26/04/2019
Antes e depois de Abril
Porque se passaram, ontem, 45 anos do dia 25 de Abril de 1974, opto por recordar um texto que escrevi o ano passado por esta mesma altura: "Assinalaram-se ontem 44 anos do golpe militar de 25 de Abril de 1974.
Embora democrata e resolutamente antifascista, não consigo partilhar do ‘entusiasmo’ daqueles que chamam ao acontecimento "Revolução dos Cravos" pelo simples facto de acreditar que um movimento verdadeiramente revolucionário não pode ser feito com ‘flores’.
Veja-se, por exemplo, o estado de coisas em que vive a Tunísia alguns anos após a "Revolução do Jasmim"…
Cito, por isso, duas pessoas temporalmente separadas por mais de trinta anos: o grande músico/cantor e resistente José Afonso ("Zeca Afonso") e o fiscalista e sócio da "Espanha e Associados" João Espanha.
"O 25 de Abril não foi feito para aquilo que estamos agora a viver. Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril imaginaram uma sociedade muito diferente da actual que está a ser oferecida aos jovens. Os jovens deparam-se hoje com problemas tão graves – ou talvez mais graves que aqueles que nós tivemos que enfrentar – o desemprego, por exemplo, e por vezes não têm recursos. O sistema ultrapassa-os. O sistema oprime-os criando-lhes uma aparência de liberdade. Eu creio que a única atitude foi aquela que nós tivemos – nós, refiro-me à minha geração: de recusa frontal, de recusa inteligente (se possível até pela insubordinação; se possível até pela subversão) ao modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido com belos discursos, com o fundamento da legalidade democrática, com o fundamento do respeito pelos direitos dos cidadãos. É, de facto, uma sociedade teleguiada de longe por qualquer FMI, por qualquer deus banqueiro que é imposta aos jovens de hoje".
"Zeca Afonso" em 1984, nas comemorações dos dez anos do "25 de Abril"
"Só uma pequena minoria endinheirada pode recorrer a um advogado mesmo que seja vítima de injustiça [do Fisco]".
João Espanha no "Jornal de Negócios" em 12 de Abril de 2018
Acrescento, todavia, uma frase escrita pelo filósofo italiano Nicolau Maquiavel que me parece exemplar para descrever o que, em minha opinião, se tem vindo a passar na História (de Portugal e não só): "Os povos que perdem a liberdade pela força, pela força haverão de reconquistá-la. Mas os que perdem a liberdade por descuido, estes demorarão muito a voltar a ser livres".
24/04/2019
"O Estado sou eu"
O até há poucos meses
embaixador francês nos Estados Unidos da América comparou a actual
administração governativa daquele país da América do Norte à do
rei Luís XIV, o Rei-Sol.
"Um
velho rei, um pouco sonhador, imprevisível, mal informado, mas que
quer ser o único a tomar as decisões", observou então.
Luís
XIV – que terá afirmado ser ele o Estado (neste caso o francês) –
tinha como lema "Nec Pluribus Impar" ("Não Desigual A Muitos
Sóis", em português).
Ora,
este lema era bem menos solidário e colectivo do que o lema dos "Três Mosqueteiros" (romance de Alexandre Dumas) – "Unus pro
omnibus, omnes pro uno" ("Um por todos, todos por um", em
português).
Já
Isabel de Bragança, filha única do rei D. Pedro II de Portugal e de
D. Maria Francisca de Sabóia, foi uma das pretendentes do filho do
Rei-Sol, Luís, Grande Delfim de França.
Recorde-se
que Luís XIV reinou durante 72 anos.
23/04/2019
O fim da O.T.A.N.?
Não é para mim segredo que as mais 'altas' instâncias políticas da França e da Alemanha - para muitos, o "eixo" que verdadeiramente dirige o destino da União Europeia - estão a discutir a formação de um exército europeu com o objectivo de prescindir da, de facto, força militar de ocupação que é a Organização do Tratado do Atlântico Norte ( a OTAN ou, em língua inglesa, NATO).
