09/11/2022

A "Kristallnacht" e o futuro

Assinala-se hoje, 9 de Novembro, o "Dia Internacional Contra o Fascismo e o Anti-semitismo". Foi, efectivamente, em 9 de Novembro de 1938, que aconteceu, na Alemanha, a "Kristallnacht" (ou "A Noite dos Cristais"): acções de destruição - de pessoas ("judeus") e bens (casas, lojas e sinagogas) - por 'adeptos' da ideologia nacional-socialista ("nazi"). Ora, tal "evento" terá tido dois aspectos menos negativos: mostrar claramente quais as intenções do "nazismo" e alertar para o que se poderia suceder posteriormente na Alemanha (e não só). Tal acontecimento deve ser, ainda, lembrado devido ao facto de, em 2021, nos Estados Unidos da América, se terem verificado números "recorde" de ataques de carácter anti-semita. Por todo este contexto histórico, parece-me ser oportuno lembrar uma frase escrita (no livro "The Life of Reason") pelo filósofo norte-americano de origem espanhola George Santayana (1863-1952): "Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo"...

08/11/2022

A "Operação Cerberus"

Fevereiro de 1942. "Canal da Mancha" (fronteira marítima entre o Reino Unido e França). Foi precisamente nesta data (durante a Segunda Guerra Mundial) e neste 'ponto' geográfico que ocorreu a "Operação Cerberus": um "comboio" naval para escoltar o navio cruzador alemão "Prinz Eugen" e os navios de combate "Scharnhorst" e "Gneisenau" na sua travessia do "Canal da Mancha" até portos na Alemanha. "Post scriptum": recordo que o referido "Cerberus" era, na mitologia grega, quem vigiava e controlava o "Submundo".

07/11/2022

O "Calígula de Angola"

É em Coimbra que se pode encontrar o "Bairro Norton de Matos". Ora, mais do que alguém que viveu mais de oito décadas nas quais foi um militar e político oposicionista ao "Estado Novo" de Oliveira Salazar, Norton de Matos foi alguém que foi ministro de Afonso Costa (em 1917, na chamada "primeira República") e, depois, governador-geral de Angola (em 1925) em que se mostrou um fervoroso 'adepto' de uma estrita separação étnica entre o Branco colonizador e o Negro autóctone. Apesar de oposicionista ao regime político vigente em Portugal - foi, por exemplo, o primeiro candidato nomeado pela oposição democrática portuguesa a um acto eleitoral, as eleições presidenciais de 1949 -, a sua figura acabou por ser como que recuperada pelo "Estado Novo" para legitimar o movimento colonial.

06/11/2022

O "cadavre exquis"

Foi na década de 1920 que alguns artistas 'adeptos' das teorias defendidas pelo Surrealismo inventaram um jogo. Jogo que poderia associar-se ao Desenho mas não de uma 'forma' exclusiva já que poderia ser também adaptado ao discurso literário. Designou-se o "cadavre exquis" (ou "cadáver esquisito").

05/11/2022

O papel, a eminência e os cordéis

Estou absolutamente convencido de que o ex-director do jornal "Expresso" Henrique Monteiro não me iria 'condenar' por não ter lido o seu romance "Papel pardo" já que foi exactamente isso que, até agora, pelo menos, aconteceu. Mas, assim que encontrei esse título - "Papel pardo" -, lembrei-me imediatamente da expressão "eminência parda". "Eminência parda", descobri, significa "aquele que, oculta e secretamente, influencia quem detém poderes de mando, sem se dar a conhecer" ["Ciberdúvidas da Língua Portuguesa"]. Ou seja, aquela/aquele que "puxa os cordéis"... Como li também, "Supõe-se que o primeiro indivíduo conhecido por tal designação foi o frade capuchinho francês, Père Joseph, em vida secular, François Leclerc de Tremolay, que viveu entre 1577 e 1638 e foi o principal conselheiro do Cardeal Richelieu, sem nunca ter tido funções na corte" ["Dicionário das Origens das Frases Feitas"].

04/11/2022

Luz Soriano e o liberalismo

É em Lisboa que se pode encontrar a "Rua Luz Soriano". No "Bairro Alto", mais concretamente. Ora, Simão José da Luz Soriano (que viveu entre 1802 e 1891) foi o director do primeiro jornal que foi impresso no Arquipélago dos Açores - a "Chronica da Terceira". Primeiramente publicada em Abril de 1830, "Chronica da Terceira", 'nasceu' no contexto da luta (guerra civil?) entre as ideologias liberal e absolutista ("miguelista") e foi uma acérrima defensora da causa liberal.

03/11/2022

O flautista de Hamelin

Embora o jóquei (ou "jockey", se se preferir) francês Antoine Hamelin seja, actual e internacionalmente, um dos que mais vitórias conquista em corridas de cavalos, nada mais quero referir em relação à pessoa e ao desporto em que compete. O mesmo não acontecerá, no entanto, com o conto "O flautista de Hamelin". Efectivamente, foram os irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm) - sobre os quais já aqui escrevi - quem "popularizou" essa história tradicional alemã: terá sido no século XIII (em 1284) que a uma localidade da Alemanha - Hamelin, precisamente - chegou um indivíduo que prometia livrar a terra de uma praga de ratos. Para tanto, munir-se-ia tão-somente de uma flauta (e da melodia que dela emanaria) para como que enfeitiçar os ratos e levá-los para onde se entendesse. Contra uma recompensa. No entanto, depois de feito o seu trabalho, foi receber a quantia acordada mas depressa se apercebeu de que o (ou "os") seu ("seus") interlocutor(es) não estava(m) a cumprir. Decidiu, então, castigar a aldeia: faria exactamente o mesmo mas com as crianças. E fez. Quem 'perdeu' então?