20/03/2019

A face muçulmana da antiga e da nova Rota da Seda

Ainda há poucos dias aqui escrevi sobre a sinicização (na China, pois) de todo o 'movimento' religioso presente no país.

E também me pronunciei sobre a tolerância religiosa exercida, por assim dizer, pela religião muçulmana.

Insisto no 'tema' da religião na China propondo-me dedicar uma atenção especial - ainda que brevíssima - à presença do culto muçulmano no Império do Meio.

Assim, a 'ligação' entre a China e a religião muçulmana é muito antiga.

Remonta à antiga Rota da Seda e a elementos culturais e religiosos (já que atravessava vários territórios e civilizações, se se quiser dizer assim) que a China incorporou também.

De facto, uma das várias etnias que compõem o 'mosaico' social, cultural e religioso da China nos dias de hoje - a Hui -, praticante da fé muçulmana, tem vindo a assistir ao longo das últimas décadas (e, particularmente, nos últimos anos) a intromissões de carácter político e burocrático, sobretudo, por parte das autoridades da China.

Ora, muitos dos membros desta etnia Hui pretendiam vir a tornar-se como que embaixadores e mediadores nos 'campos' político e cultural junto de vários países maioritariamente muçulmanos, por assim dizer (na Ásia Central e em África, por exemplo), 'atravessados' pelo extremamente ambicioso plano chinês "One Belt, One Road Initiative" (ou Projecto Uma Faixa, Um Caminho) - a nova Rota da Seda.

Mas, de facto, não sei se, entretanto, irá essa etnia conseguir cumprir esse tão ambicionado papel de "representante" da China dada a sua séria limitação de direitos.

E também não sei qual será a reacção desses referidos países muçulmanos ao projecto "Uma Faixa, Um Caminho" perante o que tem estado a ser feito aos seus "irmãos muçulmanos" chineses.

Isto para além da já tão propalada armadilha da dívida que tem levado vários países a "torcer o nariz" a tal projecto massivo de infra-estruturas e de comércio (e/ou político?) como aconteceu já com a Malásia, por exemplo...




Sem comentários: