Escreveu o eclesiástico grego Sinésio na sua obra "Da Realeza" (do século IV da chamada Era Cristã) o seguinte:
"O imperador Teodósio [...] tratou os Bárbaros com demasiada indulgência e deu-lhes o título de aliados; concedeu-lhes direitos políticos e ofereceu-lhes boas terras. Mas eles [...] viram neste procedimento uma fraqueza da nossa parte, passando a comportar-se de forma arrogante".
Na verdade, na sequência de invasões destes povos, foi, em 476, deposto o último imperador romano acabando assim o Império Romano do Ocidente.
25/10/2019
24/10/2019
O 'maior' embaixador de Portugal
Não foi há muito tempo que pude 'percorrer' uma espécie de
lista enumerando as dez personalidades portuguesas que mais se tinham
destacado, ao longo da História de Portugal, no "engrandecimento"
do nome do país enquanto emigrantes.
Essa
lista – como, de resto, qualquer lista – é subjectiva.
Isto
é, são elaboradas por um indivíduo (ou por vários) condicionado(s), claro, pelas suas ideias e, enfim, pelos seus próprios valores.
Que
são necessariamente diferentes das ideias e dos valores de outro
qualquer indivíduo.
Como
eu.
Não
tenho, todavia, capacidades académicas para elaborar uma lista
citando muitas personalidades da história portuguesa.
Mas
tenho, sim, capacidade para dizer qual me parece ser, neste momento –
e desde há alguns anos seguramente – o melhor "embaixador" de
Portugal.
Não
é um presidente, nem um primeiro-ministro, um diplomata ou um
dirigente empresarial.
É,
na verdade, um desportista.
Mais
concretamente, um futebolista.
O
seu nome?
Cristiano
Ronaldo.
Porque,
sendo emigrante, tem conseguido fazer com que o nome Portugal
seja tão conhecido em França como no Uganda ou na Mongólia, por
exemplo.
Talvez
depois de Eusébio – outro desportista... – tenha, até aos dias
de hoje, sido o português mais conhecido lá fora, se se quiser
dizer assim.
Beneficiando,
naturalmente, de todo um conjunto de 'instrumentos' mediáticos,
desportivos e tecnológicos, a sua qualidade como desportista e como
futebolista tornou-se, com o passar do tempo, indissociável do país
em que nasceu.
Reconheço-lhe,
pois, este mérito independentemente de todas as críticas que possa
fazer – e faço – ao 'mundo' do futebol (em que Ronaldo se 'movimenta', de facto) internacional actual com os seus
contratos, os salários, os benefícios associados, as cláusulas ou
a violência.
Ora,
quem
dera a um qualquer país ter verdadeiros 'representantes positivos'
de alcance planetário.
23/10/2019
Sunitas e Xiitas
Num tempo em que é extraordinariamente fácil e cómodo para os poderes instalados associar a palavra - e o conceito, claro - Fundamentalismo à palavra Islâmico, parece-me ser oportuno recordar a diferença, por assim dizer, entre Sunitas e Xiitas.
Ora, os Sunitas defenderam (e defendem) que apenas pode ser califa aquele que for o melhor dos crentes do Profeta.
Já os Xiitas consideravam (e consideram), por seu lado, que só poderia ser um califa quem descendesse directamente de Maomé (e também da sua filha Fátima e do seu genro Ali - a quem, por sinal, o Profeta terá revelado o sentido "oculto" do Corão).
Ora, os Sunitas defenderam (e defendem) que apenas pode ser califa aquele que for o melhor dos crentes do Profeta.
Já os Xiitas consideravam (e consideram), por seu lado, que só poderia ser um califa quem descendesse directamente de Maomé (e também da sua filha Fátima e do seu genro Ali - a quem, por sinal, o Profeta terá revelado o sentido "oculto" do Corão).
