O lema "Sic Parvis Magna"
(ou, em português, "De Pequeno Se Fez Grande") foi atribuído ao
corsário Francis Drake pela própria rainha inglesa Isabel para
aludir ao seu humilde ‘começo’ de vida.
Assim,
o corsário ao serviço da Coroa inglesa e que se tornaria enquanto
tal no segundo homem, depois do português Fernão de Magalhães, a
fazer a circum-navegação do globo terrestre, e um dos principais
obreiros da derrota infligida à Invencível Armada espanhola,
obteve o reconhecimento maior.
Portando
o apelido do famoso navegador e corsário inglês Francis Drake,
assim se chamava a ilha britânica (localizada no Sudoeste de
Inglaterra) que então se encontrava para venda.
Ou,
como dizem por esses lados, "for
sale".
Assim,
desde que desembolsasse perto de sete milhões de euros, qualquer
pessoa poderia adquirir um pouco da história do país já que esta
ilha (com uma dimensão pouco maior do que dois hectares) havia sido
um importante bastião (fortificada no século XVII) na defesa da
costa britânica.
‘Converteu-se’,
mais tarde, numa prisão de Estado.
Ora,
admito a minha perplexidade ao ler aquela ‘notícia’.
Que
não era tributária, no entanto, do facto de ser uma novidade na Europa
(ou no mundo…).
Tal
deveu-se, na verdade, ao facto de que, em minha opinião
evidentemente, tal venda extravasava a simples venda de património
físico: era, sim, a venda de uma parte da História de um país. E
de pessoas.
Compreendo
que, numa época em que tudo parece ter um preço e, assim, se pode
vender e comprar (como escreveu o sociólogo norte-americano Immanuel
Wallerstein, "A razão de ser do
capitalismo é a eterna acumulação de capital"), a
alienação de património histórico e cultural mais não seja do
que uma venda de um bem como qualquer outro.
Percebo mas desprezo este tipo de atitude pelo que não abdico de pensar que
o mundo precisa urgentemente de verdadeiros líderes que, por serem
isto mesmo, respeitem a História como um dos ‘pilares’
identitários essenciais do ser humano.

