A França ocupou o Egipto entre 1789 e 1805.
Napoleão esperava, desse 'modo', pôr um ponto final ao comércio inglês com a Índia.
15/08/2019
A França, o Egipto, a Inglaterra e a Índia
14/08/2019
"O povo é sereno"
Foi
há já alguns anos que o
jornal digital
Nature
Human Behaviour
publicou um estudo levado a cabo por quatro investigadores em
economia comportamental.
Ora,
nas linhas introdutórias desse estudo – "Behavioural economics:
Preserving rank as a social norm" – escreveu-se o seguinte: "os
testes realizados permitem afirmar que as pessoas não gostam da
desigualdade de rendimentos. Será que, no entanto, estão dispostas
a alterar a hierarquia social estabelecida para eliminar essa mesma
desigualdade? Uma ampla experiência de cariz multicultural permite
mostrar que, desde jovens, a maior parte das pessoas recusa a
alteração da ‘configuração’ social como forma de remover as
diferenças entre ricos e pobres. Tal é, pois, uma norma social".
Ou
seja, as pessoas – quaisquer que sejam a sua idade e o seu país de
origem – recusam desencadear processos que possam levar a mudanças
na hierarquia social.
Não
estou,
por
isso,
a conseguir
deixar de me lembrar,
à medida que vou escrevendo
estas linhas, de uma frase proferida pelo almirante José Pinheiro de
Azevedo em Novembro de 1975 no Terreiro do Paço, em Lisboa: "o
povo é sereno".
13/08/2019
Emigração, imigração e 'integração'
Miriam
Halpern Pereira, investigadora, referiu na sua obra "A
política de emigração: 1850-1930"
– publicada
em 1981
–,
que o emigrante estava bem longe de imaginar que constituía um mero
"peão" na política dos países implicados no seu
destino.
Mas,
o que é um emigrante?
E
um imigrante?
Emigrar
é sair, temporária ou definitivamente, do país de onde se é
natural (e/ou nacional).
Imigrar
é, por outro lado, entrar e fixar-se, temporária ou
definitivamente, num outro país de que se não é natural (e/ou
nacional).
A
mesma diferenciação aplica-se, assim, aos respectivos ‘derivados’
como emigrante/imigrante ou emigração/imigração.
Tome-se
o exemplo de um cidadão português que vá para França: se, para as
autoridades portuguesas, ele é um "emigrante",
para as autoridades francesas ele é um "imigrante".
***
O
secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário,
sublinhou, em finais de Outubro de 2013, que a ‘nova’ geração
de emigrantes portugueses não participava na vida comunitária no
país de acolhimento o que poderia, alertou, criar problemas no caso
de existirem dificuldades na chamada integração social.
Desconheço
em que documento(s) se baseou para fazer tal observação: não sei,
desde logo, o que, cientificamente, significa "não
participar na vida comunitária no país de acolhimento".
Não
integrar ranchos folclóricos nem frequentar cafés ou outros
estabelecimentos comerciais de "origem" portuguesa, por exemplo?
Ou,
pelo contrário, não participar, em actividades desenvolvidas por
partidos políticos, organizações não-governamentais ou
associações desses mesmos países de acolhimento (ou seja, não
portugueses)?
12/08/2019
A comunidade internacional
Creio
que muitos
se
terão
já habituado
(tal como eu) a associar a expressão comunidade
internacional
à opinião pública (ou publicada?) de países europeus e da América
do Norte.
Ou
seja, a Europa e a América do Norte têm dito – e continuam a
dizer – ao resto do mundo o que é o Bem e o que é o Mal.
Até
quando o farão?
Ou
melhor: até quando deixarão que o façam?
10/08/2019
Ficção ou realidade?
O
embaixador Marcello Duarte Mathias referiu-se, numa entrevista que,
há já alguns anos, concedeu a
um jornalista do jornal Diário
de Notícias,
a um dos grandes romances de José Maria Eça de Queiroz: "Os
Maias".
Afirmou,
então, que bastava ler "Os Maias" para se perceber ‘o’
Portugal do século XIX podendo dispensar-se, assim, a consulta de
quadros estatísticos ou a leitura de obras escritas por economistas
ou por historiadores.
Mas
é, no entanto, outra obra sua – "As Farpas" –, escrita em
1871, que agora cito:
"Estamos
perdidos há muito tempo... O país perdeu a inteligência e a
consciência moral. Os costumes morais estão dissolvidos, as
consciências em debandada. Os carácteres corrompidos. A prática da
vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio
que não seja desmentido. Não há instituição que não seja
escarnecida. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se
progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na
miséria. Os serviços públicos abandonados a uma rotina dormente. O
Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado
como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as
consciências. Diz-que por toda parte que o País está perdido!".
***
Ora,
não quero deixar de citar igualmente o poeta Abílio de Guerra
Junqueiro.
Mais
especificamente, um excerto do poema "A Pátria" (escrito em
1896):
"Um
povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e
sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos
de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de
dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz
de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se
lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo,
enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite
da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma
nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma
burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não
descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem
carácter, havendo homens que, honrados na vida intima, descambam na
vida publica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga
e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao
roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a
indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente
inverosímeis no Limoeiro.
