18/09/2019

Escolaridade em Portugal

"Sabia que as pessoas residentes em Portugal tinham, no ano 2000, uma escolaridade semelhante à dos residentes na Alemanha do ano de 1930 ou na Roménia de 1970"?



Fonte: Estudo "Benefícios do Ensino Superior" [Fundação Francisco Manuel dos Santos].

17/09/2019

A identidade, Ruth Benedict e Jorge Dias

"A identidade não é inata nem se manifesta de surpresa. Resulta, pelo contrário, de um lento e complexo processo de socialização".

Eis algumas palavras que foram escritas em 1994 numa dissertação de mestrado em Relações Interculturais.

Estou inteiramente de acordo.

Quero dizer, adquirimos algumas coisas a partir do momento do nosso nascimento, claro, mas tudo o resto terá que ser adquirido pela nossa vivência.

E é nesta fase que ‘entra em acção’ um dos aspectos que distingue os humanos dos outros animais: a linguagem.

Na verdade, como refere o "Léxico das Ciências Sociais" que a Porto Editora publicou em 2007, "por intermédio da linguagem, o indivíduo assimila e apropria-se de todo um sistema e de codificações que lhe permitem comunicar com os seus semelhantes, marcar a sua pertença a grupos ou rejeitar a sua pertença a outros".

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Assinalo agora os setenta e um anos da morte de uma das mais importantes figuras da Antropologia.

A da norte-americana Ruth Benedict.

Ora, assinalo a data do seu falecimento citando-a.

De facto, escreveu Benedict numa das obras que considero fundamentais na já referida ciência social – e, também, evidentemente, na esfera das relações humanas –, "Patterns of Culture" [ou, em língua portuguesa, "Padrões de Cultura"], primeiramente publicada em 1934 mas sucessivamente ‘republicada’, o seguinte:


"Nenhum Homem pode ser verdadeiramente participante de uma cultura se não foi educado e criado segundo as suas formas; mas pode reconhecer que as culturas diferentes são tão significativas e racionais para quem nelas comparticipa como a sua o é para si".





Post scriptum: aproveito o facto de estar a referir-me a uma antropóloga para citar outro antropólogo. Não de nacionalidade norte-americana mas sim portuguesa: Jorge Dias.
Em "Antropologia Cultural", publicado em meados da década de 1950, escreveu, também, o seguinte: "Padrão ou modelo de cultura é a feição típica que os elementos ou complexos tomam dentro de cada cultura. O padrão tem um certo caracter compulsivo que resulta da pressão que a sociedade exerce sobre os indivíduos, no sentido de obrigar a respeitar essa feição, característica de cada cultura. A compulsão não é de caracter moral, mas meramente de respeito pelo que o costume estatuiu, e verifica-se em todos os aspectos da cultura. As formas de certos objectos, certas maneiras de agir ao realizar um culto, o comportamento dos indivíduos em determinadas situações, obedecem sempre a modelos legados pelo passado".

16/09/2019

O Dia Internacional da Democracia

Aproveito para, no dia seguinte ao "Dia Internacional da Democracia", citar uma personalidade que, em grande parte da sua vida, defendeu valores contrários à liberdade, à igualdade e ao respeito pela diferença.
À Democracia e ao Estado de direito, portanto.

Valores que, apesar de todo o Mal que trouxeram à humanidade, muitos desejam, hoje, reavivar...


"O nosso parlamentarismo democrático actual não procura uma assembleia de gente sabedora, mas de recrutar uma multidão de zeros intelectuais tanto mais fáceis de manejar quanto maior é a limitação mental de cada um deles.

Só assim se pode fazer uma "política de partidos", único meio que permite aos que puxam os fios ficarem cautelosamente na sombra sem serem chamados à responsabilidade.

Desta maneira, nenhuma decisão, por mais nociva e nefasta que seja para o país, será contabilizada na conta de um patife de todos conhecido, irá pesar sobre as costas de todo um partido.

Na prática, desaparece toda a responsabilidade, pois esta só pode recair numa pessoa determinada, não num grupo parlamentar de mexeriqueiros.

Em consequência, o regime parlamentar só pode agradar aos espíritos dissimulados que receiam actuar à luz do dia. Será sempre detestado por todo o homem sério e recto que tenha noção das responsabilidades.

Eis a razão por que essa forma de democracia se converteu no instrumento daquela raça cujos fins ocultos, agora e sempre, têm todas as razões para recear a luz. Ninguém como o judeu aprecia semelhante instituição, suja e infame como ele próprio".

O autor?

Adolf Hitler (no seu "
Mein Kampf").

14/09/2019

O que é um país?

Quem, como eu, tenha visto o ‘desfile’ de atletas no dia inicial dos Jogos Olímpicos realizados na cidade brasileira do Rio de Janeiro há cerca de três anos e procedido à contagem do número de países representados ter-se-ia apercebido de 206.

