03/04/2019

Quem somos?

Se é certo que, desde há milénios, ao pedaço de terra a que se viria a chamar depois Península Ibérica, têm acorrido povos oriundos de várias latitudes tornando-a, pois, um ‘palco’ privilegiado, na Europa, na confluência de muitas culturas e civilizações, poderia um comum visitante da exposição que a Cordoaria Nacional, em Lisboa, exibiu até há algumas semanas – “Gigantes da Idade do Gelo e a Evolução Humana” – pensar que pouco (ou nada) teria a ver consigo directamente, por assim dizer.

No entanto, num trabalho publicado pela revista Current Biology em meados do passado mês de Março, investigadores revelaram que a ‘composição’ genética de agricultores e de caçadores-recolectores que habitaram o território da referida Península Ibérica havia sido, na verdade, muito mais diversa do que anteriormente se pensara: os descendentes de grupos de agricultores e de caçadores-recolectores que procuraram encontrar na Península Ibérica o refúgio climático que os rigores da Idade do Gelo impunham à Europa há mais de 15 mil anos eram o resultado resultado genético dessa união.

Também um trabalho que a revista Science publicou (“online”) igualmente em meados do passado mês de Março – “The genomic history of the Iberian Peninsula over the past 8000 years” – e que foi levado a efeito por mais de uma centena de geneticistas, antropólogos e arqueólogos revelou que uma migração ocorrida há cerca de 4500 anos (no início da Idade do Bronze) proveniente das estepes junto aos mares Negro e Cáspio (localizados no território em que actualmente se situa a Rússia) veio, por sua vez, alterar significativamente o ‘conteúdo’ genético que então ‘compunha’ o território ibérico.

Mas, de facto, o que estes estudos vieram, uma vez mais, confirmar é que o material genético de cada um de nós nada mais é do que o resultado de sucessivas vagas de migrações e de ‘misturas’.

Sem comentários: