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04/03/2023
A história e "Bibius Caesar"
Deparo-me, por vezes - infelizmente - com a seguinte questão: "por quê estudar história?".
Ora, referi, há pouco, "infelizmente" pois tenho já bastante dificuldade para compreender que, na "Era da Informação", continue a existir esta - e outras... - questão ("ões").
Assim, mais uma vez, cá vai uma hipótese de resposta: estudar história é essencial para que conheçamos o nosso passado (enquanto espécie humana) e possamos, assim, fazer escolhas conscientes e, talvez, sabedoras, para o nosso presente e futuro.
Por exemplo, quem não estude história e tivesse visto um dos cartazes que foi empunhado numa manifestação que se realizou há algumas semanas em Israel a propósito de reformas no sistema judicial do país, não compreendeu nem a manipulação realizada ao rosto do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nem, claro, as palavras constantes nesse mesmo cartaz: "Bibius Caesar".
Ora, "Bibi" é uma espécie de alcunha do referido primeiro-ministro e "Caesar" porque o que é actualmente o território de Israel foi uma província do Império Romano - a "Judeia" - que era chefiado por um imperador - "César" (ou, em latim, "Caesar") - e o seu verdadeiro nome culminava, geralmente, com as letras "us".
Sendo o Império Romano considerado enquanto "opressor" (na "Judeia" e não só, claro), a referência "Bibius Caesar" queria transmitir a perspectiva de que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu - e as reformas empreendidas pelo executivo governativo por si chefiado na 'área' judicial (apenas?) - estavam a oprimir a sociedade israelita como outrora o haviam feito o imperador romano e seus emissários na "Judeia".
Etiquetas:
Bibi Caesar,
história
22/02/2023
A tolerância zero de Marrocos
As autoridades do Reino de Marrocos decidiram, há já alguns meses, mandar retirar dos currículos das escolas francesas no país manuais de História e Geografia.
A razão?
Segundo as referidas autoridades, esses mesmos manuais continham mapas do país, sim, mas como que 'amputado' pois existiria uma espécie de fronteira entre o país Marrocos e o território Sara Ocidental.
E para Marrocos - que controla o "Sara Ocidental" - existe apenas uma entidade política e geográfica e não duas...
25/10/2022
O "Rochedo"
Ocupando uma superfície de quase sete quilómetros quadrados, Gibraltar tem sido, historicamente, identificado como o "ponto geográfico localizado mais a Sul na Península Ibérica" (e, portanto, na "Europa Ocidental"): são, efectivamente, cerca de vinte e quatro os quilómetros que separam o território de Marrocos.
A soberania de Gibraltar não é, porém, pertença de Espanha mas sim do Reino Unido.
Foi, de facto, em Agosto de 1704 que a Grã-Bretanha tomou posse daquele que havia sido um dos "pilares de Hércules": a morte do rei espanhol Carlos II (que não 'deixou' descendência) encarniçou a disputa pela posse do "Império Espanhol".
E, claro, o envolvimento de apoios consoante os interesses momentâneos.
Tal deu origem a um conflito: a "Guerra da Sucessão de Espanha".
Ora, Espanha e a Grã-Bretanha ficaram em lados opostos da "barricada". E dada a superioridade militar (em 'termos' navais, por exemplo) dos britânicos, acabou por ser assinado um tratado o "Tratado de Utrecht" - após as hostilidades (que, lembro também, se 'estenderam' de 1701 a 1714) que veio, por exemplo, legitimar e confirmar a posse inglesa do "Rochedo" (designação de Gibraltar).
24/10/2022
Hegel e a História
Foram estas algumas das palavras que o filósofo alemão Georg Friedrich Hegel (que viveu entre 1770 e 1831) escreveu (na língua alemã, evidentemente): "O único ensinamento que obtemos com a História é o de que nada aprendemos com ela".
Estaria (ou "está") errado?
14/10/2022
Ariès e a Morte
Escreveu o historiador francês Philippe Ariès (que viveu entre 1914 e 1984) em "Sobre a História da Morte no Ocidente" (publicado pelas "Edições Teorema" em 1989) o seguinte: "Algures, na zona da morte nova e moderna, procura-se reduzir a um mínimo decente as operações inevitáveis destinadas a fazer desaparecer o corpo. Importa antes de mais que a sociedade, os amigos, a vizinhança, os colegas, as crianças se apercebam o menos possível da passagem da morte. Se algumas formalidades se mantêm e se uma cerimónia continua a assinalar a partida, devem ter um carácter discreto e evitar todo o pretexto para qualquer emoção: por isso as condolências à família são agora suprimidas no final dos serviços de enterramento. As manifestações aparentes de luto estão condenadas e em vias de extinção. Já não se enverga vestuário escuro, já não se adopta uma aparência diferente da de todos os dias. Um desgosto demasiado visível não inspira piedade mas repugnância; é um sintoma de desarranjo mental ou de má educação; é mórbido".
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