10/10/2019

Os limites do Estado Novo

Já escrevi aqui no blogue sobre o Forte da Graça, em Elvas.

Pretendo, ainda assim, reproduzir duas frases que aí foram inscritas em 1959 (durante a vigência do chamado Estado Novo).

Ora, creio que, depois de as ler, se poderá, talvez, concluir que, também nesses tempos, não havia limites para a hipocrisia.



O TRABALHO É UM INESGOTÁVEL TESOURO.
A INACÇÃO É A FERRUGEM DA CORAGEM.

1959


O TRABALHO DIGNIFICA O HOMEM, MAS MAIS O DIGNIFICARÁ SE FOR UM TRABALHO HONESTO E CONSCIENCIOSO.

1959

09/10/2019

A privacidade pública

Cerca de 640 milhões de fotografias são, todos os dias, registadas na Europa com recurso a "smartphones".

É, talvez, verdade que muitos desses gestos são feitos com o simples objectivo de acrescentar quantidade a álbuns pessoais.

Mas não só.

De facto, aproximadamente 100 milhões de fotografias (e vídeos) são, todos os dias, colocados na rede "Instagram" e 300 milhões de fotografias (e vídeos, claro) são, a cada dia que passa, ‘postados’ no "Facebook".

Ou seja, de pouco serve batalhar contra estas empresas em defesa da privacidade, por exemplo, quando se está perante tais números.

08/10/2019

A 'face' rural da cidade de Lisboa

Um dos oradores no simpósio a que aludi no texto que aqui publiquei há pouco menos de um mês ("Lisboa e o baralho de cartas") comentou – ao mesmo tempo que também ele mostrava um "slide" – que ainda se poderiam observar na Lisboa urbana do século XXI alguns ‘traços’ da ruralidade: um individuo ‘orientando’ um pequeno rebanho junto à biblioteca municipal de Marvila, por exemplo.

Penso que essa espécie de vestígios da ruralidade são, desde logo, muito 'úteis' para relembrar os lisboetas mais distraídos que Lisboa (à semelhança de tantas cidades por esse mundo fora) é um local essencialmente ‘moderno' e urbano há relativamente pouco tempo se se perspectivarem todos os séculos de história da mesma…

Será que também ao nível dos chamados padrões mentais, dos costumes e dos comportamentos os habitantes de Lisboa já percorreram o ‘caminho’ entre a comunidade e a sociedade?

07/10/2019

Monarquia e República em Portugal

Assinalou-se no passado sábado mais um aniversário da implantação do sistema republicano em Portugal. 

São já cento e nove anos de República (‘contra’ setecentos e sessenta e sete de Monarquia).

Ora, considero-me republicano pelo simples facto de ter sempre vivido sob a égide da República Portuguesa e ser este, pois, o único regime que "realmente" conheço.

Mas também não me identifico com muitos dos valores monárquicos que sustentam a defesa deste regime e o consequente ‘regresso’.

Ou seja, reconheço à Monarquia e à República em Portugal (por tudo quanto tenho lido e visto, respectivamente) méritos e defeitos. 

A verdade, todavia, é que não consigo deixar de associar a esta transição, política e não só, claro, o facto de ser sempre necessário que algo mude para que (quase) tudo fique na mesma…

04/10/2019

Defender e respeitar

Depois de, há pouquíssimos dias, me ter deparado, novamente, com o quadro pintado pelo norte-americano Grant Wood "American Gothic" não mais consegui deixar de me lembrar do livro "Direito a ofender" - escrito pelo jornalista e escritor britânico Mick Hume - nem de uma frase escrita pelo filósofo austríaco Karl Popper no seu livro "A Sociedade Aberta e os seus inimigos".

Ora, as ideias fundamentais de "Direito a ofender" são a de liberdade para se poder dizer o que se quer e a de tolerância para se aceitar essa mesma liberdade.

Trata-se, no fundo, de se ‘exercer’ aquilo que já no século XVIII havia sido dito pelo filósofo francês do Iluminismo – Voltaire: "discordo do que dizes mas defenderei até à morte o direito de o dizeres".

A frase de Karl Popper: "Temos pois de proclamar, em nome da tolerância, o direito de não sermos tolerantes com os intolerantes".

Parece-me, enfim, que a muitas 'autoridades' - morais e legais - de todo o mundo falta (ainda?) muito ‘caminho’ para poderem estar verdadeiramente 'aptas’ a defenderem e a respeitarem a liberdade e a tolerância.

03/10/2019

Heidegger e o Homem

Nascido a 26 de Setembro de 1889 na Alemanha, Martin Heidegger tornar-se-ia um dos ‘maiores’ expoentes da ‘corrente’ filosófica existencialista.


Assim, afirmou, por exemplo, que "Todo o Homem nasce como muitos mas morre como um ser único".


02/10/2019

Essencial e superficial

Continuo com uma 'mão' a Oriente...

Lembro-me de, há já alguns anos, ter lido no então jornal OJE um texto assinado pela jornalista Rebecca Abecassis com o título "Os países do norte não são todos iguais" em que, fazendo uma espécie de viagem por alguns países e povos do Norte da Europa, distinguiu, no meio da heterogeneidade, duas áreas aí commumente encaradas como fundamentais para se atingir um bom nível de desenvolvimento económico, social e cultural: a arquitectura e a gastronomia (ou culinária).

Mas também me lembro de ter lido, no jornal SOL, um texto preparado pela/o jornalista L. A. de Sá a propósito dos dez anos da transferência oficial de soberania de Macau de Portugal para a China com o título "Dez anos é muito tempo".

Neste se deu conta de que, no ‘balanço’ de uma década de Administração chinesa em Macau, o canal público de televisão da China, a CCTV, havia sublinhado que a matriz portuguesa ‘dominava’ em formas culturais qualificadas como superficiais como a arquitectura e a gastronomia (ou culinária).

Ou seja: enquanto que diversas ‘expressões’ culturais eram (e são?) consideradas, por alguns, como formas pouco dignas e, em certa medida, insignificantes nos contextos económico, social e cultural de uma dada sociedade (e respectivas comunidades), essas mesmas ‘expressões’ culturais eram (e são?) objecto de muita atenção, por outros, como meios para tentar atingir uma maior – e melhor – qualidade de vida.

Em várias dimensões.   

Ora, concordo absolutamente com a visão nórdica...