06/04/2019

O mesmo "statu quo" 75 anos depois

Numa altura em que a Organização do Atlântico Norte (a OTAN ou, na sigla inglesa, a NATO) está a 'celebrar' sete décadas do seu 'nascimento', creio ser importante, desde logo, recordar que um dos mais mortíferos conflitos que o mundo jamais conheceu acabou há quase 75 anos.

Mas também recordar que, se a II Guerra Mundial cessou em 1945, ainda hoje se fazem sentir alguns dos seus ‘efeitos’: por exemplo, o Exército dos Estados Unidos da América tem actualmente cerca de 880 bases militares em 183 países (o número de efectivos militares norte-americanos é de mais de 55 mil no Japão, de 35 mil na Alemanha, de 28,5 mil na Coreia do Sul, de 12 mil em Itália e de 9 mil no Reino Unido).

Ora, a crescente animosidade entre as populações de algumas regiões (a de Okinawa, no Japão, por exemplo) perante a presença do exército norte-americano não tem sido suficiente, ainda assim, para que este as ‘abandone’ pois estas garantem que a máquina militar americana esteja a apenas algumas horas de distância de qualquer conflito armado no mundo.

05/04/2019

"Marxismo cultural", ciberdemocracia e cibersegurança

Uma antiga ministra britânica pronunciou num discurso que há dias fez a expressão “marxismo cultural”.

A utilização desta expressão valeu-lhe já a acusação de ter feito alusão a uma teoria da conspiração e de, assim, se ter posto “ao lado” de propagandistas da extrema-direita e do anti-semitismo (um mal que assola a Europa há séculos).

Ora, eu, enquanto estudante, lembro-me bem de uma obra classificada ‘oficialmente’ como sendo de leitura fundamental no curso por mim frequentado – “Introdução à Antropologia Cultural”, do ucraniano Mischa Titiev – ser ‘menorizada’ (por colegas e, até, por professores…) precisamente por supostamente ser ideologicamente influenciada pelo filósofo judeu Karl Marx.


***



Aproveitando o facto de estar a escrever sobre extrema-direita e anti-semitismo, quero acrescentar o conteúdo de um “e-mail” que, há alguns meses, enviei para a comissão que organizou o VI Seminário Internacional: Ciberdemocracia e Cibersegurança (que se realizou no fim do passado mês de Janeiro na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa):



“Assisti ontem ao VI Seminário Internacional relativo às 'temáticas' da Ciberdemocracia e da Cibersegurança.


Pude, pois, testemunhar "in loco" o quão ricas e absolutamente preciosas foram quase todas as intervenções no que se refere às informações transmitidas.


Ora, disse "quase todas as intervenções" porque não gostei do 'discurso' de ***** ****.


Tratou-se, em minha opinião, de um 'discurso' rigorosamente parcial que teve como principal objectivo denegrir ainda mais a percepção que já é negativa relativamente a um grupo religioso (e étnico e político, no fundo) - o muçulmano - e a um outro grupo essencialmente político - o chamado extremista de direita.


Ou seja, instilar mais ódio e não ir ao fundo das questões, por assim dizer.


Sendo autor de um 'discurso' relativo à "************* ** *******" - e embora eu não estivesse à espera de outra coisa que não um judeu a atacar muçulmanos e membros da já referida extrema-direita...-, teria sido sinceramente imparcial se, isso sim, ***** **** tivesse 'olhado com olhos de ver' para actos fundamentalistas e extremistas cometidos por judeus em Israel e nos territórios por eles ocupados preocupando-se em tentar mostrar à sua audiência por que razão George Soros e muitíssimos outros etnicamente judeus são atacados esclarecendo, de resto, o porquê de existirem "teorias da conspiração" contra os judeus da Terra.


Eu não sou anti-semita mas tento ser sempre intelectualmente sério.


Não me parece, de todo, que ***** **** o tenha também tentado ser.


É, por isso, que a sua intervenção foi, para mim, o único ponto negativo, se quiser, deste Seminário Internacional.”.

04/04/2019

A O.T.A.N.

A partir do fim da II Guerra Mundial, Estados Unidos da América (E.U.A.) e União Soviética ‘olhavam-se’ com cada vez mais desconfiança.




O primeiro dizia-se "defensor do mundo livre" enquanto a segunda se considerava "cercada pelo imperialismo".




