07/10/2022

A "Lei de Boyle", as guildas e a "Liga Hanseática"

Se nada sei sobre a chamada "Lei de Boyle" (alguém sintetizou entretanto que esta "lei" significava o seguinte: "Para uma dada massa de gás mantida a uma temperatura constante, a pressão e o volume são inversamente proporcionais"), o mesmo não se 'passa' com o que aconteceu, há alguns dias, com os gasodutos que, através do mar Báltico, transportam gás da Rússia para alguns países também europeus - a Alemanha, por exemplo (o "Nord Stream 1" e o "Nord Stream 2"): foram destruídos. Ora, embora pudesse esboçar a minha opinião sobre esse acto (e eventuais implicações de 'natureza' geopolítica), interessa-me, ao invés, escrever novamente (recordo o texto que aqui publiquei em 12 de Fevereiro de 2020) sobre o comércio existente nos mares Báltico e do Norte entre os séculos XIII e XVII. Durante estes séculos, cidades do Norte do continente europeu (da Alemanha, sobretudo) conseguiram constituir, primeiro, associações de mestéres (ou "ofícios") - uma espécie de sindicatos - e depois uma união delas próprias em torno do comércio - a "Liga Hanseática" - e, assim, dominá-lo em toda essa região.

06/10/2022

O "Dai-Nippon" e o "nós"

Escreveu Wenceslau de Moraes no seu "Dai-Nippon" acerca da postura dos japoneses na guerra contra a Rússia - no ‘início’ do século XX -, o seguinte: "na alma japonesa, os indivíduos não se contam; não são mais do que a pedra em pedaços e a argamassa aglutinante do feiticeiro edifício social que se chama o Dai-Nippon, o Grande Japão!".

05/10/2022

A Educação

Não é apenas a implantação do regime republicano em Portugal que hoje se assinala. Hoje é também o "Dia Mundial dos Professores". Parecer-me-ia, por isso, oportuno escrever sobre a Educação. Cito, no entanto, alguém. Assim: "Educação é aquilo que a maior parte das pessoas recebe, muitas transmitem e poucas possuem". Karl Kraus (1874-1936), escritor austríaco

04/10/2022

O "memento mori"

Talvez já aqui tenha escrito sobre o "memento mori". Não sei, francamente. Mas o que sei, sim, é que ainda ontem aqui escrevi no blogue sobre a "Pax Romana". Ora, mantenho-me, pois, nessa Roma das legiões e do império. Sempre que então se verificava a volta de consagração à cidade por parte de um general – ou, até, do próprio imperador – depois da vitória numa batalha, por exemplo, existia uma pessoa – geralmente, um sacerdote – que tinha como que uma dupla função: segurar na coroa de louro(s) oferecida ao homenageado durante esse périplo e dizer, constantemente, "lembra-te que vais morrer" – o "memento mori"… Ou seja, lembrar a efemeridade da glória (o que será a “glória”, já agora?) e da vida.

03/10/2022

O latim, a guerra e a paz

A mesma língua que concebeu a palavra "bellum" ("guerra", em língua portuguesa) também inventou a expressão "pax romana". Com efeito, foi esta a expressão utilizada pelo império de Roma para descrever o período de relativa pausa em acções militares entre, sensivelmente, vinte e sete anos anteriores à suposta data do nascimento de Jesus Cristo e os cento e oitenta anos depois deste acontecimento. Ou seja, cerca de duzentos anos de relativa paz num Império que durou cinco séculos...

02/10/2022

Bilinguismo

Foi na língua inglesa que Frans de Waal, primatologista (ou "primatólogo") com origem, simultaneamente, neerlandesa e norte-americana escreveu o seu mais recente livro, "Different: What Apes Can Teach Us About Gender". Ora, não sei, por exemplo, se foi igualmente na língua inglesa que o presidente dos Estados Unidos da América (entre 1837 e 1841) Martin Van Buren se expressou politicamente mas sei, sim, que "cresceu" com a língua dos Países Baixos...

01/10/2022

Victor Jara

Creio ser justíssimo que no "Dia Internacional da Música" que hoje se assinala escreva sobre ... Música, precisamente. Mas não só. Sobre um músico que pagou com a própria vida a insistência em ser coerente e defensor da Justiça. Ora, data de 1975 a constituição da banda portuguesa "Brigada Victor Jara". Banda com repertório firmado na chamada "música popular portuguesa". Mas quem foi Victor Jara? Victor Jara foi um músico chileno que viveu entre 1932 e 1973, data em que, na sequência da sua prisão e tortura às mãos de verdugos a soldo do regime de Augusto Pinochet, foi assassinado. Recordo que Pinochet foi a "cabeça" da junta militar que 'governou' o Chile entre 1974 e 1990.