Ora, a questão que, quanto a mim, deveria começar por merecer uma tentativa de resposta por quem analisa a actual realidade geopolítica do mundo é esta: irá o país que mais tem vindo a financiar os orçamentos da organização criada em 1949 para conter a União Soviética (e o ideário comunista, pois) - os Estados Unidos da América - permitir que a Europa tenha o seu próprio Exército?
Ora, a questão que, quanto a mim, deveria começar por merecer uma tentativa de resposta por quem analisa a actual realidade geopolítica do mundo é esta: irá o país que mais tem vindo a financiar os orçamentos da organização criada em 1949 para conter a União Soviética (e o ideário comunista, pois) - os Estados Unidos da América - permitir que a Europa tenha o seu próprio Exército?
22/04/2019
A beleza desaparecida
O arquitecto italiano Leon Battista Alberti explicou no livro "Da Re Aedificatoria" (no século XV) a sua própria definição de Belo: "Todo e qualquer objecto ao qual nada possa ser acrescentado ou subtraído sem que a harmonia do todo se altere.".
Ora, de acordo com esta definição, alguns dos elementos arquitectónicos que existem (ou que desapareceram já...) no mundo elencados pela UNESCO perderam necessariamente a sua beleza.
Lembro, assim, alguns deles, o número de anos em que foram belos e as "causas directas" da sua destruição (parcial ou total):
a) o Museu Nacional do Brasil (na cidade do Rio de Janeiro), de 1817 até (Setembro) de 2018 (201 anos), incêndio;
b) a "Ponte Velha" - Stari Most - (na Bósnia-Herzegovina), de 1567 até 1993 (426 anos), conflito armado ('guerra');
c) os Mausoléus de Tombuctu (ou Timbuktu, no Mali) de 'algures' no século XIV até 2012 (cerca de sete séculos), conflito armado ('terrorismo');
d) a Mesquita de Al-Nuri (em Mossul, no Iraque), de 1172 até 2017 (845 anos), conflito armado ('terrorismo');
e) a Catedral de Notre-Dame (na cidade de Paris, em França), construída em 1163 até (Abril de) 2019 (856 anos), incêndio;
f) as Estátuas de Bamiyan (no Afeganistão), de (cerca de) 500 anos após a convencionada data do nascimento de Jesus Cristo até 2001 (cerca de 1500 anos), conflito armado ('terrorismo');
e
g) a cidade de Palmira (na Síria), de (cerca de) 200 da chamada era cristã até 2016 (cerca de 1800 anos), conflito armado ('terrorismo').
Ora, de acordo com esta definição, alguns dos elementos arquitectónicos que existem (ou que desapareceram já...) no mundo elencados pela UNESCO perderam necessariamente a sua beleza.
Lembro, assim, alguns deles, o número de anos em que foram belos e as "causas directas" da sua destruição (parcial ou total):
a) o Museu Nacional do Brasil (na cidade do Rio de Janeiro), de 1817 até (Setembro) de 2018 (201 anos), incêndio;
b) a "Ponte Velha" - Stari Most - (na Bósnia-Herzegovina), de 1567 até 1993 (426 anos), conflito armado ('guerra');
c) os Mausoléus de Tombuctu (ou Timbuktu, no Mali) de 'algures' no século XIV até 2012 (cerca de sete séculos), conflito armado ('terrorismo');
d) a Mesquita de Al-Nuri (em Mossul, no Iraque), de 1172 até 2017 (845 anos), conflito armado ('terrorismo');
e) a Catedral de Notre-Dame (na cidade de Paris, em França), construída em 1163 até (Abril de) 2019 (856 anos), incêndio;
f) as Estátuas de Bamiyan (no Afeganistão), de (cerca de) 500 anos após a convencionada data do nascimento de Jesus Cristo até 2001 (cerca de 1500 anos), conflito armado ('terrorismo');
e
g) a cidade de Palmira (na Síria), de (cerca de) 200 da chamada era cristã até 2016 (cerca de 1800 anos), conflito armado ('terrorismo').
20/04/2019
O elemento Rádio
Pierre e Marie Curie - a única pessoa a ser galardoada com dois Prémios Nobel (Química e Física) - 'isolaram' o elemento Rádio em 20 de Abril de 1902.
