Já
aqui escrevi sobre placas e tabuletas indicativas de locais, em
Lisboa, que serviram como prisões e, simultaneamente, como espaços
de interrogatórios e tortura de pessoas durante o regime imposto
pelo chamado Estado Novo.
Não
me é difícil, pois, ‘explorar’ um desses locais: o Museu do
Aljube – Resistência e Liberdade.
Ora,
deverei, desde já, lembrar que o edifício que actualmente alberga
este museu – o Aljube,
precisamente – foi
uma prisão no período da dominação romana, primeiro, e depois,
durante a governação muçulmana.
Foi
também uma prisão eclesiástica até 1833 (‘véspera’ da
extinção das ordens religiosas em Portugal) e uma prisão destinada
a mulheres a partir de 1845.
Já
desde a instauração no país da Ditadura Militar (na década de
1920) o Aljube passou a ‘acolher’ presos por delitos (entendidos
como tal, claro) de ‘natureza’ política e social tornando-se,
assim, progressivamente – e até à sua desactivação em meados da
década de 1960 – uma espécie de prisão exclusiva da polícia
política de então, a P.I.D.E..
Foram,
assim, milhares de pessoas as que, ao ‘longo’ de centenas de
anos, passaram por um edifício onde, por um lado, puderam ter uma
visão privilegiada para o rio Tejo – e, portanto, para a Liberdade
– e, por outro, foram privadas da dignidade e da liberdade.