advogado mesmo que seja vítima de injustiça [do Fisco]". João Espanha no "Jornal de Negócios" em 12 de Abril de 2018 Acrescento, todavia, uma frase escrita pelo filósofo italiano Nicolau Maquiavel que me parece exemplar para descrever o que, em minha opinião, se tem vindo a passar na História (de Portugal e não só): "Os povos que perdem a liberdade pela força, pela força haverão de reconquistá-la. Mas os que perdem a liberdade por descuido, estes demorarão muito a voltar a ser livres".

24/04/2021

O elefante da Tailândia

Ainda há dias aqui escrevi sobre o facto de Brasília parecer, de cima (por assim dizer), um avião ou um pássaro.


Mantenho-me no "reino" animal (chamado "irracional"...).

 

Ora, a Tailândia – que, recordo, é um país do Sudeste Asiático – assemelha-se, por seu lado, a uma cabeça de elefante que, talvez não por mero acaso, é um animal como que ‘sagrado’ no país.