28/09/2019

A Comunidade, a Sociedade e nós (3.ª parte)

(continuação)

Mais recentemente, o historiador francês Georges Duby afirmou, num artigo que foi publicado, em 1993, pelo jornal Expresso com o título "Voltar às verdadeiras questões", que "as sociedades medievais tinham uma característica (...) que era o sentimento de comunidade, de solidariedade". 

Observou que, de facto, essas sociedades da época medieval eram "verdadeiras comunidades, familiares, de aldeia, de vila, onde funcionava um sistema de entreajuda, de apoio, simultaneamente moral e material".

Por seu lado, o escritor e professor português Eduardo Prado Coelho – num excelente artigo de opinião publicado também no jornal Expresso mas em 1989) e a que deu o título de "O delírio nacionalista" –, referia-se e resumia, por assim dizer, toda esta problemática: "toda a questão está em determinar onde começa o círculo do nós: pode ser «nós, os Silvas» contra «eles, os Esteves», pode ser «nós, os do Lumiar» contra «eles, os dos outros bairros» (...) pode ser «nós, os portugueses» contra «eles, os espanhóis»".
Esta questão, quanto a mim, é e será importantíssima se se pensar, por exemplo, no ‘clima’ de ódio e de intolerância que continua a povoar muitas mentes por esse mundo fora…

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