07/09/2022

Duzentos anos de liberdade

Assinalam-se hoje dois séculos da independência do Brasil face à potência colonizadora, Portugal. Ora, aproveito a ocasião para recordar uma frase que foi escrita pelo autor brasileiro José Lins do Rego (1901-1957): "Se chove, tenho saudades do sol; se faz calor, tenho saudades da chuva".

06/09/2022

Influências literárias

Dois dos livros já publicados pela escritora norte-americana Elif Batuman foram "The Idiot" e "Either/Or" (ou, em Língua Portuguesa, "O Idiota" e "Com/Ou", respectivamente). Ora, tais títulos são cópias exactas (adaptados, claro, dos títulos originais) dos títulos dos livros publicados pelo escritor russo Fyodor Dostoiévsky ("O Idiota" em 1869) e pelo filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard ("Com/Ou" em 1843). "Post scriptum": "Joseph Anton: A Memoir" (ou, na Língua Portuguesa, "Joseph Anton: Memórias") não foi apenas mais um título de um livro do escritor indo-britânico Salman Rushdie. Publicado em 2012 (há praticamente dez anos), tal livro deu conta das peripécias que o escritor viveu enquanto vítima de ameaças à sua integridade física. Vivendo sob a identidade de "Joseph Anton". Uma combinação de nomes dos seus autores favoritos: Joseph Conrad e Anton Tchékhov. Ameaças que, como se viu, não desapareceram...

05/09/2022

Os Estados Unidos da América e as guerras

Numa conferência que aconteceu há já algum tempo, Henry Kissinger – secretário de Estado dos Estados Unidos da América designado pelo presidente Richard Nixon (que ocupou o cargo entre 1969 e 1974) – declarou, por exemplo, o seguinte: "os Estados Unidos da América participaram, na primeira ‘metade’ do século XX, em duas guerras para impedirem o domínio do continente europeu por um potencial adversário […]. Já na segunda ‘metade’ do mesmo século XX (a partir, na verdade, de 1941), os Estados Unidos da América lutaram em três conflitos bélicos na Ásia na tentativa de aí impedir igualmente o domínio por outrem: contra o Japão e na Coreia e Vietname". "Post scriptum": durante a "Guerra do Vietname", precisamente, registou-se, lembro, o "massacre de My Lai" já que cerca de quinhentos habitantes da povoação "My Lai" foram, apesar de se encontrarem desarmados, mortos por soldados norte-americanos.

04/09/2022

Sou humano

Uma das frases que mais frequentemente me lembro de ir lendo (e ouvindo) desde há muitos anos é "quem sou eu?". Poderia, eventualmente, interrogar-me e dissertar sobre o facto de, sendo o pronome pessoal "eu" que designa a primeira pessoa da 'forma' singular do verbo "ser", porquê a menção "sou eu". Poderia, efectivamente, mas não o farei. Interessa-me, sim, invocar a dimensão filosófica de tal questão. Pensando, na verdade, no momento em que a Humanidade vive - um momento de (completa?) dependência da Tecnologia -, conjugo a frase "quem sou eu?" com outra com que me deparei há não muitos dias: "Confirme Humanidade: Antes de se inscrever você, precisamos confirmar que você é um ser humano". Eu sou (e serei sempre)...

03/09/2022

Uma pessoa, dois prémios Nobel

O físico norte-americano Linus Pauling foi, até ao momento, a única pessoa a ser galardoada com dois prémios Nobel – o da Química (em 1954) e o da Paz (em 1962) – a ‘título’ individual. Ou seja, foi apenas ele quem recebeu os ditos prémios naquelas ‘áreas’ nas datas referidas. Ao contrário de, por exemplo, Egas Moniz que, em 1949, foi distinguido com o Prémio Nobel da Medicina conjuntamente com o suíço Walter Hess.

02/09/2022

500 anos de Mosteiro

Ainda ontem aqui escrevi sobre um paço real. Ora, assinala-se em 2022 quinhentos anos da edificação de um outro símbolo arquitectónico do poder real em Portugal. Inicialmente designado "Mosteiro da Ordem de São Jerónimo", o Mosteiro dos Jerónimos apenas começou a ser construído, em Belém, no ‘início’ do século XVI depois da obtenção de autorização papal pelo rei D. Manuel I. "Autorização papal" pois o espaço a ser ocupado pela nova edificação implicaria o ‘derrube’ de uma ermida. É, aliás, esta a razão por que apenas em 1522 se tenha conseguido proceder ao ‘fecho’ da abóbada de cruzeiro.

01/09/2022

O Palácio Nacional da Ajuda: princípio e fim

O Palácio Nacional da Ajuda é o único palácio real que, em Lisboa, foi habitado em permanência pelo monarca e sua família. "Habitado em permanência" mas apenas no reinado do rei D. Luis: de 1861 a 1889. No entanto, apenas no ‘fim’ do século XVIII – em 1794 – é que se entendeu construir, para os reis de Portugal, um palácio na capital do reino. Ora, o local escolhido foi o exacto local onde havia sido construída a "real barraca" – um paço real totalmente edificado em madeira na sequência do terramoto de 1755. As obras tiveram início em 1795 mas só em 2021 se acabou de construir o Palácio Nacional da Ajuda. Eis o resultado:
Admito que muitos tivessem então apreciado o nascimento dessa nova 'ala' - e, simultaneamente, a conclusão - da obra. Mas não eu.