Ora, num momento em que se celebram os cento e cinquenta anos da tabela periódica, parece-me ser perfeitamente justo assinalar um facto acerca de um elemento fundamental na luta contra o cancro.
Ora, num momento em que se celebram os cento e cinquenta anos da tabela periódica, parece-me ser perfeitamente justo assinalar um facto acerca de um elemento fundamental na luta contra o cancro.
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| A tabela periódica (fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tabela_peri%C3%B3dica#/media/File:Periodic_table_pt.svg. Ao rádio foi atribuído o número atómico 88). |
18/04/2019
Portugal de outrora. E de agora também?
"Em qualquer aldeiazinha
achareis tal corrupção
qu'a mulher do escrivão
cuida que é uma rainha.
E também os lavradores
com suas más novidades
querem ter as vaidades
dos senhores.".
Fonte: Duarte da Gama no "Cancioneiro" de Garcia de Resende.
achareis tal corrupção
qu'a mulher do escrivão
cuida que é uma rainha.
E também os lavradores
com suas más novidades
querem ter as vaidades
dos senhores.".
Fonte: Duarte da Gama no "Cancioneiro" de Garcia de Resende.
17/04/2019
O "crescimento civilizacional" e a poluição
Segundo várias análises (algumas 'oriundas' da Academia), há já alguns anos que o dinamismo do crescimento económico e populacional do mundo deixou, após vários séculos, de estar centrado no Hemisfério Norte (na Europa e na América do Norte, bem entendido) tendo passado, por sua vez, a concentrar-se no Hemisfério Sul (na América, na Ásia e em África).
Mas a 'amplitude' desta mudança não se pode 'medir' apenas em tempo: pode - e deve - ser perspectivada à luz de várias dimensões sendo uma delas a da qualidade do meio ambiente disponibilizado às 'suas' populações.
Nessa qualidade - ou não, claro - 'incluo' a poluição.
Se, de facto, a poluição 'acompanhou' o "crescimento civilizacional" da Europa e da América do Norte, ela não pôde também deixar de 'acompanhar' o "crescimento civilizacional" do restante mundo, por assim dizer.
Aqui lembro, pois, as cidades do mundo que, em 2018, e tendo em consideração os níveis das mais pequenas partículas (e, por isso mesmo, mais perigosas para a saúde humana) que se misturam com o oxigénio que todos respiramos - conhecidas por PM-2.5 -, foram consideradas as mais poluídas:
1 - Nova Deli, na Índia;
2 - Daca, no Bangladesh;
3 - Cabul, no Afeganistão;
4 - Manama, no Bahrein;
5 - Ulaanbaatar, na Mongólia;
6 - Cidade do Kuwait, no Kuwait;
7 - Katmandu, no Nepal;
8 - Pequim, na China;
9 - Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos;
e
10 - Jacarta, na Indonésia.
Mas a 'amplitude' desta mudança não se pode 'medir' apenas em tempo: pode - e deve - ser perspectivada à luz de várias dimensões sendo uma delas a da qualidade do meio ambiente disponibilizado às 'suas' populações.
Nessa qualidade - ou não, claro - 'incluo' a poluição.
Se, de facto, a poluição 'acompanhou' o "crescimento civilizacional" da Europa e da América do Norte, ela não pôde também deixar de 'acompanhar' o "crescimento civilizacional" do restante mundo, por assim dizer.
Aqui lembro, pois, as cidades do mundo que, em 2018, e tendo em consideração os níveis das mais pequenas partículas (e, por isso mesmo, mais perigosas para a saúde humana) que se misturam com o oxigénio que todos respiramos - conhecidas por PM-2.5 -, foram consideradas as mais poluídas:
1 - Nova Deli, na Índia;
2 - Daca, no Bangladesh;
3 - Cabul, no Afeganistão;
4 - Manama, no Bahrein;
5 - Ulaanbaatar, na Mongólia;
6 - Cidade do Kuwait, no Kuwait;
7 - Katmandu, no Nepal;
8 - Pequim, na China;
9 - Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos;
e
10 - Jacarta, na Indonésia.
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