22/10/2019
"Marketing" e a História Humana
"Vi
uns homens a inaugurarem estátuas
e vi fardas e paradas e
conferências
e crianças a sorrir
para os homens sorridentes que
inauguravam estátuas
e vi homens que falavam e
pensavam por mim
a escolherem por mim o bom e o
mau
de modo a que eu não possa ser
tentado
a confundir o mau com o bom ou
vice-versa
ou
vice-versa".
Fonte:
Fernando
Namora, "Marketing"
21/10/2019
Imigrantes e refugiados
Não
tendo a absoluta certeza da diferença existente entre um imigrante
(ou emigrante
sendo que ambas as figuras jurídicas, imigrantes
e emigrantes
são migrantes)
e um refugiado,
limitei-me a procurar saber junto de quem, certamente, saberia.
De
facto, o sítio na "Internet" da sede brasileira da Agência
da Organização das Nações Unidas para os Refugiados
(ACNUR) foi-me muito útil: "Os
refugiados
são pessoas que escaparam de conflitos armados ou perseguições.
Com frequência, sua situação é tão perigosa e intolerável que
devem cruzar fronteiras internacionais para buscar segurança nos
países mais próximos, e então se tornarem um 'refugiado'
reconhecido internacionalmente, com o acesso à assistência dos
Estados, do ACNUR e de outras organizações. São reconhecidos como
tal, precisamente porque é muito perigoso para eles voltar ao seu
país e necessitam de um asilo em algum outro lugar. Para estas
pessoas, a negação de um asilo pode ter consequências vitais"
enquanto que "Os
migrantes
escolhem se deslocar não por causa de uma ameaça direta de
perseguição ou morte, mas principalmente para melhorar sua vida em
busca de trabalho ou educação, por reunião familiar ou por outras
razões. À diferença dos refugiados, que não podem voltar ao seu
país, os migrantes continuam recebendo a proteção do seu governo".
19/10/2019
Refugiados professores
Aqui descrevi há dias a
situação por que passa o Brasil como sendo de "instabilidade
política e social".
Creio
que o "diagnóstico" apresentado não foi demasiadamente
arriscado, nem pessimista, já que não são poucas as vozes a
alertarem que o momento actual da vida brasileira é, na verdade, um
perigo para o próprio regime democrático do país.
Ora,
apesar dos mais de sete mil quilómetros que me separam – enquanto
cidadão a viver em Portugal – do Brasil, creio que o país ainda é
– apesar de todas as dificuldades que lembrei já – uma espécie
de abrigo e de refúgio para cidadãos de países vizinhos também
pouco 'afortunados' (para não dizer mais…): vi, não há muito
tempo, imagens televisivas documentando a 'invasão' de pessoas
oriundas da Venezuela.
Pois
bem, li, há também não muito tempo, o seguinte:
"Que
tal aprender um novo idioma com um refugiado? Estão abertas as
inscrições para os cursos regulares de inglês, francês e espanhol
do 2º semestre no ***** *****. As aulas começam no dia 11 de
agosto. Aqui, refugiados no Brasil são capacitados para darem aulas
de idiomas em que são fluentes. (...)
Muito mais do que o ensino de línguas, o objetivo dos cursos é
permitir a imersão dos alunos na cultura dos professores e
viabilizar a integração social e a geração de renda [rendimento]
para os refugiados que encontram abrigo no Brasil".
Refugiados
a ensinar?
É
uma excelente ideia!
Creio,
até, que para além desse 'mero' acto de ensinar ser dirigido
(segundo percebi) para cidadãos 'normais' e 'comuns' poderia
ser um exemplo para pessoal político de todo o mundo: como cheguei a
ler nas páginas de um jornal português, o então (e actual)
presidente norte-americano Donald Trump, no seu encontro com
a então primeira-ministra
britânica Theresa May, referiu que a imigração é "má" e "triste" para a Europa pelo facto de "alterar
a sua cultura" (e por
contribuir, disse, para o 'crescimento' da ameaça terrorista).
