19/06/2019

Windsor e Londres

Se a distância geográfica entre Windsor e Londres não chega a cinquenta quilómetros, a distância histórica entre o Tratado de Windsor e o Tratado de Londres (o ‘primeiro’) é bem maior.

Desde logo porque o Tratado de Windsor foi assinado em 1386 e o de Londres em 1839. Mas também nos intervenientes: o primeiro selou a aliança diplomática entre Portugal e o reino de Sua Majestade (que ainda hoje está em vigor) enquanto que o de Londres (assinado em 1839) garantiu não somente o suposto reconhecimento internacional (já que apenas algumas ditas potências europeias o subscreveram…) da independência da recém-formada Bélgica – e também da do Luxemburgo – mas também a observância, por parte desta, de neutralidade em possíveis futuros conflitos bélicos.

18/06/2019

A Torre de S. Sebastião da Caparica

Nunca li o livro "Portugal em ruínas" de Gastão de Brito e Silva.

No entanto, a preservação do património português é uma ‘causa’ que sempre defendi, que defendo e que defenderei.

Ora, a Torre de S. Sebastião da Caparica (ou Torre Velha) – construída há mais de 530 anos (em 1481) no lugar de Porto Brandão, em Almada – foi uma das primeiras construções militares para defesa da barra do rio Tejo e encontra-se classificada como "monumento nacional".

No entanto, também se encontra, actualmente, em avançado estado de degradação física.

Será, talvez, apropriado colocar-se, uma vez mais, a seguinte questão: se, como "monumento nacional" se encontra nesse estado, como estaria se não estivesse assim classificada?


Post scriptum : a imperatriz indiana Mumtaz Mahal morreu no dia 17 de Junho de 1631 ao dar à luz. Desgostoso, o imperador Shah Jahan mandou construir o Taj Mahal em sua memória.

17/06/2019

Espaço e planos quinzenais

Assinalam-se em 2019 os cinquenta anos da chegada do Homem à Lua.

E assinalaram-se ontem também cinquenta e seis anos da viagem da primeira mulher ao Espaço: foi, de facto, em 16 de Junho de 1963 que Valentina Tereshkova se tornou na primeira astronauta comandando a nave espacial Vostok VI da então União Soviética.

Uma pioneira.


***


Não escondo que fiquei negativamente admirado quando ouvi, num documentário transmitido há dias num dos canais da televisão pública – paga por todos os consumidores de electricidade em Portugal (em que, feliz e infelizmente, me incluo) – a expressão "planos quinzenais" para se referir a uma ‘faceta’ da economia (e, enfim, da sociedade) da acima referida União Soviética.

Ora, recordo-me de nos meus tempos de estudante no então designado "ensino secundário" me terem explicado o que eram os planos quinquenais.

Assim, planos quinzenais são planos feitos para duas semanas (isto é, 15 dias) e planos quinquenais são planos feitos para cinco anos (isto é, cerca de 1825 dias).

Creio, pois, que teria sido perfeitamente compreensível se a/o tradutora(r) de tal documentário (e até mesmo quem fez a locução portuguesa) tivesse colocado a ela/ele própria/o uma simples questão: será possível que uma verdadeira potência (neste caso, a União Soviética) planificasse a sua economia de quinze em quinze dias?

Penso sinceramente que a resposta só poderia ter sido não.

E, se assim tivesse, de facto, sido, não acho que a posterior consulta de alguns manuais de História ou, até, uma simples pesquisa na "Internet" tivesse sido em vão.

Que pena que tal assim não se tenha passado.

15/06/2019

O gótico e o Mosteiro da Batalha

Associar o nascimento e o desenvolvimento da Arquitectura ao nascimento e ao desenvolvimento da Cidade não é, para mim, estranho.

Creio que foi, efectivamente, este quem ‘motivou’ a substituição, por exemplo, do estilo românico pelo gótico a partir do século XII.

A arte gótica surgiu inicialmente nas cidades do Norte de França: a primeira grande obra gótica, por assim dizer, terá sido a catedral de Saint Denis (em Paris) que foi construída em 1141.

Já em Portugal, a "arquitectura gótica" surgiu tardiamente. Se é um facto que o Mosteiro de Alcobaça é uma excepção uma vez que a sua construção se iniciou em 1178, os monumentos ‘mais’ representativos do estilo gótico em Portugal datam do século XIV.

Por exemplo, o Mosteiro da Batalha – ou de Santa Maria da Vitória – começou a ser construído em 1386:


"O mosteiro foi fundado por D. João I (r. 1385-1433), em 1386, em agradecimento à Virgem pela vitória na Batalha de Aljubarrota (1385). Atribuído à ordem Dominicana, assumiu-se como símbolo da independência portuguesa legitimando a dinastia de Avis, finda a crise de sucessão ao trono desencadeada pela morte do rei D. Fernando (1383) e pela possibilidade de integração de Portugal nos domínios de Castela. O projecto, de dimensão pouco habitual na arquitectura portuguesa medieval, é de Afonso Domingues (1386-1402). Após a sua morte, sucederam-lhe Huguet (1402-1438) e Martim Vasques (1438-1442)".

14/06/2019

Qual pureza?

