16/09/2021

Um Estado dentro do Estado

A sociedade portuguesa nunca experienciou, ao longo do seu percurso histórico, como outras sociedades, determinados fenómenos.

Pelo menos, de forma não tão acentuada, por assim dizer.

Como a chamada Peste Negra ou o feudalismo, por exemplo.

Saliente-se, de facto, o feudalismo em Portugal.

É possível ‘agrupar-se’, na verdade, as propriedades mais ou menos extensas (em termos da sua dimensão) que então existiam no país – os senhorios – em dois grupos consoante algumas das suas características: os laicos (também designados de honras e reguengos) e os eclesiásticos (também designados por coutos).

Ora, os seus proprietários – os senhores –, ao assumirem um controlo que, quase sempre, contrariava muitos dos desígnios impostos por instituições públicas (sobretudo os tribunais), entravam, não raras vezes, em conflito com a autoridade central personificada pelo rei.

15/09/2021

Artur Cruzeiro Seixas: "confesso que não vivi"

Não foi apenas Lisboa o "elo de ligação" entre Mário Cesariny e Artur Cruzeiro Seixas: a cidade em que ambos se libertaram da lei da morte (invocando Camões…).

E também não foi somente o facto de ambos terem integrado o movimento da pintura surrealista em Portugal.

Escrevo, na verdade, sobre o facto de Cesariny ter publicado, no ‘fim’ da década de 1960, um ensaio sobre a obra de Cruzeiro Seixas.

Aproveito, pois, para citar um pequeno trecho escrito pelo próprio Cruzeiro Seixas e que figurou na exposição que a Biblioteca Nacional de Portugal lhe dedicou já em 2021:



"Da minha vida nada vai ficar de definitivo, de concluído, de clarificado. Não tive público, nem amigos, nem amor, que verdadeiramente merecessem esse nome. NÃO VIVI, mas, curiosamente deixarei documentos desse não viver…".

 


 

14/09/2021

Livros, religião, cinzas e fertilizante

Foi recentemente divulgado que um estabelecimento escolar na região canadiana de Ontario realizou, em 2019, uma espécie de auto-de-fé literário ao queimar algumas dezenas de livros já que o conselho religioso que superintende a escola considerou que os mesmos tinham conteúdos desapropriados para serem ensinados.

Não sei, sinceramente, que "conteúdos desapropriados" seriam.

O que sei, sim, é que tal acção não foi, em ‘termos’ dos valores postulados pela Democracia, a mais esclarecida, por assim dizer.

Volto a recordar, com efeito, algumas das palavras proferidas pelo poeta alemão Heinrich Heine que viveu no século XIX: "A queima de livros antecede sempre a queima de pessoas"…




post scriptum: as cinzas resultantes dessa mesma queima de livros foram depositadas junto a uma árvore para servirem de adubo.

13/09/2021

Hirohito e a Segunda Guerra Mundial

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial que ‘circula’ no Japão a teoria de que o imperador do país nesse tempo bélico – Hirohito – só muito relutantemente aceitou a participação do país do sol nascente nesse conflito.

Ora, a família de um oficial da marinha de guerra do Japão (já desaparecido) que esteve durante esses anos ‘destacado’ ("oficial de ligação") junto de Hirohito – o almirante Saburo Hyukutake – disponibilizou recentemente a académicos diários e apontamentos feitos por este e aqueles permitiram concluir que esse espírito pacifista não existiu.

 


 

11/09/2021

Chile: golpe de Estado

"Declaração da junta militar de governo. Santiago, 11 de Setembro de 1973: as forças armadas e a polícia chilenas declaram que o Presidente da República deverá proceder à transferência imediata do seu cargo para as forças armadas e polícia chilenas".

10/09/2021

A Universidade de Lisboa

Foi, de resto, em 1290, através de bula outorgada pelo papa, que foi criado o Estudo Geral em Lisboa.

D. Dinis, o então monarca de Portugal, e várias personalidades ‘ligadas’ à Igreja e à Academia, solicitaram ao sumo sacerdote católico a criação de uma Universidade.

Primeiramente instalada em Lisboa, a Universidade teve, durante décadas, uma espécie de rotatividade espacial entre Lisboa e Coimbra.

Contundo, a partir de meados da década de setenta do século XIV, a Universidade fixou-se definitivamente em Lisboa.

09/09/2021

Os legistas

Foi já no século XIII que em algumas cidades da Europa 'nasceram' as universidades: em Bolonha, em Paris e em Lisboa, por exemplo. 

Legistas foram apenas alguns dos profissionais que formaram.

Não demorou muito até estes começarem a ter um 'papel' importante nas sociedades de então: os monarcas a eles começaram a recorrer para 'recrutar' os seus conselheiros e embaixadores.

Para além de que as grandes sociedades comerciais da época precisavam de quem as ajudasse a legalizar e a como que legitimar os seus negócios...