Poderia,
neste Dia Mundial dos Oceanos, citar o exemplo da Tanzânia que se
tornou no trigésimo quarto país africano (África, recordo, é a
‘casa’ de cinquenta e quatro países oficialmente reconhecidos) a
proibir a importação, a produção, a venda e o uso de sacos de
plástico ou o facto de terminar hoje em Lisboa uma conferência
subordinada ao ‘tema’ da Economia Azul que, lembro também,
contou com o apoio da Embaixada da Dinamarca acreditada em Portugal.
Mas
não.
O
lema da actual monarca da Dinamarca, Margarida II (em tradução na
língua portuguesa) é "Guds hjælp, Folkets kælighed, Danmarks
styrke" ("A ajuda de Deus, o amor do Povo, a força da
Dinamarca", em português).
Ora,
terá sido exactamente por ajuda divina que muitos povos da Europa
clamaram quando as hordas Vikings vindas da que é hoje a Dinamarca
atacaram, por via marítima, o continente europeu.
Recorde-se,
de facto, uma conferência que o Museu de Marinha organizou há pouco
menos de dois anos: foi, efectivamente, em 21 de Junho de 2017 que
este Museu acolheu a conferência "Rainhas, Pescas e Cruzadas.
Portugal e Dinamarca desde os Vikings até à Era dos
Descobrimentos".
A
realização desta conferência – a primeira que se debruçou sobre
as relações luso-dinamarquesas anteriores ao século XVI –
inseriu-se no âmbito de uma exposição temporária sobre o período
Viking em Portugal ("Vikings, os
Guerreiros do Mar") que, patente no referido espaço
museológico, havia sido inaugurada pelo actual presidente da
República Marcelo Rebelo de Sousa.
"Há
mais de mil anos, povos vindos do Norte chegaram às margens de uma
Europa que não estava preparada para os receber. A capacidade de se
deslocarem em rápidos e versáteis navios e a violência inesperada
dos seus ataques constituíam as principais características destes "guerreiros do mar"", explicou então o sítio na "Internet" do Museu de
Marinha.
Para
além disso, sublinhou também, a exposição contava com mais de
seiscentas peças originais emprestadas pelo Museu Nacional da
Dinamarca e que retratavam "a
vida e o quotidiano dos Vikings, os quais foram presença constante
em saques e pilhagens no litoral da Península Ibérica a partir do
século IX".