Numa altura em que também no Reino Unido parecem estar a ganhar ‘terreno’ as forças políticas designadas por populistas (ou demagógicas) – também defensoras de uma suposta "pureza étnica" –, penso ser pertinente lembrar um pequeníssimo trecho de uma entrevista radiofónica feita ao historiador João Gouveia Monteiro há pouco mais de um ano:

"Eu, hoje, quando olho para um inglês (…) vejo o rosto de um saxão, com um cabelo de um dinamarquês. Se olhar para os pés se calhar vejo as sandálias de um romano. Não há nada em estado puro".

Penso até que tal observação, por assim dizer, não ‘serve’ só para o Reino Unido.

Creio que, de facto, uma vez que existe, apenas, uma raça que é a humana, tais palavras ‘assentam’ perfeitamente a todos quantos se consideram racialmente puros sejam ingleses, alemães, suecos, noruegueses, norte-americanos, coreanos, dinamarqueses, polacos, holandeses, portugueses, chineses ou quaisquer outros.

13/06/2019

O foral

Penafiel começou a celebrar oficialmente há pouquíssimos dias os 500 anos da posse de carta de foral.

Com a realização de uma conferência e a inauguração de uma exposição (que teve lugar no Museu Municipal com o 'título' "Portugal. História e Cultura"), recordo.

Se bem que, por exemplo, Abrantes, recebeu foral por parte de D. Afonso Henriques há mais tempo: 840 anos (em 1179, portanto)...

Ora, o foral atribuía aos aglomerados populacionais - e, por extensão, a quem o habitava - uma espécie de regulamentação dos seus direitos e deveres.

De facto, como explica a página na Internet da edilidade de Arruda dos Vinhos:

"Carta de Foral foi um documento real utilizado em Portugal, que visava estabelecer um Concelho e regular a sua administração, deveres e privilégios. A palavra "foral" deriva da palavra portuguesa "foro", que por sua vez provém da latina "forum".

Os Forais foram concedidos entre os séculos XII e XVI. Eram a base da fundação do município e, desse modo, o acontecimento mais importante da história da vila ou da cidade. Era determinante para assegurar as condições de fixação e prosperidade da comunidade, assim como o aumento da área cultivada, pela concessão de maiores liberdades e privilégios aos seus habitantes.

O Foral tornava um concelho livre do controlo feudal transferindo o poder para um concelho de vizinhos (concelho) com a sua própria autonomia municipal. Por conseguinte, a população ficava direta e exclusivamente sob o domínio e jurisdição da Coroa, excluindo o senhor feudal da hierarquia do poder.
O Foral garantia terras públicas para o uso da comunidade, regulava impostos, pedágios e multas e estabelecia direitos de proteção e deveres militares dentro do serviço real.

(...)

Os forais entraram em decadência no século XV, tendo sido exigida a sua reforma pelos procuradores dos concelhos, o que viria a acontecer no reinado de D. Manuel I de Portugal.

Foram extintos por Mouzinho da Silveira em 1832".

Assim, o facto de se poder hoje consultar um documento histórico como o foral é extraordinário porque, creio, nos ajuda a obter informações credíveis sobre o modo de vida das populações por ele abrangidas, por assim dizer: os seus mestéres, as actividades comerciais e industriais aí desenvolvidas, a sua indumentária e a sua alimentação, por exemplo.

12/06/2019

A Colónia do Sacramento

Segundo mencionou a página na "Internet" do Instituto Internacional da Língua Portuguesa no início de Junho de 2015, "o Uruguai reiterou seu interesse em ingressar como observador na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), dadas as influências desse idioma na história e identidade do país".

De facto, tendo como pano de fundo decisivo, por assim dizer, a colonização do Brasil – e, pois, a sua efectiva ocupação por actividades militares e económicas que a viessem a facilitar –, foi, em 1681, ‘efectuada’ a constituição da Colónia do Sacramento, no Sul da actual República Oriental do Uruguai, por D. Manuel Lobo (então o governador português da cidade do Rio de Janeiro).

É mesmo possível, ainda, encontrar na cidade um local de homenagem ao seu fundador: "Plaza Manuel Lobo".

No entanto, os colonos portugueses cedo dali foram expulsos e se percebeu que Espanha nunca iria aceitar o domínio da Coroa portuguesa numa terra que afirmava ser sua (segundo, claro, o Tratado de Tordesilhas).

Estavam, assim, lançadas as bases para que viesse a ser assinado um outro tratado.

E, na verdade, foi-o.

Em 1750.

O tratado de Madrid foi, claro está, rubricado em Madrid pelos reis D. João V (por Portugal) e D. Fernando VI (por Espanha) sendo que tal tratado geopolítico teve como principal propósito o fim das disputas territoriais entre os dois países da Península Ibérica.

Ora, o Uruguai acabou por obter, em 1814, a sua independência por parte de Espanha.

Muitos anos depois – e já oficialmente designado de República Oriental do Uruguai – este escolheu para seu lema a frase "Libertad o Muerte" ("Liberdade ou Morte", em português).

E foi precisamente em total liberdade que a cidade de Colónia do Sacramento assinou com a cidade portuguesa de Guimarães um acordo de geminação em 6 de Dezembro do ano 2000.