27/05/2021

Afonso de Albuquerque e o rio Nilo

Foi em Abril de 2011 que as autoridades políticas da Etiópia decidiram, unilateralmente, desviar o curso de uma ‘parte’ do rio Nilo para ‘encher’ aquele que seria, no final de 2022, o maior complexo hidroeléctrico de África.

Decisão que, naturalmente, não foi do agrado, por exemplo, das autoridades egípcias.

Tal decisão não foi, no entanto, nova, nem sequer original pois, por outros motivos, claro está, já Afonso de Albuquerque, na sua função de vice-rei da/na Índia do chamado Império Português, havia solicitado ao rei D. Manuel I que lhe enviasse os cabouqueiros que então estavam a construir as levadas (os canais para ‘conduzirem’ água) na ilha da Madeira para que desviassem, na referida Etiópia, o curso do rio Nilo para, assim, deixarem o Egipto depauperado de recursos hídricos – seca – e, depois, para Portugal poder dominar sozinho o comércio com o Oriente.

Proposta que, lembro, nunca ‘avançou’.

26/05/2021

Quem era Colón/Colombo?

Tive ontem oportunidade de de assistir a uma reportagem televisiva a propósito de esforços encetados para tentar descobrir a verdadeira identidade de Cristóvão Colombo (na ortografia e na pronúncia portuguesas, claro está).

Esforços, diga-se, desenvolvidos no âmbito da Academia.

A verdade, também, é que tenho muito poucas dúvidas de que a descoberta dessa identidade servisse, apenas e só, para ‘outra coisa’ qualquer que não fortalecer os egos de alguns já que não estou, efectivamente, a perceber como é que saber-se se Colombo era genovês, espanhol ou português de nascimento poderia mudar algo na actual ‘face’ do mundo.

 

25/05/2021

O termómetro, Galileu e a Inquisição

A invenção do termómetro tem sido, geralmente, atribuída ao cientista florentino Galileu Galilei (que nasceu em Pisa em 1564 e faleceu em 1642 perto de Florença).


Que a terá efectuado ‘por volta’ de 1600.


Ainda ‘longe’, portanto, de ter que se submeter à Inquisição e pronunciar: "E pur si muove".

24/05/2021

Duvidar e ter a certeza

"Duvidar pode não ser algo agradável mas ter certezas é absurdo".

 

Voltaire (1694-1778), escritor francês

22/05/2021

O "Agente 88"

As palavras que a seguir escreverei não serão sobre Rudolf Abel, o espião russo (mas nascido em Inglaterra) que, em 1957, foi considerado culpado por espionagem nos Estados Unidos da América.

Recordo, aliás, que Abel seria trocado alguns anos depois por um militar norte-americano detido pelas autoridades da União Soviética.

Serão, sim, sobre Eli Cohen, um agente secreto da israelita Mossad.

Cohen, de facto, passou pela Suíça e, depois, num outro movimento estratégico, pela capital argentina, Buenos Aires, onde, assumindo a identidade de um empresário árabe (sírio), permaneceu alguns meses.

Após essa considerada necessária estadia dirigiu-se a Damasco, na Síria, precisamente, de onde, a coberto da sua falsa identidade, ia enviando informações para Israel.

Mas tal parou em Janeiro de 1965 pois Cohen foi descoberto por agentes da secreta militar síria.

Acabaria, então, por ser condenado à morte e, assim, publicamente enforcado em Maio desse mesmo ano.

No entanto, quase seis décadas depois da sua execução, Cohen continua a ser admirado e idolatrado em Israel.

"Um super-herói", dir-se-ia.

21/05/2021

Os "Beatles" e o mestrado

Foi em 2011 que, pela primeira vez em todo o mundo, um indivíduo (por sinal, uma senhora) concluiu um grau académico sobre aquela que foi, para muitos críticos musicais, a melhor banda de "rock" da história da Música: "The Beatles".

Na Universidade Esperança de Liverpool (ou na "Liverpool Hope University"), precisamente.

O conteúdo programático do curso propunha uma abordagem ao grupo ‘nascido’ na cidade: grupo este que esteve ‘activo’ durante toda a década de 1960. Uma abordagem ‘focada’ na sua influência na música popular e, enfim, na Cultura.




 

post scriptum: será já em Setembro deste ano que uma outra universidade da cidade – a Universidade de Liverpool – irá dar início a outro ciclo de estudos (também um mestrado) sobre o grupo.

20/05/2021

D. Maria II: exposição sem coroa

A Galeria do Rei D. Luís, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, inaugurará no próximo dia 26 de Maio a exposição "D. Maria II. De Princesa brasileira a Rainha de Portugal 1819-1853".

"Pouco importa", comentar-se-á.

E porquê?

Porque ainda que reúna peças oriundas de vários museus portugueses, do Governo Regional dos Açores, de autarquias e de colecções particulares, a exposição não ostentará a coroa que pertenceu à rainha D. Maria II já que esta foi recentemente transaccionada em leilão por cerca de um milhão e meio de euros.

Leilão em que, lembro, o Estado português esteve representado mas em que, li também, na ausência de capacidade financeira a não adquiriu.

Francamente lamentável.