Um
dos mais conceituados centros de pesquisa norte-americanos, o Pew
Research Center,
divulgou, no início de Agosto de 2017, um estudo – "Globally,
People Point to ISIS and Climate Change as Leading Security Threats"
– que teve por base as respostas de 41 953 pessoas espalhadas por
38 países em todo o mundo (na América: Argentina, Brasil, Chile,
Estados Unidos da América, Colômbia, Canadá, Venezuela, México e
Peru; em África: Tunísia, Gana, Quénia, Tanzânia, África do Sul,
Senegal e Nigéria; na Europa: França, Alemanha, Grécia, Hungria,
Itália, Países Baixos, Polónia, Espanha, Suécia, Reino Unido,
Rússia e Turquia; na Ásia: Japão, Filipinas, Israel, Líbano,
Índia, Indonésia, Vietname, Coreia do Sul e Jordânia; na Oceânia:
Austrália).
Concluiu-se,
então, que "de
entre oito possíveis ameaças à segurança dos países em que
vivia, a maior parte dos habitantes do planeta ‘elegeu’ o Estado
Islâmico e as alterações climáticas".
Lembro-me de, de facto, ter concordado com a justeza desta ‘eleição’.
No
entanto, e embora não fosse um especialista em estudos de opinião
ou, se se quiser, em sondagens, consegui formular a minha própria opinião
acerca da metodologia utilizada por este estudo.
Assim, e segundo
as contas que então fiz, os trinta e oito países escolhidos contavam cerca
de 3 biliões, 828 milhões e 293 mil habitantes.
Ora,
as 41 953 pessoas seleccionadas pelos autores da pesquisa para
darem as suas respostas correspondiam, em termos percentuais, a
0.001% do ‘valor’ populacional que apurei.
Considerei,
por isso, que não era possível fazer-se qualquer juízo sério a
partir desta percentagem e, muito menos, extrapolar para uma parte da
humanidade a opinião de alguns milhares de pessoas (não que não
seja, evidentemente, passível de ser ‘escutada’) já que a
margem de erro era ínfima.