O filósofo norte-americano
William James afirmou, há muitos anos, que "quando duas pessoas
se encontram há, na verdade, seis pessoas presentes: cada pessoa
como se vê a si mesma, cada pessoa como a outra a vê e cada pessoa
como realmente é".
Ora, creio que estando ainda em fase de ponderação pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a inclusão, no próximo recenseamento populacional, de uma questão sobre a pertença étnica dos respondentes, penso que também a 'validade' científica das respostas obtidas deveria ser bastante ponderada e, enfim, relativizada, em virtude do facto de que elas dependerão sempre das características sociais, económicas e, sobretudo, psicológicas e culturais de quem as der.
Ou seja, de um ser humano.
Não sendo eu um especialista, resta-me colocar questões: se eu, português autóctone, me 'classificar' como branco - comparando-me com alguém com um fenótipo (a cor da pele) mais escuro do que o meu, por assim dizer -, continuará esta auto-classificação a ser cientificamente rigorosa se me comparar com alguém cujo 'tom' de pele é mais 'claro' do que o meu?
Ou existirão hipóteses de respostas do tipo "cor branca, grau 1", "cor branca, grau 2" ou "cor branca, grau 3", por exemplo?
E "cor negra, grau 1", "cor negra, grau 2" ou "cor negra, grau 3", também por exemplo?
E como responderia também alguém nascido na Ásia: "cor amarela, grau 1", "cor amarela, grau 2" ou "cor amarela, grau 3", ainda como exemplo?
Ou seja, não me parece que as limitações científicas fossem poucas...
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