21/03/2019

O Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial

Assinala-se no dia de hoje, 21 de Março, o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial.

De facto, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas decidiu, deste modo, em 1966, marcar a data dos trágicos acontecimentos na cidade de Sharpville, na África do Sul, quando perante a reunião pacífica de alguns milhares de pessoas que se manifestavam contra o regime do apartheid, as forças policiais abriram fogo causando dezenas de vítimas mortais.

Ora, se se 'incluir' na referida Discriminação Racial a existência, também, de barreiras à plena afirmação social e económica do Outro, creio não ser totalmente despropositado lembrar que, de acordo com números oficiais desse país africano, cerca de 70 % de toda a terra agrícola aí existente é actualmente controlada por agricultores "brancos"...

20/03/2019

A face muçulmana da antiga e da nova Rota da Seda

Ainda há poucos dias aqui escrevi sobre a sinicização (na China, pois) de todo o 'movimento' religioso presente no país.

E também me pronunciei sobre a tolerância religiosa exercida, por assim dizer, pela religião muçulmana.

Insisto no 'tema' da religião na China propondo-me dedicar uma atenção especial - ainda que brevíssima - à presença do culto muçulmano no Império do Meio.

Assim, a 'ligação' entre a China e a religião muçulmana é muito antiga.

Remonta à antiga Rota da Seda e a elementos culturais e religiosos (já que atravessava vários territórios e civilizações, se se quiser dizer assim) que a China incorporou também.

De facto, uma das várias etnias que compõem o 'mosaico' social, cultural e religioso da China nos dias de hoje - a Hui -, praticante da fé muçulmana, tem vindo a assistir ao longo das últimas décadas (e, particularmente, nos últimos anos) a intromissões de carácter político e burocrático, sobretudo, por parte das autoridades da China.

Ora, muitos dos membros desta etnia Hui pretendiam vir a tornar-se como que embaixadores e mediadores nos 'campos' político e cultural junto de vários países maioritariamente muçulmanos, por assim dizer (na Ásia Central e em África, por exemplo), 'atravessados' pelo extremamente ambicioso plano chinês "One Belt, One Road Initiative" (ou Projecto Uma Faixa, Um Caminho) - a nova Rota da Seda.

Mas, de facto, não sei se, entretanto, irá essa etnia conseguir cumprir esse tão ambicionado papel de "representante" da China dada a sua séria limitação de direitos.

E também não sei qual será a reacção desses referidos países muçulmanos ao projecto "Uma Faixa, Um Caminho" perante o que tem estado a ser feito aos seus "irmãos muçulmanos" chineses.

Isto para além da já tão propalada armadilha da dívida que tem levado vários países a "torcer o nariz" a tal projecto massivo de infra-estruturas e de comércio (e/ou político?) como aconteceu já com a Malásia, por exemplo...




19/03/2019

Leonor de Portugal

Nasceu em Torres Vedras em 1434 aquela que, depois de casar com o imperador alemão Frederico III, se tornaria imperatriz do reino germânico: Leonor.


Filha do rei D. Duarte (décimo primeiro rei de Portugal e filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre) e de sua mulher, D. Leonor (filha, por sua vez, dos reis de Aragão, Espanha), casou no dia 15 de Março de 1452 com Frederico – cerimónia nupcial a que presidiu o papa Nicolau V – vindo a ser coroada imperatriz do território alemão no dia 19 seguinte.


Imperatriz com apenas dezasseis anos de idade, morreria com pouco mais de trinta, longe da terra onde havia nascido mas certamente com a consciência convencida de que havia contribuído para cumprir o lema do seu marido, "Austriae est imperare orbi universo" ("A Áustria está destinada a governar o mundo", em português).


Mas esquecida.


Tal como quinhentos e cinquenta anos depois.

18/03/2019

Catacumbas e tolerância

Um projecto de engenharia civil foi, há dias, apresentado como sendo o salvador das catacumbas da cidade egípcia de Alexandria pois permitirá manter as galerias funerárias ao abrigo da subida do nível das águas subterrâneas.


De facto, a instalação de um conjunto de bombas de drenagem mais não foi do que uma espécie de união entre a Engenharia Civil e a Arqueologia que permitirá eliminar definitivamente um problema que vinha ameaçando esse ‘testemunho vivo’ de uma parte da História do Egipto desde há mais de um século (data da sua ‘descoberta’ recente…).


Excelente colaboração!



                                                                           ***






Aproveito a oportunidade de estar a escrever sobre a cidade de Alexandria para recordar a conferência “Islam Today and Intercultural Dialogue” que decorreu nas instalações da Universidade Lusófona no passado mês de Outubro.

Ora, uma das palavras que mais ouvi pronunciar foi tolerância.

Ouvi-a das bocas de vários intervenientes (da do Dr. Mostafa el Feki, director da Nova Bibliotheca Alexandrina, no Egipto e da do Sheikh David Munir, imã da Mesquita Central de Lisboa, por exemplo).

Tolerância em relação àqueles que praticam a fé muçulmana, claro.

Ou seja, onde quer que os fiéis muçulmanos estejam em minoria, por assim dizer.

Mas o que se passa quando, ao invés, estão em “maioria”?

Não sei: se existem vários exemplos de convivência pacífica que poderia citar – como a testemunhada em várias regiões de Portugal há bastantes séculos e por inúmeras comunidades de judeus, de cristãos coptas e de drusos no ‘mundo’ islâmico –, posso também citar vários exemplos de sectarismo religioso nesse mesmo ‘mundo’ islâmico – como as acções do Estado Islâmico.

Opto, ainda assim, por uma ‘dimensão’ específica.

De acordo com o Committee to Protect Journalists – ou, em português, o Comité de Protecção aos Jornalistas – seis dos dez países que, em 2017, mais profissionais do jornalismo tinham presos eram muçulmanos (se se quiser simplificar assim): Turquia, Egipto, Azerbaijão, Síria (ou, melhor, o que restava do país…), Arábia Saudita e Bahrain.

Ou seja, tais dados sugerem que esta “abertura de espírito” – a tolerância – nem sempre é respeitada e ‘exercitada’ se em vez de apelarmos a outros para serem condescendentes, tivermos nós que ser os “sujeitos activos” sobre quem recaiem as responsabilidades de cumprir – e de fazer cumprir – a existência , neste caso em particular, da liberdade de expressão e de informação...

16/03/2019

Ainda a morte de Júlio César

Ainda ontem aqui escrevi sobre a morte do imperador romano Júlio César.


Foi, efectivamente, assassinado no dia 15 de Março do ano 44 antes da data tradicionalmente designada como indicando o nascimento de Jesus Cristo.


O ‘cenário’ foi o fórum de Roma – que era o espaço exterior em que, nas cidades romanas, se realizavam as reuniões públicas e as feiras e mercados.

15/03/2019

Sinicização e abertura

Muito poucas vezes (se alguma) o Catolicismo foi consensual entre as autoridades políticas (e religiosas) na China.

Se a verdade manda que se lembre que a religião cristã não teve neste país o mesmo 'acolhimento' que chegou a ter no Japão (onde, por exemplo, foram executados adeptos dessa confissão religiosa em 1597), também ordena que se não deixe esquecer que, recentemente, o próprio Partido Comunista Chinês tenha apelado a uma sinicização de toda a actividade religiosa no país - ou seja, o controlo das autoridades chinesas dos vários cultos religiosos aí existentes -, com o argumento de que estes mais não são do que meros veículos para a disseminação da "influência ocidental".

Que é, evidentemente, considerada como perigosa e nefasta.

Ora, numa época em que, como nunca antes, a China se procura 'abrir' ao exterior - e pretende que, ao mesmo tempo, este exterior se 'abra' à China -, não me parece que esse argumento - "influência ocidental" nefasta e perigosa - seja o mais sensato.




Post scriptum:  o imperador de Roma Caius Julius Caesar (ou simplesmente Júlio César) foi assassinado há exactamente dois mil e sessenta e três anos (em 15 de Março do ano 44 antes do nascimento de Jesus Cristo). Cito, ainda assim, um outro vulto romano, poeta - Virgílio -  a partir daquela que se tornaria, segundo as palavras do historiador francês Pierre Grimal, na "Bíblia da nova Roma" - a Eneida: "Outros modelarão, bem o creio, bronzes com vida e sem dureza; extrairão do mármore seres animados; defenderão melhor as causas; medirão com o compasso o curso dos céus e anunciarão o nascer dos astros. - Tu, Romano, sê atento a governar os povos com o teu poder - estas são as tuas artes -, a impor hábitos de paz, a poupar os vencidos e derrubar os orgulhosos.".

14/03/2019

A "Conspiração das Marnotas"

"Tentativa de sublevação absolutista, cuja designação provém de se terem concentrado em Marnotas, próximo de Loures, na noite de 13 para 14 de Maio de 1837, cerca de trezentos indivíduos nela implicados. Dali partiram com destino a Salvaterra; no dia 15 entraram em Samora Correia, onde aclamaram D. Miguel. A isto se reduziu a intentona, pois as forças liberais a sufocaram com rapidez. Presos e julgados os intervenientes no motim, foram eles amnistiados em Maio de 1840, não obstante dezasseis haverem sido condenados à morte no julgamento ocorrido em Março de 1839.".


Fonte: "Dicionário de História de Portugal" (direcção de Joel Serrão).