07/01/2023

O navio e o filme

Li há dias sobre o "HMS Birkenhead". Este era um navio inglês que em 1852, ‘carregado’ de soldados, embateu num rochedo algures na costa do país que actualmente se denomina "África do Sul". Com efeito, após um choque com uma rocha, o afundamento pareceu-me o destino mais provável para o navio. E foi: quase meio milhar de soldados perderam a vida por afogamento, por esmagamento ou porque foram devorados por tubarões. Ora, não sei exactamente porquê mas após ler sobre este desfecho, lembrei-me imediatamente de uma cena do filme "JAWS" – ou "O Tubarão" (filme realizado pelo norte-americano Steven Spielberg e ‘lançado’ em 1975): a do ‘discurso’ da personagem "Quint" sobre o navio "U.S.S. Indianapolis"…

06/01/2023

A 'cadeia' de televisão e Gengis Khan

Não sei se o programa "Finding Your Roots" (emitido pela 'cadeia' televisiva norte-americana PBS e apresentado por Henry Louis Gates Jr.) "descende" de uma desinteressada e legítima curiosidade genealógica ou não. O que sei, sim, é que foi há exactamente duas décadas que foi publicado um estudo de "grande envergadura" com uma base genética. Ora, concluiu-se que, efectivamente, um em cada duzentos homens então vivos no mundo descendia directamente do guerreiro e líder mongol Gengis Khan: através de uma análise ao cromossoma Y - exclusivo do homem - de dois mil homens escolhidos aleatoriamente na região euro-asiática.

05/01/2023

Katzenstein: da Alemanha a Portugal

Quem se depare com o nome "Katzenstein" talvez pense de imediato ‘tratar-se’ do pintor alemão Louis Katzenstein (que viveu entre 1822 e 1907 e esteve em Portugal em 1854 para pintar o retrato de D. Fernando II, então o regente do reino português). Talvez, efectivamente. Ou não. Ora, actualmente, também um escritor, actor e realizador de cinema de nacionalidade portuguesa tem esse apelido: "Ferrão Katzenstein".

04/01/2023

O ministro e o chá

Foi ainda ontem que através da capa de um jornal soube da existência de um determinado ‘tipo’ de chá: no ‘caso’, o "Earl Grey". Ora, admito que o facto de nunca ter ouvido o ‘nome’ deste chá se deva unicamente a não ser um ‘usuário’ frequente de tal bebida. Mas quem é – ou "foi" – "Earl Grey"? "Earl" (ou "Conde", se se preferir a tradução portuguesa) Charles Grey foi um político britânico que nasceu no século XVIII (em 1764) e faleceu já no século XIX (em 1845) e ocupou o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido entre 1830 e 1834.

03/01/2023

O fio da opressão

Escrevi, há já alguns anos, um texto a que, salvo erro, dei o título "Um mundo de muros". Um mundo em que (quase) todos os países estavam a erguer muros - "fortalezas", se se preferir - para se 'proteger' da Imigração e da Migração, por exemplo. Numa palavra: das "pessoas". Ora, num momento da História da Humanidade em que a dirigente de uma instituição como o "Fundo Monetário Internacional" veio já considerar que uma parte das economias do mundo cairá na Recessão, não tenho quaisquer dúvidas de que o número de pessoas a tentar escapar da miséria e do desespero crescerá novamente. Pelo que me parece que escrever um pouco mais sobre esses "muros" é pertinente. Aproveito, assim, para lembrar que o "arame farpado" - um dos principais 'componentes' de tais "muros" - foi inventado nos Estados Unidos da América: foi, com efeito, no século XIX (em 1867) que surgiram as primeiras patentes. Talvez então se não pensasse que, para além da Pecuária, o "arame farpado" pudesse ter outras "utilizações". Talvez...

02/01/2023

O centro que há muito não o é

"Cartografia. Europa pode deixar de ser o centro do mapa-múndi". Eis o que há dias li na capa de um jornal publicado em Portugal. Ora, o título faz referência a uma hipótese: "pode deixar". Mas, na minha opinião, o contexto aludido – o cartográfico – é só mais uma dimensão da existência de um continente do planeta Terra. Assim, o facto de se equacionar que um determinado continente – o europeu, no ‘caso’ – poderá deixar de ser o "centro do mapa-múndi" não é motivo de qualquer admiração: sê-lo-ia, sim, se eu pensasse que um qualquer continente pudesse arrogar-se o direito eterno de figurar no "centro do mapa-múndi" fazendo "tábua rasa" de todos os demais continentes...

31/12/2022

Tudo

Dois dos livros que foram publicados durante o ano que agora finda têm os seguintes títulos: "O Princípio de Tudo" (na tradução portuguesa) e "Tout Rabelais" (como não ousei imiscuir-me no trabalho de outros, limitei-me a enunciar o título original). Ora, se no primeiro se poderá encontrar uma espécie de nova interpretação da História da Humanidade, no segundo encontrar-se-á, através de uma escrita romanceada, a vida humanista e livre do autor de "Gargantua et Pantagruel". Refiro-me, com efeito, a François Rabelais. Efectivamente, Rabelais – que nasceu em França em 1494 e aí morreu em 1553 – foi, como atrás lembrei, um humanista: tendo chegado a corresponder-se com Erasmo de Roterdão, exerceu medicina, foi padre, editou obras de cariz científico e escreveu poesia e ficção. Precisamente, através das palavras, criticou a sociedade do "seu tempo" – denunciando a hipocrisia que, tal como actualmente, grassava – o que explica que seja ainda ‘hoje’ considerado um "génio" que vale a pena revisitar. ---------------------- Benjamin Franklin (1706-1790) é actualmente considerado um dos "pais fundadores" – "Founding Fathers" – dos Estados Unidos da América. Aproveito, de facto, para, neste fim de ano, o citar. Afirmando, pois, a minha concordância com o seu pensamento: "Que estejas em conflito com os teus vícios mas em paz com os teus vizinhos. E que, assim, em todos os anos que se iniciam, tentes ser alguém melhor".