Um
poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de
quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela
abdicação unânime do país, e exercido ao acaso da herança, pelo
primeiro que sai dum ventre, como da roda duma lotaria.
A
justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de
fazer dela saca-rolhas; dois partidos sem ideias, sem planos, sem
convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico
e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um
ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amolgando
e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar".
09/08/2019
Regiões ultraperiféricas
O
arquipélago dos Açores, situado a cerca de 1600 quilómetros do
continente português, é uma das sete regiões ultraperiféricas da
União Europeia.
Ora,
uma das razões por que uma região é considerada ultraperiférica
tem a ver com a sua dependência económica de uma pequena quantidade
de produtos.
De
facto, Maria Gilda de Andrade Fernandes Dantas, no seu trabalho de
doutoramento "Rede Urbana e Desenvolvimento na Região Autónoma
da Madeira" (de 2012), referindo-se, também, aos arquipélagos
da Madeira e dos Açores, observou que, por exemplo, "o
turismo, para muitos destinos, é um dos poucos caminhos possíveis
para o desenvolvimento".
08/08/2019
Escolhas
A
capa do Jornal de
Notícias de um
dia de Setembro de
2017 destacou, também, o
caso de uma escolha académica.
"Melhor
aluno do Minho seguiu o coração e escolheu História",
registou.
Assim,
quando muitos esperavam que esse jovem escolhesse Medicina,
Engenharia ou, até, Direito, ele escolheu cursar História.
Creio,
por isso, ser uma excelente ocasião para recordar um excerto de um
texto – "O
fim das ciências sociais e das humanidades?"
– que escrevi há ainda
mais anos sobre este
género de opções académicas.
E
de vida...
"O
artigo Le Japon va fermer 26 facs de sciences humaines et sociales,
pas assez «utiles», publicado na edição online do jornal francês
Le Monde no passado dia 17 de Setembro de 2015, sublinhou que 26
universidades nipónicas tinham anunciado querer encerrar as suas
faculdades de ciências sociais e humanas ou, pelo menos, limitar e
reduzir a sua actividade.
Uma
decisão, observou, tomada após a recepção de uma missiva enviada
pelo ministro da educação do país dirigida, no início de Junho
deste ano, aos presidentes de 86 universidades de todo o país
pedindo-lhes que encerrassem ou modificassem «tais
departamentos no sentido de beneficiar disciplinas que servem melhor
as necessidades da sociedade»
japonesa.
Por
outro lado, o artigo Which country has most humanities graduates?,
publicado em 2 de Setembro de 2015 no sítio do Fórum Económico
Mundial, salientou que «um
pilar decisivo para o crescimento económico é a disponibilidade de
um diverso e altamente especializado “viveiro” de talentos»
já que o mesmo «permite
a um país poder maximizar o seu capital humano.».
Citando
dados compilados pelo próprio Fórum para o seu relatório de 2015
acerca do capital humano, frisou que o top 10 dos países com o maior
número de graduados em artes e em humanidades era encabeçado pelos
Estados Unidos da América com quase 400 mil licenciados anualmente
nestas duas áreas seguido, precisamente, pelo Japão com pouco mais
de 144 mil diplomados todos os anos.
Em
terras lusas, revelou o físico e político independente recentemente
eleito por um partido político nas eleições legislativas
portuguesas, Alexandre Quintanilha, num bloco noticioso emitido em 7
de Outubro de 2015 (Telejornal da cadeia televisiva RTP 1) que «há
uma depreciação da área das humanidades e das ciências sociais
que me desagrada».
Estaria
a referir-se, apenas, ao panorama académico e cultural português?
Não
sei.
Fruto
da minha formação académica em antropologia e da minha actividade
profissional de investigador, reflicto muitas vezes sobre a
existência das ciências sociais, das artes e das humanidades nos
sistemas educativo, social, económico e cultural da maior parte das
actuais sociedades do mundo.
E
se não existissem, de todo?
Então,
todos os assuntos e acontecimentos que preocupam – e que modelam –
os cidadãos contemporâneos (como o desemprego, as dependências
físicas e virtuais, a guerra, as migrações, as mudanças
climáticas, a criminalidade, por exemplo) teriam de ser observados,
analisados e comentados, maioritariamente, por actores ligados à
engenharia, à medicina, à matemática, à física, à química e às
finanças…
Enfim,
às ciências exactas e naturais.
Assim,
a “lupa” analítica reduzir-se-ia bastante.
Quem
perderia?
As
sociedades no seu todo porque ver-se-iam privadas de opiniões e de
pontos de vista diferentes e alternativos.
Ou
seja, todas são precisas: ciências sociais e humanas, artes,
ciências naturais e exactas uma vez que os ensinamentos que propõem
nos permitem olhar o mundo com outros olhos e pensar.
Mas
parece que alguns ainda não perceberam isto".
Ou, pelo contrário, perceberam isso, sim, mas não querem que se pense.
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