18/10/2019
A personalidade de um país
Ouvi há alguns meses o
primeiro-ministro, num debate sobre "o estado da nação", dizer, numa sua intervenção, que os números não enganavam.
Achei,
e acho, ser um pensamento acertadissimo.
O
que engana – ou melhor, pode enganar – é a utilização
(manipulação) dos números pelos seres humanos…
Tal
é, julgo eu, facilmente constatado quando vemos as fichas técnicas
(ou metodológicas) de alguns 'estudos' de opinião.
Ora,
o que eu humildemente critico é o facto de se fazerem generalizações
a partir de algumas – às vezes poucas – características
essencialmente individuais.
Ou
seja, "vê-se o todo a partir de uma parte".
Parte
que às vezes, insisto, não é propriamente grande…
Refiro-me,
pois, em particular, a 'estudos' sobre os tipos de personalidade
de um país: um dos mais 'completos' foi publicado em 2005 por
Robert McCrae (que se apoiou, por assim dizer, no trabalho de setenta
e nove colaboradores de todo o mundo e em dados obtidos a partir de
respostas de mais de doze mil estudantes universitários em cinquenta
e uma "culturas").
O
seu título?
"Personality
profiles of cultures: aggregate personality traits".
Assim,
a "pontuação" mais elevada para a Extroversão foi a
registada pelos estudantes brasileiros, pelos suíços (de língua
francesa) e pelos malteses enquanto a "pontuação" mais baixa
para aquele 'critério' foi obtida pelos estudantes nigerianos,
pelos marroquinos e pelos indonésios.
Já
a "pontuação" obtida para a Abertura à experiência foi
mais elevada junto dos estudantes suíços (de língua alemã), pelos
dinamarqueses e pelos alemães.
A "pontuação" mais reduzida foi, por seu lado, obtida pelos
estudantes chineses (de Hong Kong), pelos norte-irlandeses e pelos do
Kuwait.
Recorde-se
que este 'estudo' incidiu igualmente na Neurose, na
Consciência e na Agradabilidade.
Na
verdade, as supostas conclusões ensaiadas por estes chamados estudos
psicológicos têm pouco (ou nada…) de científico.
Lembro,
de facto, um texto que me parece ser precisamente um 'testemunho'
exacto da credibilidade científica desses 'estudos'.
Escreveu
o jornal Público há já alguns anos o seguinte: "Elena
Ferrante, pseudónimo de uma das mais influentes escritoras da
actualidade, que mantém a sua identidade desconhecida, vai escrever
todas as semanas uma coluna para a edição do fim-de-semana do
jornal britânico The Guardian".
Ora,
é precisamente sobre um texto assinado por Elena Ferrante – "'Yes,
I’m Italian – but I’m not loud, I don’t gesticulate and I’m
not good with pizza'" – digitalmente publicado no início
do ano 2018 no sítio do jornal The Guardian que quero agora 'debruçar-me'.
De
facto, referiu Elena que "Amo o
meu país mas não tenho qualquer espírito patriota nem orgulho
nacional. E mais: praticamente
não como pizza e
como muito pouco spaghetti,
não falo alto e não gesticulo, detesto todas as organizações
mafiosas e não digo "Mamma mia!". Os 'traços' nacionais são meras simplificações que deveriam ser
contestadas. Ser italiana, para mim, começa e acaba no facto de que
me exprimo (na escrita e na
fala) na língua italiana".
Concordo
em absoluto com aquilo que Elena Ferrante escreveu embora tenha
muitas dúvidas acerca do facto de que alguém se considere 'filho'
de um determinado país apenas por se expressar na língua oficial
desse mesmo país.
A
personalidade de cada pessoa nada tem a ver com o país onde nasce e
os estereótipos nacionais tão em voga nalguns 'estudos' não
passam disso mesmo, estereótipos.
Ora,
a história demonstrou já imensas vezes o quão estereótipos
e generalizações podem
ser usados para esconder a realidade.
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