11/10/2019

Esquecimento com dolo?

Foi em meados de Abril de 2018 que o jornal blico deu a conhecer, em formato digital, um texto com o título em forma de pergunta "Os EUA começaram a esquecer o Holocausto?".

Nele se observou, de resto, que "Pelo menos 22% dos norte-americanos menores de 34 anos nunca ouviram falar do extermínio de seis milhões de judeus às mãos do regime nazi".

Supondo que tais números fossem exactos creio que a responsabilidade imediata por tal ignorância histórica era do sistema educativo local.

Mas, muito mais grave do que se apurar de quem é (ou são) a(s) responsabilidade(s) dessa falta da educação formal é, quanto a mim, impedir-se – dolosamente? – que milhões de pessoas possam, através de dados históricos, questionar a existência de um conjunto de actos políticos, geopolíticos e ideológicos que poderiam passar, por exemplo, por, no momento presente, práticas internas intolerantes por parte das autoridades policiais e de investigação e, sem dúvida, pelas alianças que o pessoal político do seu país – os Estados Unidos da América (EUA) – estabeleceram e estabelecem com países como Israel: "por que razão é o nosso país [EUA] aliado incondicional de outro [Israel] no qual muitos dos seus habitantes – descendentes, directos e indirectos, daqueles que sofreram o Holocausto na Europa –, têm vindo a fazer passar a outros, desde há décadas, no Próximo Oriente, precisamente alguns tipos de privações e violência física e psicológica que sofreram às mãos dos nazis e de outros?".

10/10/2019

Os limites do Estado Novo

Já escrevi aqui no blogue sobre o Forte da Graça, em Elvas.

Pretendo, ainda assim, reproduzir duas frases que aí foram inscritas em 1959 (durante a vigência do chamado Estado Novo).

Ora, creio que, depois de as ler, se poderá, talvez, concluir que, também nesses tempos, não havia limites para a hipocrisia.



O TRABALHO É UM INESGOTÁVEL TESOURO.
A INACÇÃO É A FERRUGEM DA CORAGEM.

1959


O TRABALHO DIGNIFICA O HOMEM, MAS MAIS O DIGNIFICARÁ SE FOR UM TRABALHO HONESTO E CONSCIENCIOSO.

1959

09/10/2019

A privacidade pública

Cerca de 640 milhões de fotografias são, todos os dias, registadas na Europa com recurso a "smartphones".

É, talvez, verdade que muitos desses gestos são feitos com o simples objectivo de acrescentar quantidade a álbuns pessoais.

Mas não só.

De facto, aproximadamente 100 milhões de fotografias (e vídeos) são, todos os dias, colocados na rede "Instagram" e 300 milhões de fotografias (e vídeos, claro) são, a cada dia que passa, ‘postados’ no "Facebook".

Ou seja, de pouco serve batalhar contra estas empresas em defesa da privacidade, por exemplo, quando se está perante tais números.

08/10/2019

A 'face' rural da cidade de Lisboa

Um dos oradores no simpósio a que aludi no texto que aqui publiquei há pouco menos de um mês ("Lisboa e o baralho de cartas") comentou – ao mesmo tempo que também ele mostrava um "slide" – que ainda se poderiam observar na Lisboa urbana do século XXI alguns ‘traços’ da ruralidade: um individuo ‘orientando’ um pequeno rebanho junto à biblioteca municipal de Marvila, por exemplo.

Penso que essa espécie de vestígios da ruralidade são, desde logo, muito 'úteis' para relembrar os lisboetas mais distraídos que Lisboa (à semelhança de tantas cidades por esse mundo fora) é um local essencialmente ‘moderno' e urbano há relativamente pouco tempo se se perspectivarem todos os séculos de história da mesma…

Será que também ao nível dos chamados padrões mentais, dos costumes e dos comportamentos os habitantes de Lisboa já percorreram o ‘caminho’ entre a comunidade e a sociedade?

07/10/2019

Monarquia e República em Portugal

Assinalou-se no passado sábado mais um aniversário da implantação do sistema republicano em Portugal. 

São já cento e nove anos de República (‘contra’ setecentos e sessenta e sete de Monarquia).

Ora, considero-me republicano pelo simples facto de ter sempre vivido sob a égide da República Portuguesa e ser este, pois, o único regime que "realmente" conheço.

Mas também não me identifico com muitos dos valores monárquicos que sustentam a defesa deste regime e o consequente ‘regresso’.

Ou seja, reconheço à Monarquia e à República em Portugal (por tudo quanto tenho lido e visto, respectivamente) méritos e defeitos. 

A verdade, todavia, é que não consigo deixar de associar a esta transição, política e não só, claro, o facto de ser sempre necessário que algo mude para que (quase) tudo fique na mesma…

04/10/2019

Defender e respeitar

Depois de, há pouquíssimos dias, me ter deparado, novamente, com o quadro pintado pelo norte-americano Grant Wood "American Gothic" não mais consegui deixar de me lembrar do livro "Direito a ofender" - escrito pelo jornalista e escritor britânico Mick Hume - nem de uma frase escrita pelo filósofo austríaco Karl Popper no seu livro "A Sociedade Aberta e os seus inimigos".

Ora, as ideias fundamentais de "Direito a ofender" são a de liberdade para se poder dizer o que se quer e a de tolerância para se aceitar essa mesma liberdade.

Trata-se, no fundo, de se ‘exercer’ aquilo que já no século XVIII havia sido dito pelo filósofo francês do Iluminismo – Voltaire: "discordo do que dizes mas defenderei até à morte o direito de o dizeres".

A frase de Karl Popper: "Temos pois de proclamar, em nome da tolerância, o direito de não sermos tolerantes com os intolerantes".

Parece-me, enfim, que a muitas 'autoridades' - morais e legais - de todo o mundo falta (ainda?) muito ‘caminho’ para poderem estar verdadeiramente 'aptas’ a defenderem e a respeitarem a liberdade e a tolerância.

03/10/2019

Heidegger e o Homem

Nascido a 26 de Setembro de 1889 na Alemanha, Martin Heidegger tornar-se-ia um dos ‘maiores’ expoentes da ‘corrente’ filosófica existencialista.


Assim, afirmou, por exemplo, que "Todo o Homem nasce como muitos mas morre como um ser único".