"Memórias póstumas de Brás Cubas" e "Dom Casmurro" foram
algumas das obras escritas por uma pessoa que nasceu no Rio de Janeiro (Brasil)
no dia 21 de Junho de 1839 e que se tornaria num dos ‘grandes’ escritores que
esse país – e o mundo, claro – já havia tido (e teria): Joaquim Maria Machado
de Assis.
21/06/2019
19/06/2019
Windsor e Londres
Se a
distância geográfica entre Windsor e Londres não chega a cinquenta
quilómetros, a distância histórica entre o Tratado de Windsor
e o Tratado de Londres (o ‘primeiro’) é bem maior.
Desde
logo porque o Tratado de Windsor foi assinado em 1386 e o de
Londres em 1839. Mas também nos intervenientes: o primeiro selou a
aliança diplomática entre Portugal e o reino de Sua Majestade (que
ainda hoje está em vigor) enquanto que o de Londres (assinado em
1839) garantiu não somente o suposto reconhecimento internacional
(já que apenas algumas ditas potências europeias o subscreveram…)
da independência da recém-formada Bélgica – e também da do
Luxemburgo – mas também a observância, por parte desta, de
neutralidade em possíveis futuros conflitos bélicos.
18/06/2019
A Torre de S. Sebastião da Caparica
Nunca
li o livro "Portugal em ruínas" de Gastão de Brito e Silva.
No
entanto, a preservação do património português é uma ‘causa’
que sempre defendi, que defendo e que defenderei.
Ora,
a Torre de S. Sebastião da Caparica (ou Torre Velha) –
construída há mais de 530 anos (em 1481) no lugar de Porto Brandão,
em Almada – foi uma das primeiras construções militares para
defesa da barra do rio Tejo e encontra-se classificada como "monumento nacional".
No
entanto, também se encontra, actualmente, em avançado estado de
degradação física.
Será,
talvez, apropriado colocar-se, uma vez mais, a seguinte questão: se, como "monumento nacional" se encontra nesse estado, como estaria se
não estivesse assim classificada?
Post scriptum : a imperatriz indiana Mumtaz Mahal morreu no dia 17 de Junho de 1631 ao dar à luz. Desgostoso, o imperador Shah Jahan mandou construir o Taj Mahal em sua memória.
Post scriptum : a imperatriz indiana Mumtaz Mahal morreu no dia 17 de Junho de 1631 ao dar à luz. Desgostoso, o imperador Shah Jahan mandou construir o Taj Mahal em sua memória.
17/06/2019
Espaço e planos quinzenais
Assinalam-se em 2019
os cinquenta anos da chegada do Homem à Lua.
E assinalaram-se
ontem também cinquenta e seis anos da viagem da primeira mulher ao
Espaço: foi, de facto, em 16 de Junho de 1963 que Valentina
Tereshkova se tornou na primeira astronauta comandando a nave
espacial Vostok VI da então União Soviética.
Uma pioneira.
***
Não
escondo que fiquei negativamente admirado quando ouvi, num
documentário transmitido há dias num dos canais da televisão
pública – paga por todos os consumidores de electricidade em
Portugal (em que, feliz e infelizmente, me incluo) – a expressão "planos quinzenais" para se referir a uma ‘faceta’ da
economia (e, enfim, da sociedade) da acima referida União
Soviética.
Ora,
recordo-me de nos meus tempos de estudante no então designado "ensino secundário" me terem explicado o que eram os planos
quinquenais.
Assim,
planos quinzenais são planos feitos para duas semanas (isto
é, 15 dias) e planos quinquenais são planos feitos para
cinco anos (isto é, cerca de 1825 dias).
Creio,
pois, que teria sido perfeitamente compreensível se a/o tradutora(r)
de tal documentário (e até mesmo quem fez a locução portuguesa)
tivesse colocado a ela/ele própria/o uma simples questão: será
possível que uma verdadeira potência (neste caso, a União
Soviética) planificasse a sua economia de quinze em quinze dias?
Penso
sinceramente que a resposta só poderia ter sido não.
E,
se assim tivesse, de facto, sido, não acho que a posterior consulta
de alguns manuais de História ou, até, uma simples pesquisa na
"Internet" tivesse sido em vão.
Que pena que tal assim não se tenha passado.
15/06/2019
O gótico e o Mosteiro da Batalha
Associar
o nascimento e o desenvolvimento da Arquitectura ao nascimento e ao
desenvolvimento da Cidade não é, para mim, estranho.
Creio
que foi, efectivamente, este quem ‘motivou’ a substituição, por
exemplo, do estilo românico pelo gótico a partir do século XII.
A
arte gótica surgiu inicialmente nas cidades do Norte de França: a
primeira grande obra gótica, por assim dizer, terá sido a catedral
de Saint Denis (em Paris) que foi construída em 1141.
Já
em Portugal, a "arquitectura gótica" surgiu tardiamente. Se é
um facto que o Mosteiro de Alcobaça é uma excepção uma vez que a
sua construção se iniciou em 1178, os monumentos ‘mais’
representativos do estilo gótico em Portugal datam do século XIV.
Por
exemplo, o Mosteiro da Batalha – ou de Santa Maria da Vitória –
começou a ser construído em 1386:
"O
mosteiro foi fundado por D. João I (r. 1385-1433), em 1386, em
agradecimento à Virgem pela vitória na Batalha de Aljubarrota
(1385). Atribuído à ordem Dominicana, assumiu-se como símbolo da
independência portuguesa legitimando a dinastia de Avis, finda a
crise de sucessão ao trono desencadeada pela morte do rei D.
Fernando (1383) e pela possibilidade de integração de Portugal nos
domínios de Castela. O projecto, de dimensão pouco habitual na
arquitectura portuguesa medieval, é de Afonso Domingues (1386-1402).
