11/05/2021

"Zyklon z" e "Carcóvia"

Serei dos poucos, talvez, a acreditar na função pedagógica de alguns programas emitidos por estações de televisão em Portugal.



Ora, os dois exemplos que juntarei abaixo reforçaram inexoravelmente esta minha convicção: que serei dos poucos, efectivamente...



O primeiro: há dias, num bloco escolar transmitido ao ‘abrigo’ do programa "Estudo em Casa" dedicado à História para o 9.º ano de escolaridade, explicou, num dado momento, a professora responsável, o seguinte: "do lado direito temos a imagem da câmara de gás [existente num dos vários campos de extermínio comandados pelos alemães durante a II Guerra Mundial] onde as pessoas eram mortas por asfixia com o gás zyklon...z".



O segundo: num outro programa (que, curiosamente, tinha também como ‘cenário’ a II Guerra Mundial), referiu-se o seguinte em relação à Batalha de Kursk (ocorrida em 5 de Julho de 1943): "ao ser perseguido para Sul após a queda de Estalinegrado, o general alemão Erich von Manstein, sem dúvida o pensador estratega mais eficaz da Wehrmacht [o exército alemão], manteve a sua compostura e empenhou-se numa retirada estratégica. Ao recuar até aos centros de abastecimento, aumentou aos poucos as reservas operacionais revigorando as suas forças até que no final de Fevereiro surpreendeu os soviéticos com um contra-ataque fulminante: em meados de Março já conseguira reconquistar a cidade de Carcóvia".

 


 

10/05/2021

O Bem e o Mal

O último livro que o biólogo e psicólogo francês Stéphane Debove escreveu (publicado em Março de 2021) – "Porquoi notre cerveau a inventé le bien et le mal" (ou, em língua portuguesa, "Por que é que o cérebro humano inventou os conceitos de Bem e e Mal") parte de uma premissa que, creio, é esta: os seres humanos nascem (todos!) com uma espécie de sentido moral capaz de fazer uma distinção entre o que considera o Bem e o que considera o Mal.


Ora, já há décadas que o astrofísico canadiano Hubert Reeves escreveu (no seu "Malicorne – Reflexões de um observador da Natureza") que "No pequeno Homo Sapiens tudo é demasiado. Nele, intimamente misturados, estão o sublime e o horrível. Há nele, em potência, Wolfgang Amadeus Mozart e Adolf Hitler"...

08/05/2021

O aqueduto de Segóvia

Continuam, na Europa, a ser muitos os ‘traços’ da influência do Império Romano mesmo após terem passado centenas de anos do seu fim.


Por exemplo, o aqueduto que serve a cidade espanhola Segóvia foi mandado construir pelo imperador romano Trajano – que, lembro, governou entre 98 e 117 da chamada era cristã – e ainda hoje está em ‘uso’: a estrutura integra, de resto, a lista do Património Mundial da UNESCO de Espanha...

07/05/2021

A batalha de Diên Biên Phu

Durou mais de um mês a batalha de Diên Biên Phu. 


Foi, efectivamente, no início de Maio de 1954 que, na então Indochina e actualmente "Vietname", terminou o primeiro embate em que uma potência colonial - a França, nesse caso - foi militarmente derrotada por um exército não-profissional.

06/05/2021

Guilhotinadas

Marie Antoinette (ou, em língua portuguesa, Maria Antonieta) não foi a única mulher a "perder a cabeça" durante a chamada Revolução Francesa.


Na verdade, também Olympe de Gouges, que escreveu a "Déclaration des Droits de la Femme et de la Citoyenne" ("Declaração dos Direitos das Mulheres e da Cidadã") e Isabel, a irmã mais nova do rei Luis XVI, foram guilhotinadas.

05/05/2021

João Que Veio e o régulo Magauanha

A esmagadora maioria dos intervenientes na História de um país – de todos os países que existiram ou existem no mundo, leia-se – ‘integraram’ a expressão "massa anónima do povo".


Das quais nem sequer se conheceu (ou conhece) o nome.


Mas não só.


De outros conhece-se o nome, sim, mas pouco mais.


Lembro agora dois ‘exemplos’.


João Que Veio: dele apenas se sabe que foi almoxarife (ou seja, tesoureiro da Casa Real) durante o reinado de D. Afonso IIII (1245-1279). 

 

O outro: celebram-se, em 2021, quinhentos anos da existência, no Porto, da "Rua das Flores". Mas, se muito se sabe desta estrutura na cidade – e do ‘papel’ da mesma na própria identidade da cidade – o mesmo não poderá dizer-se da rua da mesma cidade "Rua Régulo Magauanha". Sabendo apenas que esta rua se localiza administrativamente na freguesia de Santo Ildefonso, que ‘acolhe’ actualmente um parque de camionagem e que um "régulo" é um chefe tradicional em Moçambique, procurei efectivamente que a edilidade (alguém, naturalmente) do Porto me explicasse um pouco mais. Quem havia sido Magauanha, claro. Mas não tive sorte porque a Câmara Municipal do Porto não me respondeu sequer pelo que, deduzi, sabe tanto quanto eu.

04/05/2021

Heydrich "coração de ferro", Hess e a Inglaterra

Foi em Maio de 1942 que o oficial das SS ("Schutztaffel") Reinhard Heydrich encontrou a morte.


Não imediatamente.


Dias depois.


O homem que teve um papel importantíssimo na organização do Holocausto e a quem Adolf Hitler designava por “o homem com um coração de ferro” acabou por ser alvo de um atentado perpetrado por pessoas que considerava serem "untermensch" (em língua portuguesa, "sub-humanos"): checos.


Mas não era, na minha opinião, somente Heydrich que deveria ter o ‘cognome’ "coração de ferro" mas sim todos os lacaios da máquina "nazi" que levaram a cabo todos os crimes que hoje tão bem conhecemos...



***



Aproveito para escrever algumas linhas mais a propósito de outro ‘alto’ dignitário do "nazismo": Rudolf Hess.


E porquê?


Porque Hess voou solitariamente, em 1941, para Inglaterra com o objectivo de alcançar um acordo de paz entre esta e a Alemanha.