11/03/2023

O país que (quase) ninguém conhece

Foi já em 2019 que o guru indiano Nithyananda, acusado de violência de cariz sexual no seu país, a Índia, comprou uma ilha situada na costa do Equador. A designação que lhe atribuiu foi "Estados Unidos da Kailasa" - "Kailasa" é o nome da montanha himalaia que foi a "casa" da divindade hindu Shiva - e representantes seus participaram já em reuniões organizadas pela Organização das Nações Unidas (a ONU). Embora tal "país" não seja reconhecido por nenhuma entidade... Ora, a mesma ONU veio entretanto anunciar que, doravante, não permitirá que quaisquer representantes de "Kailasa" participem em reuniões por si organizadas.

10/03/2023

Juanita, a múmia

Agentes da polícia peruana descobriram recentemente na mochila de um estafeta ao serviço de uma plataforma digital uma ... múmia. Deambulando num sítio arqueológico visivelmente embriagado, o homem terá declarado aos referidos agentes que a múmia - com cerca de um metro e meio de altura e de alguém que viveu antes da colonização espanhola da América -, que já havia "pertencido" ao seu pai, seria "uma espécie de namorada espiritual". Enfim...

09/03/2023

Aristarco, Copérnico e o heliocentrismo

Apesar de ter abandonado a frequência do Ensino Secundário há já algumas décadas recordo-me ainda de, na disciplina de História no 8.° ano, me (e aos meus colegas, claro) ter sido feita referência ao matemático e astrónomo polaco "Nicolau Copérnico" (que viveu entre 1473 e 1543) e, evidentemente, à teoria que propôs para o 'funcionamento' do Universo: a "heliocêntrica". Ou também "o heliocentrismo". Ou seja, seria o Sol a orbitar ("girar") os planetas existentes - incluindo a Terra - e não aquele a andar à volta dos planetas - incluindo a Terra. Mas, a quem nunca foi feita sequer uma menção foi ao grego "Aristarco de Samos". Matemático e astrónomo como o polaco, Aristarco viveu e trabalhou cerca de três séculos antes da data atribuída ao nascimento de Jesus Cristo e foi o primeiro a ensaiar a "teoria heliocêntrica".

08/03/2023

Zero pela humilhação

Embora as actuais autoridades políticas japonesas e sul-coreanas tenham recentemente chegado a acordo relativamente à criação de um fundo destinado a atribuir indemnizações a sobreviventes da colonização pelo Japão da península coreana - que, lembro, ocorreu entre 1910 e 1945 -, nenhuma vítima sobrevivente dos então criados "campos de trabalhos forçados" irá aceitar qualquer montante.

07/03/2023

Os diários devolvidos de Darwin

Foi já em 2022 que à biblioteca da universidade de Cambridge, no Reino Unido, foram desenvolvidos dois diários que haviam sido escritos pelo naturalista inglês Charles Darwin (que viveu entre 1809 e 1882). Foram, com efeito, "devolvidos" pois tinham sido roubados - ou "furtados"... - há algumas décadas embora os funcionários da mesma tivessem pensado que os diários haviam sido consultados e posteriormente mal arrumados.

06/03/2023

Os sonetos e o casamento

Ainda ontem aqui abordei as "cartas portuguesas". Com efeito, quer tivessem sido escritas pela freira portuguesa Mariana Alcoforado, quer pelo escritor e diplomata francês Gabriel-Joseph de Lavergue, Visconde de Guilleragues, versavam a descrição de acções e sentimentos verificados em Portugal. Ao contrário, por exemplo, de "Sonetos dos Portugueses" que a poetisa inglesa Elizabeth Barnett Browning (que viveu entre 1806 e 1861) escreveu e que foi primeiramente publicado em 1850. Efectivamente, tal obra registou, 'apenas', a sua relutância face a contrair matrimónio...

05/03/2023

Cartas portuguesas ou francesas?

Embora não exista qualquer dúvida de que a obra "Novas cartas portuguesas" tenha sido escrita por Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta e originalmente publicada em 1972, a mesma conclusão não pode ser declarada em relação às primeiras "As cartas portuguesas" (por assim dizer): ainda que, por exemplo, a poetisa Ana Luísa Amaral tenha referido na "Breve Introdução" na edição de "Novas cartas portuguesas" que organizou que esta mesma obra reescrevia "pois, as conhecidas cartas seiscentistas da freira portuguesa" [Mariana Alcoforado, que viveu entre 1640 e 1723], muitos acreditam, porém, que tenham sido escritas pelo escritor e diplomata francês Gabriel-Joseph de Lavergue, Visconde de Guilleragues (que viveu entre 1628 e 1685)...