Já a Fédération Internationale de Football Association – a FIFA – as "Nações Unidas do futebol" (como se define) conta, actualmente, como associações suas afiliadas 211.

Por outro lado, a Organização das Nações Unidas propriamente dita – a ONU – agrupa, hoje em dia, 193 países e 2 Estados observadores não-membros: o Vaticano (a Santa Sé) e a Palestina.

Ou seja, 206 (Comité Olímpico Internacional), 211 (FIFA) e 195 (ONU).

O que explica, então, a disparidade no número de países no mundo?

Critérios e definições diferentes do que se considera ser um país, pura e simplesmente.

13/09/2019

Lisboa e o baralho de cartas

Não tenho competência técnica para confirmar, ou não, o que uma oradora – funcionária da Câmara Municipal de Lisboa – afirmou, através de um "slide", no Simpósio STORM. Risco e Património em Portugal que, em 2018, decorreu no Museu Nacional dos Coches, em Lisboa.

"Lisboa não é indiferente. Investe, articula e integra projetos e estratégias que têm incrementado a resiliência da cidade".

O que sei, sim, é o que li já, por exemplo, numa notícia sobre o risco sísmico na capital.

De facto, o artigo "Risco sísmico em Lisboa: "É como estar em cima de um barril de pólvora"", que o jornal Público publicou na sua edição digital no início de Janeiro de 2017, sublinhou que "Naquela cidade italiana [Amatrice], abalada várias vezes entre Agosto e Dezembro do ano passado, "não vai ficar uma única construção de pé" e isso deve-se sobretudo a reabilitação urbana mal feita. "O que se faz é um peeling aos edifícios e o resultado é este", disse o docente universitário [Mário Lopes, professor do Instituto Superior Técnico], enquanto mostrava aos deputados fotografias de Amatrice destruída. "É uma reabilitação como a que nós fazemos aqui em Lisboa", atirou".

Recordo que existem cerca de 52.500 edifícios em Lisboa e que está cientificamente garantido, por assim dizer, que a capital portuguesa irá voltar a ser ‘alvo’ de um terramoto de magnitude semelhante à daquele que a atingiu no dia 1 de Novembro de 1755.

12/09/2019

A conspiração dos Távoras?

Afirmaram as autoridades judiciais portuguesas que na noite de 3 de Setembro de 1758 a carruagem que transportava o rei D. José sofreu um ataque armado.


Terá mesmo?


Real ou inventado, certo é que o regime (governado, de facto, por Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal) aproveitou para ‘afastar’ alguns membros da Nobreza que considerava ‘obstáculos’ e ‘’incómodos’.


Que ‘pertenciam’, por sinal, a uma só família: a Távora.


Ora, após terem quatro pessoas dessa mesma família sido consideradas culpadas, moral e materialmente, desse ataque, foram barbaramente executadas através do fogo, da decapitação, do despedeçamento e do estrangulamento em 12 de Janeiro de 1759 no actualmente designado "Beco do Chão Salgado", em Belém, Lisboa.

11/09/2019

Jovens, adultos e idosos

Um estudo publicado há alguns anos na revista "The Lancet Child & Adolescent Health" advogava que a "adolescência" deveria estender-se até aos 24 anos de idade e já não até aos 18 ou 19, por assim dizer.

Independentemente das justificações de índole biológica ou, até, sociológica que suportem esta mudança, aceito mas não concordo.

Acho que é incontestável que o ciclo da vida humana é, actualmente, muito diferente do que era há 200, 100, 50 ou mesmo 30 anos.

Convencionou-se, por isso, o estabelecimento de algumas regras institucionais: é-se ‘jovem’ até aos 35 anos de idade, ‘adulto’ dos 35 aos 65 anos de idade e ‘idoso’ (ou ‘sénior’) com 65 e mais anos.

Ora, se se é jovem até aos 35 anos não me surpreende nada que se possa ser adolescente até aos 25 anos…

Mas não estou de acordo com esta alteração porque me parece que ela tem subjacente uma infantilização da personalidade de cada ‘jovem’.

Trata-se, no fundo, da promoção de uma menorização de um segmento importante de todas as sociedades do mundo e, em certa medida, da retirada de responsabilidade perante essas mesmas sociedades.

Ao contrário, deveriam poder ser responsabilizados pelas suas escolhas e pelos seus erros enquanto seus membros de pleno direito.

Gostaria, todavia, de perceber melhor as ‘reais dimensões’ (ou melhor, as implicações) de tal mudança na interacção entre os referidos jovens adolescentes e os Estados no que se refere, por exemplo, ao sistema penal e judicial em questão.

É certo que o envelhecimento de muitas sociedades humanas é um fenómeno que veio para ficar mas não me parece que este adiamento etário – e emocional – seja a medida certa para o combater.