04/09/2021

O Crescente sem água

Foi há milhares de anos – cerca de doze mil – que na Terra começou uma nova fase climática.

Com esta iniciou-se uma espécie de definição daquelas que, até há não muito tempo, chamávamos de "actuais características climáticas".

Por exemplo, na região do Próximo Oriente surgiu então uma área que, muito depois, se convencionou apelidar de Crescente Fértil: abrangia a Palestina, a Síria, a Mesopotâmia (o Iraque dos ‘nossos’ dias) e uma parte, por assim dizer, do Irão.

Parece, no entanto, que mais de dois mil anos após o suposto nascimento de Jesus Cristo que esse Crescente já não é assim tão fértil.

Porque não tem água.

Uma grande quantidade de água disponível, melhor ‘dizendo’.

Sendo que cerca de noventa por cento da água do Iraque – por assim dizer – provém do exterior (por exemplo, os rios Eufrates e Tigre nascem no Sul da Turquia e um conjunto de cursos de água (rios) nascem no Irão), o país está muito condicionado pela construção de barragens fora das suas fronteiras políticas e administrativas.

Se a isto se acrescentar as alterações climáticas (menor quantidade de precipitação e, por exemplo também, a crescente evaporação em resultado do aumento da temperatura do ar) e a incapacidade política e de gestão de alguns agentes, perceber-se-á melhor, creio, o porquê de o Crescente já não ser (tão) fértil…




03/09/2021

A bandeira de Portugal

Aquela que é actual bandeira de Portugal – que, lembro, é um símbolo instituído pelo regime republicano em 1910 – é composta por duas cores – verde e vermelho (e, depois, a esfera armilar do tempo de D. Manuel I, castelos e quinas).

Ora, o verde seria a cor da esperança enquanto que o vermelho representaria o sangue e a exaltação (e devoção) exigida a todos...

 

02/09/2021

Dante, Reeves, Mozart e Hitler

Aproveito para recordar algumas palavras que o cientista canadiano Hubert Reeves escreveu no seu "Malicorne – Reflexões de um observador da natureza" (editado em língua portuguesa na década de 1990 pela editora Gradiva) e que talvez tenham sido inspiradas pela leitura de "A Divina Comédia": "No pequeno Homo Sapiens tudo é demasiado. Nele, intimamente misturados, estão o sublime e o horrível. Há nele, em potência, Wolfgang Amadeus Mozart e Adolf Hitler".

01/09/2021

"Dantedi"

Se ontem aqui escrevi sobre 10 de Janeiro (de 1991), hoje escrevo sobre 25 de Março.

De 2021.

Foi precisamente nesta data que primeiro se assinalou o "Dia de Dante".

Tal ‘dia’ – criado pelas autoridades políticas da península italiana – marcou apenas o ‘arranque’ de um conjunto de momentos que se pretendia que fossem homenagens ao autor de "A Divina Comédia", Dante Alighieri.

Ora, o "poeta supremo" de Itália (nasceu em Florença) é ainda lembrado quando se assinalam – em Setembro de 2021 –, sete séculos da sua morte porque a obra que escreveu e que se referiu já não ‘fala’ apenas no Inferno, no Purgatório e no Céu.

Aborda, na verdade, o Homem e a ‘profunda’ essência humana…

 

 

Excerto de pintura de Domenico di Michelino em que Dante aparece representado e que está presente na Catedral de Florença.

 

31/08/2021

O dia de Thatcher

Foi em 1991 que os habitantes das ilhas Malvinas (ou, em inglês, "Falkland Islands") festejaram, em 10 de Janeiro, pela primeira vez, o "Dia de Margaret Thatcher".

Tinha sido esta a ‘forma’ que as autoridades da colónia britânica haviam encontrado para homenagear o ‘papel’ da primeira-ministra inglesa aquando da invasão das ilhas sob o controlo britânico pelo exército argentino.

30/08/2021

No Panteão...

Não duvido que a mulher que nasceu nos Estados Unidos da América no início do século XX com o nome Freda McDonald (adoptou depois o nome Josephine Baker) se tenha tornado artista – cantora e dançarina – e tenha, já em França, integrado a "Resistência" durante a Segunda Guerra Mundial e lutado no movimento anti-racista.

O que sei que não irá acontecer é, como amplamente divulgado mediaticamente, ser esta a primeira mulher com a cor de pele negra a entrar no Panteão francês, um edifício construído no século XVIII: por ser um local onde só se permanece se se tiver morrido, depositar-se-ão, sim, os restos mortais da senhora Josephine Baker e não a sua pessoa...

 


 

29/08/2021

O livro que é apenas um pretexto

São vários os livros que gostaria de folhear e, claro, ler.

Existe um que duvido, no entanto, que pudesse encontrar na recém-inaugurada edição de 2021 da Feira do Livro de Lisboa pois, publicado recentemente em língua inglesa, nem sequer estará (ainda?), por exemplo, traduzido.

Escrevo sobre o livro "Tokyo Junkie: 60 Years of Bright Lights and Black Alleys...and Baseball" do norte-americano Robert Whiting.

(Muito) Mais do que ser uma espécie de álbum escrito sobre as aventuras que o autor viveu ao longo das quase seis décadas de permanência em Tóquio, a capital do Japão, este livro dará (espero) ao leitor a perspectiva de alguém que nasceu e viveu parte da sua vida no chamado Ocidente e a outra ‘parte’ no Oriente.

Acredito que, para quem – como eu – nunca esteve em Tóquio, ler este livro originará não apenas o esquecimento dos mais de dez mil quilómetros de distância entre Portugal e o Japão mas sobretudo o ‘reposicionamento’ mental do relacionamento histórico (e, claro, civilizacional) que outrora uniu os povos de ambos os países...