Um
estudo publicado há alguns anos na revista "The
Lancet Child & Adolescent
Health" advogava que a "adolescência" deveria
estender-se até aos 24 anos de idade e já não até aos 18 ou 19,
por assim dizer.
Independentemente
das justificações de índole biológica ou, até, sociológica que
suportem esta mudança, aceito mas não concordo.
Acho
que é incontestável que o ciclo da vida humana é, actualmente,
muito diferente do que era há 200, 100, 50 ou mesmo 30 anos.
Convencionou-se,
por isso, o estabelecimento de algumas regras institucionais: é-se
‘jovem’ até aos 35 anos de idade, ‘adulto’ dos 35 aos 65
anos de idade e ‘idoso’ (ou ‘sénior’) com 65 e mais anos.
Ora,
se se é jovem até aos 35 anos não me surpreende nada que se possa
ser adolescente até aos 25 anos…
Mas
não estou de acordo com esta alteração porque me parece que ela
tem subjacente uma infantilização da personalidade de cada ‘jovem’.
Trata-se,
no fundo, da promoção de uma menorização de um segmento
importante de todas as sociedades do mundo e, em certa medida, da
retirada de responsabilidade perante essas mesmas sociedades.
Ao
contrário, deveriam poder ser responsabilizados pelas suas escolhas
e pelos seus erros enquanto seus membros de pleno direito.
Gostaria,
todavia, de perceber melhor as ‘reais dimensões’ (ou melhor, as
implicações) de tal mudança na interacção entre os referidos
jovens adolescentes e os Estados no que se refere, por exemplo, ao
sistema penal e judicial em questão.
É
certo que o envelhecimento de muitas sociedades humanas é um
fenómeno que veio para ficar mas não me parece que este adiamento
etário –
e emocional – seja
a medida certa para o combater.
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