Ora, perante este ‘cenário’ ninguém estranharia que os E.U.A. formalizassem (e liderassem) uma aliança militar.




Esta, de facto, acabaria por consubstanciar-se no dia 4 de Abril de 1949 na Organização do Tratado do Atlântico Norte – O.T.A.N. (ou N.A.T.O., na língua inglesa).




Constituída’, inicialmente, por doze países europeus, pelo Canadá e, claro está, pelos E.U.A..




A União Soviética ‘responderia’, por seu lado’ com o Pacto de Varsóvia – aliança, igualmente militar, com os países do chamado bloco comunista.




No entanto, a União Soviética, o Pacto de Varsóvia e o bloco comunista já ‘acabaram’.




A O.T.A.N. (ou N.A.T.O.) não**.








** Integram actualmente a O.T.A.N. (ou N.A.T.O.) vinte e oito países. O dobro daqueles que, há sete décadas, a fundaram.


03/04/2019

Quem somos?

Se é certo que, desde há milénios, ao pedaço de terra a que se viria a chamar depois Península Ibérica, têm acorrido povos oriundos de várias latitudes tornando-a, pois, um ‘palco’ privilegiado, na Europa, na confluência de muitas culturas e civilizações, poderia um comum visitante da exposição que a Cordoaria Nacional, em Lisboa, exibiu até há algumas semanas – “Gigantes da Idade do Gelo e a Evolução Humana” – pensar que pouco (ou nada) teria a ver consigo directamente, por assim dizer.

No entanto, num trabalho publicado pela revista Current Biology em meados do passado mês de Março, investigadores revelaram que a ‘composição’ genética de agricultores e de caçadores-recolectores que habitaram o território da referida Península Ibérica havia sido, na verdade, muito mais diversa do que anteriormente se pensara: os descendentes de grupos de agricultores e de caçadores-recolectores que procuraram encontrar na Península Ibérica o refúgio climático que os rigores da Idade do Gelo impunham à Europa há mais de 15 mil anos eram o resultado resultado genético dessa união.

Também um trabalho que a revista Science publicou (“online”) igualmente em meados do passado mês de Março – “The genomic history of the Iberian Peninsula over the past 8000 years” – e que foi levado a efeito por mais de uma centena de geneticistas, antropólogos e arqueólogos revelou que uma migração ocorrida há cerca de 4500 anos (no início da Idade do Bronze) proveniente das estepes junto aos mares Negro e Cáspio (localizados no território em que actualmente se situa a Rússia) veio, por sua vez, alterar significativamente o ‘conteúdo’ genético que então ‘compunha’ o território ibérico.

Mas, de facto, o que estes estudos vieram, uma vez mais, confirmar é que o material genético de cada um de nós nada mais é do que o resultado de sucessivas vagas de migrações e de ‘misturas’.

02/04/2019

"O que é a Verdade?"

O Evangelho de João diz que Jesus Cristo e Pôncio Pilatos (então o governador de Roma na Judeia) encetaram uma espécie de duelo filosófico durante o julgamento de Jesus.

– "Dizes que eu sou um rei. Efectivamente, a razão por que nasci e vim ao mundo é testemunhar a Verdade. Todos quantos estejam do lado da Verdade me ouvem", afirmou Jesus.

– "O que é a Verdade?", perguntou Pilatos.

01/04/2019

Sísifo e o Forte da Graça

O antigo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, invocou, recentemente, a figura de Sísifo - personagem da mitologia grega condenada para todo o sempre a subir uma montanha empurrando uma enorme pedra sem nunca conseguir, no entanto, alcançar o seu topo.

Ora, um dos destinos de alguns condenados na instituição militar de outrora era exactamente subir a grande elevação em que se situava - e situa - o Forte da Graça, em Elvas, com um barril cheio de água mas vê-lo despejado uma vez chegados ao cimo.

Semelhanças?

30/03/2019

"Muita cobiça e pouca justiça"

"conquistar esta gente terra tão alongada da sua pátria, dá claramente a entender que deve haver entre eles muita cobiça e pouca justiça".


Fonte: "Peregrinação", capítulo 122.



A Peregrinação, notável trabalho de Fernão Mendes Pinto, foi primeiramente publicada em 1614.