25/06/2019

Biscoitos e Descobrimentos

Uma das actividades ‘industriais’ que foi extraordinariamente importante para a empresa dos chamados Descobrimentos iniciada e desenvolvida por Portugal no século XVI, sobretudo, foi o fabrico de biscoito.

Sim, biscoito.

Produto essencial para 'apetrechar' os "navios dos Descobrimentos", a produção de biscoito, pertença da Coroa, foi então muito desenvolvida a partir de Vale de Zebro (no Barreiro) e da própria cidade de Lisboa (nos "Fornos da Porta da Cruz").

24/06/2019

Santa Hildegarda, a "Sibila do Reno"

Assinalam-se em 2019 oitocentos e quarenta anos da morte de Hildegard von Bingen.

Parece-me, por isso, o momento adequado para relembrar o seu último trabalho: "Liber Divinorum Operum" ("O Livro dos Trabalhos Divinos", em português).

Manuscrito teológico - como não poderia, talvez, deixar de ser sendo Hildegard abadessa... -, contém a descrição de visões divinas que afirmava ter recebido.

Canonizada, Hildegard foi proclamada doutora da Igreja Católica em 2012.

22/06/2019

Arruda em Elvas e em Lisboa

Um dos vários locais/pontos de interesse da cidade de Elvas é a Igreja de Nossa Senhora da Assunção (que foi, nem mais, nem menos, a antiga Sé da cidade).

Que, recorde-se, está classificada como Monumento Nacional.

Eis o que refere a ‘placa’ respectiva que identifica este local de culto:


Construção essencialmente Manuelina traçada pelo Arquitecto Francisco de Arruda, cuja construção teve início em 1517, no mesmo local da antiga e ruinosa matriz de Stª. Maria dos Açougues, sendo aberta ao público em 1537. Em 1570, por bula do Papa Pio V, obteve a proeminência de Catedral. A Capela Mor é de 1749. De salientar a azulejaria dos Séc[s]. XVII e XVIII.


Ora, Francisco de Arruda foi o mesmo arquitecto que projectou a Torre de Belém, em Lisboa.

De facto, Lisboa adquiriu, nos séculos XV e XVI, o estatuto de importante plataforma giratória no aspecto comercial, na Europa e no mundo, fruto das viagens marítimas portuguesas e suas ‘consequências’.

Assim, para protecção e defesa da cidade, o monarca D. João II idealizou um plano estratégico que passava por dotar o rio Tejo de estruturas que pudessem permitir controlar o tráfego marítimo e, simultaneamente, detectar a entrada de navios inimigos provenientes do oceano.

Iniciada a sua construção em 1514, a Torre de Belém veio ‘responder’ a estes anseios de maior segurança.

No entanto, após a construção da Fortaleza de São Julião da Barra e do Forte do Bugio, a Torre de Belém começou a assistir à progressiva diminuição da sua função defensiva de Lisboa tendo chegado a servir, por exemplo, como prisão de Estado (e o consequente encarceramento de indivíduos opositores ao poder político vigente) e como ponto de apoio ao estabelecimento e posterior melhoria da rede de comunicações.

Símbolo de Lisboa – e de Portugal –, a Torre de Belém foi, em 1983, classificada como património da Humanidade pela UNESCO (juntamente com o Mosteiro dos Jerónimos).

21/06/2019

Machado de Assis

"Memórias póstumas de Brás Cubas" e "Dom Casmurro" foram algumas das obras escritas por uma pessoa que nasceu no Rio de Janeiro (Brasil) no dia 21 de Junho de 1839 e que se tornaria num dos ‘grandes’ escritores que esse país – e o mundo, claro – já havia tido (e teria): Joaquim Maria Machado de Assis.

19/06/2019

Windsor e Londres

Se a distância geográfica entre Windsor e Londres não chega a cinquenta quilómetros, a distância histórica entre o Tratado de Windsor e o Tratado de Londres (o ‘primeiro’) é bem maior.

Desde logo porque o Tratado de Windsor foi assinado em 1386 e o de Londres em 1839. Mas também nos intervenientes: o primeiro selou a aliança diplomática entre Portugal e o reino de Sua Majestade (que ainda hoje está em vigor) enquanto que o de Londres (assinado em 1839) garantiu não somente o suposto reconhecimento internacional (já que apenas algumas ditas potências europeias o subscreveram…) da independência da recém-formada Bélgica – e também da do Luxemburgo – mas também a observância, por parte desta, de neutralidade em possíveis futuros conflitos bélicos.

18/06/2019

A Torre de S. Sebastião da Caparica

Nunca li o livro "Portugal em ruínas" de Gastão de Brito e Silva.

No entanto, a preservação do património português é uma ‘causa’ que sempre defendi, que defendo e que defenderei.

Ora, a Torre de S. Sebastião da Caparica (ou Torre Velha) – construída há mais de 530 anos (em 1481) no lugar de Porto Brandão, em Almada – foi uma das primeiras construções militares para defesa da barra do rio Tejo e encontra-se classificada como "monumento nacional".

No entanto, também se encontra, actualmente, em avançado estado de degradação física.

Será, talvez, apropriado colocar-se, uma vez mais, a seguinte questão: se, como "monumento nacional" se encontra nesse estado, como estaria se não estivesse assim classificada?


Post scriptum : a imperatriz indiana Mumtaz Mahal morreu no dia 17 de Junho de 1631 ao dar à luz. Desgostoso, o imperador Shah Jahan mandou construir o Taj Mahal em sua memória.

17/06/2019

Espaço e planos quinzenais

Assinalam-se em 2019 os cinquenta anos da chegada do Homem à Lua.

E assinalaram-se ontem também cinquenta e seis anos da viagem da primeira mulher ao Espaço: foi, de facto, em 16 de Junho de 1963 que Valentina Tereshkova se tornou na primeira astronauta comandando a nave espacial Vostok VI da então União Soviética.

Uma pioneira.


***


Não escondo que fiquei negativamente admirado quando ouvi, num documentário transmitido há dias num dos canais da televisão pública – paga por todos os consumidores de electricidade em Portugal (em que, feliz e infelizmente, me incluo) – a expressão "planos quinzenais" para se referir a uma ‘faceta’ da economia (e, enfim, da sociedade) da acima referida União Soviética.

Ora, recordo-me de nos meus tempos de estudante no então designado "ensino secundário" me terem explicado o que eram os planos quinquenais.

Assim, planos quinzenais são planos feitos para duas semanas (isto é, 15 dias) e planos quinquenais são planos feitos para cinco anos (isto é, cerca de 1825 dias).

Creio, pois, que teria sido perfeitamente compreensível se a/o tradutora(r) de tal documentário (e até mesmo quem fez a locução portuguesa) tivesse colocado a ela/ele própria/o uma simples questão: será possível que uma verdadeira potência (neste caso, a União Soviética) planificasse a sua economia de quinze em quinze dias?

Penso sinceramente que a resposta só poderia ter sido não.

E, se assim tivesse, de facto, sido, não acho que a posterior consulta de alguns manuais de História ou, até, uma simples pesquisa na "Internet" tivesse sido em vão.

Que pena que tal assim não se tenha passado.