Num tempo em que é extraordinariamente fácil e cómodo para os poderes instalados associar a palavra - e o conceito, claro - Fundamentalismo à palavra Islâmico, parece-me ser oportuno recordar a diferença, por assim dizer, entre Sunitas e Xiitas.
Ora, os Sunitas defenderam (e defendem) que apenas pode ser califa aquele que for o melhor dos crentes do Profeta.
Já os Xiitas consideravam (e consideram), por seu lado, que só poderia ser um califa quem descendesse directamente de Maomé (e também da sua filha Fátima e do seu genro Ali - a quem, por sinal, o Profeta terá revelado o sentido "oculto" do Corão).
23/10/2019
22/10/2019
"Marketing" e a História Humana
"Vi
uns homens a inaugurarem estátuas
e vi fardas e paradas e
conferências
e crianças a sorrir
para os homens sorridentes que
inauguravam estátuas
e vi homens que falavam e
pensavam por mim
a escolherem por mim o bom e o
mau
de modo a que eu não possa ser
tentado
a confundir o mau com o bom ou
vice-versa
ou
vice-versa".
Fonte:
Fernando
Namora, "Marketing"
21/10/2019
Imigrantes e refugiados
Não
tendo a absoluta certeza da diferença existente entre um imigrante
(ou emigrante
sendo que ambas as figuras jurídicas, imigrantes
e emigrantes
são migrantes)
e um refugiado,
limitei-me a procurar saber junto de quem, certamente, saberia.
De
facto, o sítio na "Internet" da sede brasileira da Agência
da Organização das Nações Unidas para os Refugiados
(ACNUR) foi-me muito útil: "Os
refugiados
são pessoas que escaparam de conflitos armados ou perseguições.
Com frequência, sua situação é tão perigosa e intolerável que
devem cruzar fronteiras internacionais para buscar segurança nos
países mais próximos, e então se tornarem um 'refugiado'
reconhecido internacionalmente, com o acesso à assistência dos
Estados, do ACNUR e de outras organizações. São reconhecidos como
tal, precisamente porque é muito perigoso para eles voltar ao seu
país e necessitam de um asilo em algum outro lugar. Para estas
pessoas, a negação de um asilo pode ter consequências vitais"
enquanto que "Os
migrantes
escolhem se deslocar não por causa de uma ameaça direta de
perseguição ou morte, mas principalmente para melhorar sua vida em
busca de trabalho ou educação, por reunião familiar ou por outras
razões. À diferença dos refugiados, que não podem voltar ao seu
país, os migrantes continuam recebendo a proteção do seu governo".
19/10/2019
Refugiados professores
Aqui descrevi há dias a
situação por que passa o Brasil como sendo de "instabilidade
política e social".
Creio
que o "diagnóstico" apresentado não foi demasiadamente
arriscado, nem pessimista, já que não são poucas as vozes a
alertarem que o momento actual da vida brasileira é, na verdade, um
perigo para o próprio regime democrático do país.
Ora,
apesar dos mais de sete mil quilómetros que me separam – enquanto
cidadão a viver em Portugal – do Brasil, creio que o país ainda é
– apesar de todas as dificuldades que lembrei já – uma espécie
de abrigo e de refúgio para cidadãos de países vizinhos também
pouco 'afortunados' (para não dizer mais…): vi, não há muito
tempo, imagens televisivas documentando a 'invasão' de pessoas
oriundas da Venezuela.
Pois
bem, li, há também não muito tempo, o seguinte:
"Que
tal aprender um novo idioma com um refugiado? Estão abertas as
inscrições para os cursos regulares de inglês, francês e espanhol
do 2º semestre no ***** *****. As aulas começam no dia 11 de
agosto. Aqui, refugiados no Brasil são capacitados para darem aulas
de idiomas em que são fluentes. (...)
Muito mais do que o ensino de línguas, o objetivo dos cursos é
permitir a imersão dos alunos na cultura dos professores e
viabilizar a integração social e a geração de renda [rendimento]
para os refugiados que encontram abrigo no Brasil".
Refugiados
a ensinar?
É
uma excelente ideia!
Creio,
até, que para além desse 'mero' acto de ensinar ser dirigido
(segundo percebi) para cidadãos 'normais' e 'comuns' poderia
ser um exemplo para pessoal político de todo o mundo: como cheguei a
ler nas páginas de um jornal português, o então (e actual)
presidente norte-americano Donald Trump, no seu encontro com
a então primeira-ministra
britânica Theresa May, referiu que a imigração é "má" e "triste" para a Europa pelo facto de "alterar
a sua cultura" (e por
contribuir, disse, para o 'crescimento' da ameaça terrorista).
18/10/2019
A personalidade de um país
Ouvi há alguns meses o
primeiro-ministro, num debate sobre "o estado da nação", dizer, numa sua intervenção, que os números não enganavam.
Achei,
e acho, ser um pensamento acertadissimo.
O
que engana – ou melhor, pode enganar – é a utilização
(manipulação) dos números pelos seres humanos…
Tal
é, julgo eu, facilmente constatado quando vemos as fichas técnicas
(ou metodológicas) de alguns 'estudos' de opinião.
Ora,
o que eu humildemente critico é o facto de se fazerem generalizações
a partir de algumas – às vezes poucas – características
essencialmente individuais.
Ou
seja, "vê-se o todo a partir de uma parte".