Após a sua morte, sucederam-lhe Huguet (1402-1438) e Martim Vasques
(1438-1442)".
14/06/2019
Qual pureza?
Numa
altura em que também no Reino Unido parecem estar a ganhar ‘terreno’
as forças políticas designadas por populistas (ou
demagógicas) – também defensoras de uma suposta "pureza
étnica" –, penso ser pertinente lembrar um pequeníssimo
trecho de uma entrevista radiofónica feita ao historiador João
Gouveia Monteiro há pouco mais de um ano:
"Eu,
hoje, quando olho para um inglês (…) vejo o rosto de um saxão,
com um cabelo de um dinamarquês. Se olhar para os pés se calhar
vejo as sandálias de um romano. Não há nada em estado puro".
Penso
até que tal observação, por assim dizer, não ‘serve’ só para
o Reino Unido.
Creio
que, de facto, uma vez que existe, apenas, uma raça que é a humana,
tais palavras ‘assentam’ perfeitamente a todos quantos se
consideram racialmente puros sejam ingleses, alemães, suecos,
noruegueses, norte-americanos, coreanos, dinamarqueses, polacos,
holandeses, portugueses, chineses ou quaisquer outros.
13/06/2019
O foral
Penafiel começou a celebrar oficialmente há pouquíssimos dias os 500 anos da posse de carta de foral.
Com a realização de uma conferência e a inauguração de uma exposição (que teve lugar no Museu Municipal com o 'título' "Portugal. História e Cultura"), recordo.
Se bem que, por exemplo, Abrantes, recebeu foral por parte de D. Afonso Henriques há mais tempo: 840 anos (em 1179, portanto)...
Ora, o foral atribuía aos aglomerados populacionais - e, por extensão, a quem o habitava - uma espécie de regulamentação dos seus direitos e deveres.
De facto, como explica a página na Internet da edilidade de Arruda dos Vinhos:
"Carta de Foral foi um documento real utilizado em Portugal, que visava estabelecer um Concelho e regular a sua administração, deveres e privilégios. A palavra "foral" deriva da palavra portuguesa "foro", que por sua vez provém da latina "forum".
Os Forais foram concedidos entre os séculos XII e XVI. Eram a base da fundação do município e, desse modo, o acontecimento mais importante da história da vila ou da cidade. Era determinante para assegurar as condições de fixação e prosperidade da comunidade, assim como o aumento da área cultivada, pela concessão de maiores liberdades e privilégios aos seus habitantes.
O Foral tornava um concelho livre do controlo feudal transferindo o poder para um concelho de vizinhos (concelho) com a sua própria autonomia municipal. Por conseguinte, a população ficava direta e exclusivamente sob o domínio e jurisdição da Coroa, excluindo o senhor feudal da hierarquia do poder.
O Foral garantia terras públicas para o uso da comunidade, regulava impostos, pedágios e multas e estabelecia direitos de proteção e deveres militares dentro do serviço real.
(...)
Os forais entraram em decadência no século XV, tendo sido exigida a sua reforma pelos procuradores dos concelhos, o que viria a acontecer no reinado de D. Manuel I de Portugal.
Foram extintos por Mouzinho da Silveira em 1832".
Assim, o facto de se poder hoje consultar um documento histórico como o foral é extraordinário porque, creio, nos ajuda a obter informações credíveis sobre o modo de vida das populações por ele abrangidas, por assim dizer: os seus mestéres, as actividades comerciais e industriais aí desenvolvidas, a sua indumentária e a sua alimentação, por exemplo.
Com a realização de uma conferência e a inauguração de uma exposição (que teve lugar no Museu Municipal com o 'título' "Portugal. História e Cultura"), recordo.
Se bem que, por exemplo, Abrantes, recebeu foral por parte de D. Afonso Henriques há mais tempo: 840 anos (em 1179, portanto)...
Ora, o foral atribuía aos aglomerados populacionais - e, por extensão, a quem o habitava - uma espécie de regulamentação dos seus direitos e deveres.
De facto, como explica a página na Internet da edilidade de Arruda dos Vinhos:
"Carta de Foral foi um documento real utilizado em Portugal, que visava estabelecer um Concelho e regular a sua administração, deveres e privilégios. A palavra "foral" deriva da palavra portuguesa "foro", que por sua vez provém da latina "forum".
Os Forais foram concedidos entre os séculos XII e XVI. Eram a base da fundação do município e, desse modo, o acontecimento mais importante da história da vila ou da cidade. Era determinante para assegurar as condições de fixação e prosperidade da comunidade, assim como o aumento da área cultivada, pela concessão de maiores liberdades e privilégios aos seus habitantes.
O Foral tornava um concelho livre do controlo feudal transferindo o poder para um concelho de vizinhos (concelho) com a sua própria autonomia municipal. Por conseguinte, a população ficava direta e exclusivamente sob o domínio e jurisdição da Coroa, excluindo o senhor feudal da hierarquia do poder.
O Foral garantia terras públicas para o uso da comunidade, regulava impostos, pedágios e multas e estabelecia direitos de proteção e deveres militares dentro do serviço real.
(...)
Os forais entraram em decadência no século XV, tendo sido exigida a sua reforma pelos procuradores dos concelhos, o que viria a acontecer no reinado de D. Manuel I de Portugal.
Foram extintos por Mouzinho da Silveira em 1832".
Assim, o facto de se poder hoje consultar um documento histórico como o foral é extraordinário porque, creio, nos ajuda a obter informações credíveis sobre o modo de vida das populações por ele abrangidas, por assim dizer: os seus mestéres, as actividades comerciais e industriais aí desenvolvidas, a sua indumentária e a sua alimentação, por exemplo.
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