19/07/2021

O Aljube

Já aqui escrevi sobre placas e tabuletas indicativas de locais, em Lisboa, que serviram como prisões e, simultaneamente, como espaços de interrogatórios e tortura de pessoas durante o regime imposto pelo chamado Estado Novo.

Não me é difícil, pois, ‘explorar’ um desses locais: o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade.

Ora, deverei, desde já, lembrar que o edifício que actualmente alberga este museu – o Aljube, precisamente – foi uma prisão no período da dominação romana, primeiro, e depois, durante a governação muçulmana.

Foi também uma prisão eclesiástica até 1833 (‘véspera’ da extinção das ordens religiosas em Portugal) e uma prisão destinada a mulheres a partir de 1845.

Já desde a instauração no país da Ditadura Militar (na década de 1920) o Aljube passou a ‘acolher’ presos por delitos (entendidos como tal, claro) de ‘natureza’ política e social tornando-se, assim, progressivamente – e até à sua desactivação em meados da década de 1960 – uma espécie de prisão exclusiva da polícia política de então, a P.I.D.E..

Foram, assim, milhares de pessoas as que, ao ‘longo’ de centenas de anos, passaram por um edifício onde, por um lado, puderam ter uma visão privilegiada para o rio Tejo – e, portanto, para a Liberdade – e, por outro, foram privadas da dignidade e da liberdade.

 

 


 

17/07/2021

A verdade, para Virginia Woolf

"Se não disseres a verdade acerca de ti mesmo, não conseguirás dizê-la sobre outros".

 

Virginia Woolf (1882-1941), escritora inglesa



16/07/2021

Os "emojis"

Já aqui escrevi sobre os antepassados dos "emojis".

Ora, é, no entanto, à "versão moderna" que ‘dedico’, agora, algumas palavras.

Estes símbolos – por exemplo, 😀 ou 😎 – foram criados na década de 1990 pela empresa nipónica NTT DoCoMo (perdoe-se-me a publicidade) e são como que uma extensão dos caracteres ortográficos actuais.

15/07/2021

Mais duas 'pérolas'...

Não foi há muito que aqui escrevi o seguinte: "Serei dos poucos, talvez, a acreditar na função pedagógica de alguns programas emitidos por estações de televisão em Portugal. Ora, os dois exemplos que juntarei abaixo reforçaram inexoravelmente esta minha convicção: que serei dos poucos, efectivamente...".



Ora, peço a quem quer faça o favor de ler estas linhas que julgue com uma adicional "dose" de compreensão os exemplos que abaixo juntarei novamente:



a) No programa "Visita Guiada" que o segundo canal da estação pública de televisão em Portugal emitiu no passado dia 21 de Junho apresentou-se uma imagem do rei D. Fernando I e as datas da sua existência terrena (1245-1383). Assim, o rei português teria vivido 138 anos…;

 

 


 



b) Ouvi recentemente num noticiário emitido por uma estação de rádio referir-se, por exemplo, ao estado alemão "Baviera" como estando implantado no Norte da Alemanha.



Creio, pois, ser justo afirmar que contraponho a estes disparates as verdadeiras datas de vida do rei D. Fernando I – 1345-1383 – e um mapa da Alemanha (espero que tal documento comprove a necessidade de o jornalismo não se limitar a ler o que lhe é servido mas, pelo contrário, questionar, investigar, questionar, investigar…).

 

Mapa da Alemanha: a "Bavaria" aqui mencionada em língua inglesa é a "Baviera".

 

14/07/2021

Botafogo

Uma das maiores e melhor organizadas claques do clube brasileiro Botafogo de Futebol e Regatas é a Fúria Jovem do Botafogo.


Que tem como lema "Por amor ao Botafogo".


Ora, o clube é originário do bairro (e da baía) de Botafogo (que se localiza na zona Sul da cidade do Rio de Janeiro) e apropriou-se do seu nome, homenageando-o.


Ou seja, não foi propriamente por amor ao navio "S. João" – ao qual também chamavam Botafogo – que havia sido construído em Portugal na primeira metade do século XVI.


13/07/2021

A Justiça e a Verdade

No filme "A Qualquer Custo" (ou, no título original, "A Civil Action") que Hollywood produziu há alguns anos (estreou em Portugal em 1999), uma das principais personagens – um advogado, interpretado por Robert Duvall – disse, por exemplo, o seguinte:


"Logo que entramos numa sala de audiências a verdade sai".

12/07/2021

A prosopografia

O dicionário que me acompanhou durante o percurso escolar – o "Dicionário da Língua Portuguesa", da Porto Editora, por mera curiosidade – nem sequer o elenca.

Já o mesmo não posso, no entanto, dizer da Infopedia e do Priberam, ambos na "Internet": "descrição de caracteres fisionómicos", "esboço de uma figura" e "descrição das feições do rosto".

‘Falo’ do termo "prosopografia".

Ora, esta palavra foi primeiramente utilizada no século XVI na "Prosopographia heroum atque illustriumvirorum totius Germaniae", obra escrita por Heinrich Pantaleon e publicada em Basileia, na Suíça, em 1565.

Significa, em História, a interpretação e a abordagem ao percurso (histórico, claro está) de um determinado indivíduo ou instituição colocando a ‘tónica’ na ‘componente’ social (muitas vezes ao contrário da biografia).