Cito
algumas palavras que o sociólogo inglês Anthony Giddens escreveu em
meados da década de 1990 na sua obra "Beyhond
Left and Right. The Future of Radical Politics":
"Em cada circunstância social,
é limitado o número das maneiras de lidar com os casos de confronto
de valores. Uma dessas maneiras é através da segregação
geográfica… Outra, de tipo mais activo, é através do êxodo…
Uma terceira maneira de lidar com as diferenças entre indivíduos ou
culturas é através do diálogo. Neste caso, o confronto de valores
pode, em princípio, dar-se sob um signo positivo – ou seja, pode
ser um meio de incrementar a comunicação e a autocompreensão. Por
último, o confronto de valores pode ainda ser resolvido através do
recurso à força ou à violência… Na sociedade globalizante
[quereria dizer-se globalizada?] em que presentemente vivemos, duas
destas quatro opções afiguram-se drasticamente reduzidas".
Tenho,
desde logo, muitas dúvidas quanto a considerar que o planeta acolhe,
actualmente, uma só comunidade humana: apesar de eu não reprovar e,
pelo contrário, incentivar o que acho serem as virtudes da
globalização, continuo a achar que os vários ‘agrupamentos’
humanos da Terra são (ainda?) possuidores de características
culturais e outras que impedem que se ‘unam’ como uma só
sociedade no sentido em que o autor a entenderia.
Ou
seja, como escreveu o aqui já por mim citado escritor de origem
libanesa Amin Maalouf no seu "Um
mundo sem regras", são bastantes as "tribos
planetárias que formam a humanidade, hoje".
Não
consigo perceber, pois, quais as duas opções consideradas quase
inviáveis no que respeita à forma como o autor entendia como modos
possíveis de lidar com a diferença.
Seriam
a violência e a segregação?
Basta,
no entanto, que se recordem os acontecimentos passados na América, na
Europa, em África, na Oceânia e, mais recentemente, na Birmânia
(ou Myanmar, na Ásia), por exemplo, para perceber, creio, que tais
‘episódios’ estão sempre a acontecer...
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