26/12/2019

Os judeus e o Marquês de Pombal

O comendador Inácio Steinhardt lembrou já no seu livro "Raízes dos judeus em Portugal : entre godos e sarracenos" que quando "D. Afonso Henriques obteve o reconhecimento do seu reino independente, em 1143, já viviam judeus na Península há pelo menos um milénio".

Ora, o historiador e professor Charles Ralph Boxer, também no seu livro "O Império Marítimo Português 1415-1825" escreveu sobre a existência de "uma história muito conhecida segundo a qual D. José estava a considerar uma proposta da Inquisição no sentido de que todos os cristãos-novos [judeus convertidos ao cristianismo] do seu reino deveriam ser obrigados a usar chapéu branco como um sinal de que tinham sangue judeu. No dia seguinte, [o Marquês de] Pombal apareceu no gabinete real com três chapéus brancos, e explicou que tinha trazido um para o rei, outro para o inquisidor-mor e outro para si próprio".

De facto, segundo vários estudos genéticos que têm vindo a ser feitos, serão actualmente cerca de 20% (ou mesmo mais) dos portugueses aqueles que têm ascendência judaica.

Ou seja, atingindo uma percentagem talvez maior do que aquela existente, por assim dizer, em países como os Estados Unidos da América ou a Rússia, a muitos portugueses ‘dirá’ muito (desculpe-se-me a repetição) o lema de Israel – "ישראל" ("Israel", em português).


***


Quem quer que visite a igreja da Memória, em Lisboa, não deixará, decerto, de ficar impressionado com o facto de a urna que contém os restos mortais de Sebastião José de Carvalho e Melo – o Marquês de Pombal – ser tão pequena quando comparada com muitas daquelas que hoje conhecemos.

No fundo, como é que alguém que foi tão ‘grande’ em vida pôde, na morte, ‘habitar’ tão diminuta ‘caixa’?

Ora, talvez o(s) autor(es) daquilo que o Marquês de Pombal não teria deixado de considerar "uma tão grande afronta" tenha querido transmitir isso mesmo: na morte, todos somos iguais. Grandes e pequenos.






Sem comentários: