07/05/2021

A batalha de Diên Biên Phu

Durou mais de um mês a batalha de Diên Biên Phu. 


Foi, efectivamente, no início de Maio de 1954 que, na então Indochina e actualmente "Vietname", terminou o primeiro embate em que uma potência colonial - a França, nesse caso - foi militarmente derrotada por um exército não-profissional.

06/05/2021

Guilhotinadas

Marie Antoinette (ou, em língua portuguesa, Maria Antonieta) não foi a única mulher a "perder a cabeça" durante a chamada Revolução Francesa.


Na verdade, também Olympe de Gouges, que escreveu a "Déclaration des Droits de la Femme et de la Citoyenne" ("Declaração dos Direitos das Mulheres e da Cidadã") e Isabel, a irmã mais nova do rei Luis XVI, foram guilhotinadas.

05/05/2021

João Que Veio e o régulo Magauanha

A esmagadora maioria dos intervenientes na História de um país – de todos os países que existiram ou existem no mundo, leia-se – ‘integraram’ a expressão "massa anónima do povo".


Das quais nem sequer se conheceu (ou conhece) o nome.


Mas não só.


De outros conhece-se o nome, sim, mas pouco mais.


Lembro agora dois ‘exemplos’.


João Que Veio: dele apenas se sabe que foi almoxarife (ou seja, tesoureiro da Casa Real) durante o reinado de D. Afonso IIII (1245-1279). 

 

O outro: celebram-se, em 2021, quinhentos anos da existência, no Porto, da "Rua das Flores". Mas, se muito se sabe desta estrutura na cidade – e do ‘papel’ da mesma na própria identidade da cidade – o mesmo não poderá dizer-se da rua da mesma cidade "Rua Régulo Magauanha". Sabendo apenas que esta rua se localiza administrativamente na freguesia de Santo Ildefonso, que ‘acolhe’ actualmente um parque de camionagem e que um "régulo" é um chefe tradicional em Moçambique, procurei efectivamente que a edilidade (alguém, naturalmente) do Porto me explicasse um pouco mais. Quem havia sido Magauanha, claro. Mas não tive sorte porque a Câmara Municipal do Porto não me respondeu sequer pelo que, deduzi, sabe tanto quanto eu.

04/05/2021

Heydrich "coração de ferro", Hess e a Inglaterra

Foi em Maio de 1942 que o oficial das SS ("Schutztaffel") Reinhard Heydrich encontrou a morte.


Não imediatamente.


Dias depois.


O homem que teve um papel importantíssimo na organização do Holocausto e a quem Adolf Hitler designava por “o homem com um coração de ferro” acabou por ser alvo de um atentado perpetrado por pessoas que considerava serem "untermensch" (em língua portuguesa, "sub-humanos"): checos.


Mas não era, na minha opinião, somente Heydrich que deveria ter o ‘cognome’ "coração de ferro" mas sim todos os lacaios da máquina "nazi" que levaram a cabo todos os crimes que hoje tão bem conhecemos...



***



Aproveito para escrever algumas linhas mais a propósito de outro ‘alto’ dignitário do "nazismo": Rudolf Hess.


E porquê?


Porque Hess voou solitariamente, em 1941, para Inglaterra com o objectivo de alcançar um acordo de paz entre esta e a Alemanha.

03/05/2021

Palme: caso encerrado

Olof Palme, o primeiro-ministro da Suécia, foi assassinado a tiro, em Fevereiro de 1986, quando saía de um cinema.


Pouco mais de trinta e cinco anos se passaram, portanto.


Quase tantos como aqueles que a polícia do país demorou para encontrar o culpado: Stig Engstrom, um "designer" gráfico.


Ora, como Engstrom já havia morrido em 2000, o caso foi dado como encerrado.

30/04/2021

Boccaccio e a peste

Já aqui escrevi no blogue "um pouco impossível" algumas palavras sobre a pandemia que, desde há mais de um ano, nos afecta.


Mas nenhuma delas a propósito do "Decameron" de Giovanni Boccaccio.


Ora, aquela que é, na minha opinião, uma das obras-primas da literatura feita na Europa no período medieval é uma espécie de colecção de contos sobre a fuga de habitantes de Florença em direcção ao ‘campo’ durante a chamada "Peste Negra" (que, recordo, terá dizimado mais de quarenta por cento da população que vivia na Europa em meados do século XIV).


Eis um excerto:


"Passava já o ano 1348 [] e a cidade de Florença, nobre entre as de maior fama na Itália, foi presa de uma mortal epidemia. […] a verdade é que a peste se declarara anos antes no Oriente, onde vitimara incontáveis vidas. Prosseguindo imparável a sua marcha, propagou-se, para mal nosso, ao Ocidente. Nenhuma medida sanitária resultou. […] A calamidade incutira tanto terror entre os homens e as mulheres, que irmão abandonava o irmão, tio desprezava o sobrinho, irmã esquecia o irmão e bastas vezes o mesmo acontecia até em relação a mulher e marido. E – o que é pior e quase inaceitável – pais e mães evitavam visitar e dar auxílio aos filhos, tal como se eles lhes não pertencessem já".

29/04/2021

A CIA e Raúl Castro

Os oitenta e seis mil milhões de neurónios que o cérebro humano contém permitem que, por exemplo, tomemos milhares de decisões todos os dias.


Precisamente, uma das que tomo hoje é a de voltar a escrever aqui no blogue sobre Cuba.


Mais exactamente sobre Raúl Castro – ainda que tivesse havido um tempo em que "Cuba" era sinónima de "Castro"….


O "National Security Archive" (nos Estados Unidos da América) publicou, há dias, documentos que também haviam sido recentemente desclassificados que deram a conhecer um esquema elaborado pela "Central Intelligence Agency" (a CIA) para assassinar, em 1960, o mais novo dos irmãos Castro que governavam a ilha.


Essa tentativa acabou, no entanto, por ser abortada e Raúl pôde continuar a viver.




Post scriptum: recordo que, por sinal, terão sido mais de seiscentas as tentativas para assassinar Fidel Castro. Fidel acabou por morrer, sim, mas em 2016 e devido a causas naturais. Contava noventa anos de idade.