Parte
que às vezes, insisto, não é propriamente grande…
Refiro-me,
pois, em particular, a 'estudos' sobre os tipos de personalidade
de um país: um dos mais 'completos' foi publicado em 2005 por
Robert McCrae (que se apoiou, por assim dizer, no trabalho de setenta
e nove colaboradores de todo o mundo e em dados obtidos a partir de
respostas de mais de doze mil estudantes universitários em cinquenta
e uma "culturas").
O
seu título?
"Personality
profiles of cultures: aggregate personality traits".
Assim,
a "pontuação" mais elevada para a Extroversão foi a
registada pelos estudantes brasileiros, pelos suíços (de língua
francesa) e pelos malteses enquanto a "pontuação" mais baixa
para aquele 'critério' foi obtida pelos estudantes nigerianos,
pelos marroquinos e pelos indonésios.
Já
a "pontuação" obtida para a Abertura à experiência foi
mais elevada junto dos estudantes suíços (de língua alemã), pelos
dinamarqueses e pelos alemães.
A "pontuação" mais reduzida foi, por seu lado, obtida pelos
estudantes chineses (de Hong Kong), pelos norte-irlandeses e pelos do
Kuwait.
Recorde-se
que este 'estudo' incidiu igualmente na Neurose, na
Consciência e na Agradabilidade.
Na
verdade, as supostas conclusões ensaiadas por estes chamados estudos
psicológicos têm pouco (ou nada…) de científico.
Lembro,
de facto, um texto que me parece ser precisamente um 'testemunho'
exacto da credibilidade científica desses 'estudos'.
Escreveu
o jornal Público há já alguns anos o seguinte: "Elena
Ferrante, pseudónimo de uma das mais influentes escritoras da
actualidade, que mantém a sua identidade desconhecida, vai escrever
todas as semanas uma coluna para a edição do fim-de-semana do
jornal britânico The Guardian".
Ora,
é precisamente sobre um texto assinado por Elena Ferrante – "'Yes,
I’m Italian – but I’m not loud, I don’t gesticulate and I’m
not good with pizza'" – digitalmente publicado no início
do ano 2018 no sítio do jornal The Guardian que quero agora 'debruçar-me'.
De
facto, referiu Elena que "Amo o
meu país mas não tenho qualquer espírito patriota nem orgulho
nacional. E mais: praticamente
não como pizza e
como muito pouco spaghetti,
não falo alto e não gesticulo, detesto todas as organizações
mafiosas e não digo "Mamma mia!". Os 'traços' nacionais são meras simplificações que deveriam ser
contestadas. Ser italiana, para mim, começa e acaba no facto de que
me exprimo (na escrita e na
fala) na língua italiana".
Concordo
em absoluto com aquilo que Elena Ferrante escreveu embora tenha
muitas dúvidas acerca do facto de que alguém se considere 'filho'
de um determinado país apenas por se expressar na língua oficial
desse mesmo país.
A
personalidade de cada pessoa nada tem a ver com o país onde nasce e
os estereótipos nacionais tão em voga nalguns 'estudos' não
passam disso mesmo, estereótipos.
Ora,
a história demonstrou já imensas vezes o quão estereótipos
e generalizações podem
ser usados para esconder a realidade.
17/10/2019
O Brasil de Jorge Amado
Lembro-me de a economia do Brasil
ter ‘ultrapassado’, há alguns anos, a do Reino Unido
tornando-se, assim, a quinta (se não me engano…) maior do mundo.
Não
sei se, entretanto, a economia do colosso sul-americano voltou a "perder terreno".
É
bem possível que isso se tenha vindo a verificar dada a
instabilidade política e social vivida no Brasil.
Mas,
como tudo na vida, é importante relativizar.
Cito,
por isso mesmo, uma frase outrora dita por aquele que considero ter
sido um dos maiores ‘vultos’ da Língua Portuguesa: Jorge Amado.
"Eu
sou muito otimista, muito. O Brasil é um país com uma força
enorme. Nós somos um continente, meu amor. Nós não somos um
paísinho, nós somos um continente, com um povo extraordinário".
Etiquetas:
Brasil,
Jorge Amado
16/10/2019
Outra vez Camões
Assume-se, frequentemente, que o
poeta Luís Vaz de Camões escreveu parte das oito mil, oitocentas e
dezasseis estrofes da ‘enorme’ epopeia "Os
Lusíadas" em Macau – o que é, de resto, assinalado
anualmente por membros da comunidade portuguesa que aí reside com
uma romagem ao jardim e à "gruta de Camões".
Não
sei se isso corresponde à verdade ou se é, apenas, um mito.
O
que, de facto, sei é que existe em Constância (a antiga Punhete)
uma estátua daquele que acho ter sido um dos mais importantes poetas
portugueses que, até hoje, viveu (e um dos ‘símbolos’ da
portugalidade, claro...) acompanhada de alguns dos seus escritos.
"Oh!
Pomar venturoso!
De teu fermoso peso
Se mostra o monte ledo
E o caudaloso Zêzere te
estranha
Porque olhas com desprezo
Seu cristal puro e quedo
(Da canção XII)
Corre suave e brando
Com tuas claras águas
Saídas de meus olhos doce
Tejo
(Écloga II)
Ouvi soar nos vales algum
dia
E respondia o eco o nome
em vão
Num coração – Belisa!
Subscrever:
Mensagens (Atom)
