09/10/2022

Que fim?

No programa televisivo "Prós e Contras" subordinado ao ‘tema’ "Os minutos que aí vêm" que foi emitido pelo canal 1 da RTP no passado dia 16 de Dezembro de 2019, D. Manuel Linda, bispo do Porto, disse, entre muitas outras ‘coisas’, claro, o seguinte: "Seria, de facto, dramático que nós [os seres humanos] tivéssemos sido criados para [nos] desfazermos em nada. Custa-me a acreditar". No entanto, o livro do Génesis – 3:19 – refere o seguinte: "Só à custa de muito suor conseguirás arranjar o necessário para comer, até que um dia te venhas a transformar de novo em terra, pois dela foste formado. Na verdade, tu és pó e em pó te hás-de transformar de novo".

08/10/2022

A localidade e o título

Quando estava, há dias, a ler um texto encontrei o nome de uma localidade situada no interior de um estado norte-americano ("New Jersey"): "Parsippany". Ora, se, evidentemente, tal nome é como qualquer outro, reconheço que quando com ele me deparei o primeiro pensamento que me assomou à mente se 'vestiu' com o título de um livro escrito pelo autor moçambicano Mia Couto: "A Varanda do Frangipani"...

07/10/2022

A "Lei de Boyle", as guildas e a "Liga Hanseática"

Se nada sei sobre a chamada "Lei de Boyle" (alguém sintetizou entretanto que esta "lei" significava o seguinte: "Para uma dada massa de gás mantida a uma temperatura constante, a pressão e o volume são inversamente proporcionais"), o mesmo não se 'passa' com o que aconteceu, há alguns dias, com os gasodutos que, através do mar Báltico, transportam gás da Rússia para alguns países também europeus - a Alemanha, por exemplo (o "Nord Stream 1" e o "Nord Stream 2"): foram destruídos. Ora, embora pudesse esboçar a minha opinião sobre esse acto (e eventuais implicações de 'natureza' geopolítica), interessa-me, ao invés, escrever novamente (recordo o texto que aqui publiquei em 12 de Fevereiro de 2020) sobre o comércio existente nos mares Báltico e do Norte entre os séculos XIII e XVII. Durante estes séculos, cidades do Norte do continente europeu (da Alemanha, sobretudo) conseguiram constituir, primeiro, associações de mestéres (ou "ofícios") - uma espécie de sindicatos - e depois uma união delas próprias em torno do comércio - a "Liga Hanseática" - e, assim, dominá-lo em toda essa região.

06/10/2022

O "Dai-Nippon" e o "nós"

Escreveu Wenceslau de Moraes no seu "Dai-Nippon" acerca da postura dos japoneses na guerra contra a Rússia - no ‘início’ do século XX -, o seguinte: "na alma japonesa, os indivíduos não se contam; não são mais do que a pedra em pedaços e a argamassa aglutinante do feiticeiro edifício social que se chama o Dai-Nippon, o Grande Japão!".

05/10/2022

A Educação

Não é apenas a implantação do regime republicano em Portugal que hoje se assinala. Hoje é também o "Dia Mundial dos Professores". Parecer-me-ia, por isso, oportuno escrever sobre a Educação. Cito, no entanto, alguém. Assim: "Educação é aquilo que a maior parte das pessoas recebe, muitas transmitem e poucas possuem". Karl Kraus (1874-1936), escritor austríaco

04/10/2022

O "memento mori"

Talvez já aqui tenha escrito sobre o "memento mori". Não sei, francamente. Mas o que sei, sim, é que ainda ontem aqui escrevi no blogue sobre a "Pax Romana". Ora, mantenho-me, pois, nessa Roma das legiões e do império. Sempre que então se verificava a volta de consagração à cidade por parte de um general – ou, até, do próprio imperador – depois da vitória numa batalha, por exemplo, existia uma pessoa – geralmente, um sacerdote – que tinha como que uma dupla função: segurar na coroa de louro(s) oferecida ao homenageado durante esse périplo e dizer, constantemente, "lembra-te que vais morrer" – o "memento mori"… Ou seja, lembrar a efemeridade da glória (o que será a “glória”, já agora?) e da vida.

03/10/2022

O latim, a guerra e a paz

A mesma língua que concebeu a palavra "bellum" ("guerra", em língua portuguesa) também inventou a expressão "pax romana". Com efeito, foi esta a expressão utilizada pelo império de Roma para descrever o período de relativa pausa em acções militares entre, sensivelmente, vinte e sete anos anteriores à suposta data do nascimento de Jesus Cristo e os cento e oitenta anos depois deste acontecimento. Ou seja, cerca de duzentos anos de relativa paz num Império que durou cinco séculos...