15/10/2019

A Organização dos Estados Americanos

A Organização dos Estados Americanos é o mais antigo organismo regional de todo o mundo (recordo que foi fundado em 1948) agregando os trinta e cinco Estados independentes do continente americano (lembro: Antígua e Barbuda, Argentina, Bahamas, Barbados, Belize, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Dominica, El Salvador, Equador, Estados Unidos da América, Grenada, Guatemala, Guiana Francesa, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Saint Kitts and Nevis, Saint Lucia, Saint Vincent and Grenadines, Suriname, Trinidad and Tobago, Uruguai e Venezuela) e afirma-se como um dos principais – senão o principal – fórum governamental político, jurídico e social do Hemisfério Americano, por assim dizer.

Sempre que o caminho escolhido por alguns países não seja o do mais ‘simples’ e ‘directo’ unilateralismo, evidentemente...
Para além do mais, esta Organização concedeu já o estatuto de observador permanente a sessenta e nove Estados e à própria União Europeia.

14/10/2019

Estudar a escravatura

Uma das ideias-chave da entrevista que a historiadora marroquina Fatima Harrak concedeu ao jornal Público num dos derradeiros dias do passado mês de Setembro foi a de que deveria estudar-se mais a escravatura.

Ora, concordo, efectivamente, com a importância de se estudar e melhor tentar compreender o movimento esclavagista mundial até porque tais palavras foram 'produzidas' tendo como pano de fundo, por assim dizer, o núcleo museológico que, ao que tudo indica, será construído em Lisboa sobre os Descobrimentos que os portugueses – ou melhor, parte deles – fizeram em determinado período da História de Portugal.

De facto, o nome que irá ser atribuído a tal museu tem suscitado discussões mais ou menos 'acaloradas' – e, também, mais ou menos democráticas… – consoante 'onde' os interlocutores se situem: de um lado têm estado os que consideram que Portugal 'utilizou' os Descobrimentos não apenas para chegar a muitas terras e a povos até então desconhecidos para muitos mas também para 'descobrir' formas de explorar, física e espiritualmente, muitos dos seres humanos 'descobertos' – a escravatura –, e do outro lado têm estado aqueles para quem os 'esquemas' da escravatura postos em prática por esses portugueses 'descobridores' foi não mais do que um mero detalhe comum a muitos outros "povos descobridores" dessa época como o espanhol, o inglês, o holandês ou o francês.

Posto isto, enquanto que reconheço que Portugal foi, no contexto dos chamados descobrimentos, responsável por 'ampliar' – e não por criar – o comércio escravo como o transporte de milhões de pessoas de África para a América ou a vinda de milhares de africanos para serem explorados pelos seus senhores em Portugal, defendo que esse museu poderia ser designado por "Museu dos Descobrimentos portugueses".

Mas 'isto' não é mais do que história e um nome de um museu.

Tenho, assim, que relativizar…

O que, efectivamente, me preocupa muito mais é que em pleno século XXI se continuem a verificar situações que configuram escravatura: de acordo com um documento elaborado em conjunto com a Organização Internacional do Trabalho, a Walk Free Foundation revelou, através do "Global Slavery Index", de 2018, existirem então mais de 40 milhões de escravos em todo o mundo e, mais detalhadamente, 403 mil nos Estados Unidos da América ou 136 mil no Reino Unido, por exemplo...

12/10/2019

A flecha, a palavra e a oportunidade do Homem

Invoco agora um provérbio chinês que, creio, é capaz de explicar muito do percurso da existência humana (em que o meu se inclui, evidentemente):

"Há três coisas
que nunca voltam atrás:
a flecha lançada,
a palavra pronunciada
e a oportunidade perdida".

11/10/2019

Esquecimento com dolo?

Foi em meados de Abril de 2018 que o jornal blico deu a conhecer, em formato digital, um texto com o título em forma de pergunta "Os EUA começaram a esquecer o Holocausto?".

Nele se observou, de resto, que "Pelo menos 22% dos norte-americanos menores de 34 anos nunca ouviram falar do extermínio de seis milhões de judeus às mãos do regime nazi".

Supondo que tais números fossem exactos creio que a responsabilidade imediata por tal ignorância histórica era do sistema educativo local.

Mas, muito mais grave do que se apurar de quem é (ou são) a(s) responsabilidade(s) dessa falta da educação formal é, quanto a mim, impedir-se – dolosamente? – que milhões de pessoas possam, através de dados históricos, questionar a existência de um conjunto de actos políticos, geopolíticos e ideológicos que poderiam passar, por exemplo, por, no momento presente, práticas internas intolerantes por parte das autoridades policiais e de investigação e, sem dúvida, pelas alianças que o pessoal político do seu país – os Estados Unidos da América (EUA) – estabeleceram e estabelecem com países como Israel: "por que razão é o nosso país [EUA] aliado incondicional de outro [Israel] no qual muitos dos seus habitantes – descendentes, directos e indirectos, daqueles que sofreram o Holocausto na Europa –, têm vindo a fazer passar a outros, desde há décadas, no Próximo Oriente, precisamente alguns tipos de privações e violência física e psicológica que sofreram às mãos dos nazis e de outros?".

10/10/2019

Os limites do Estado Novo

Já escrevi aqui no blogue sobre o Forte da Graça, em Elvas.

Pretendo, ainda assim, reproduzir duas frases que aí foram inscritas em 1959 (durante a vigência do chamado Estado Novo).

Ora, creio que, depois de as ler, se poderá, talvez, concluir que, também nesses tempos, não havia limites para a hipocrisia.



O TRABALHO É UM INESGOTÁVEL TESOURO.
A INACÇÃO É A FERRUGEM DA CORAGEM.

1959


O TRABALHO DIGNIFICA O HOMEM, MAS MAIS O DIGNIFICARÁ SE FOR UM TRABALHO HONESTO E CONSCIENCIOSO.

1959

09/10/2019

A privacidade pública

Cerca de 640 milhões de fotografias são, todos os dias, registadas na Europa com recurso a "smartphones".

É, talvez, verdade que muitos desses gestos são feitos com o simples objectivo de acrescentar quantidade a álbuns pessoais.

Mas não só.

De facto, aproximadamente 100 milhões de fotografias (e vídeos) são, todos os dias, colocados na rede "Instagram" e 300 milhões de fotografias (e vídeos, claro) são, a cada dia que passa, ‘postados’ no "Facebook".

Ou seja, de pouco serve batalhar contra estas empresas em defesa da privacidade, por exemplo, quando se está perante tais números.

08/10/2019

A 'face' rural da cidade de Lisboa

Um dos oradores no simpósio a que aludi no texto que aqui publiquei há pouco menos de um mês ("Lisboa e o baralho de cartas") comentou – ao mesmo tempo que também ele mostrava um "slide" – que ainda se poderiam observar na Lisboa urbana do século XXI alguns ‘traços’ da ruralidade: um individuo ‘orientando’ um pequeno rebanho junto à biblioteca municipal de Marvila, por exemplo.

Penso que essa espécie de vestígios da ruralidade são, desde logo, muito 'úteis' para relembrar os lisboetas mais distraídos que Lisboa (à semelhança de tantas cidades por esse mundo fora) é um local essencialmente ‘moderno' e urbano há relativamente pouco tempo se se perspectivarem todos os séculos de história da mesma…

Será que também ao nível dos chamados padrões mentais, dos costumes e dos comportamentos os habitantes de Lisboa já percorreram o ‘caminho’ entre a comunidade e a sociedade?