16/11/2019

O Cristianismo, ontem e hoje

Um manual escolar 'disse-me' o seguinte:


"Numa província do Império Romano - a Judeia, na Palestina - vai surgir, no tempo do imperador Octávio César Augusto, uma religião totalmente distinta da romana e de outras já estudadas. Alicerçada na figura de Jesus Cristo, filho de um Deus único, a nova religião causou grande impacto nas sociedades da época devido ao carácter inovador dos princípios que defendia. O sentido humanista e universal do Cristianismo, que não distinguia classes, raças ou povos, explica a sua rápida difusão por todo o Império Romano. Os valores cristãos perduram ainda hoje nas sociedades do mundo ocidental".


Ora, o que aonteceu, entretanto, ao referido "sentido humanista e universal do Cristianismo, que não distinguia classes, raças ou povos" que explicou grandemente a sua "rápida difusão por todo o Império Romano" depois de o mundo ter assistido, por exemplo, à Inquisição, ao colonialismo ou à escravatura dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX?




15/11/2019

O ateísmo

Sobre a palavra ateísmo.

Deriva do grego atheiôtes, que, por sua vez, deriva de atheos: a (negação) e theos (Deus).

Assumindo-se, efectivamente, como uma doutrina que exclui a existência de Deus, aquele que se 'intitula' ateu rejeita e nega, pois, a existência de uma qualquer entidade, por assim dizer, divina.

14/11/2019

A empresa mais valiosa de sempre

A Companhia Holandesa das Índias Orientais (a "Vereenigde Oostindische Compagnie"), li num artigo publicado pela revista holandesa Duth Review em Dezembro de 2017 ("The Dutch East India Company was richer than Apple, Google and Facebook combined"), foi a empresa mais 'valiosa' em toda a História do mundo.



7.9 triliões de dólares (segundo as taxas de câmbio actuais, claro).



Criada em 1602 como empresa privada a quem tinha sido concedido o monopólio do comércio das especiarias durante duas décadas (pelo que combateu ferozmente, por exemplo, a portuguesa Companhia das Índias), a empresa dos actualmente designados Países Baixos conseguiu atingir esse valor por volta do ano 1637.



Ora, apesar de nada saber da estrutura accionista, por assim dizer, da referida empresa não me custa especular que alguns dos seus donos seriam descendentes dos judeus expulsos por Portugal.






Post scriptum: a referida Companhia não teve, no entanto, apenas uma função comercial pois foi, também, um ‘veículo’ essencial da máquina esclavagista da Holanda de então. Creio, de facto, que não há bela sem senão...

13/11/2019

A invenção da escrita

Escreveu Gilbert Lafforgue no seu livro "A alta antiguidade das origens a 550 a. C." o seguinte:

"Esta invenção [a escrita], que substitui a infiel tradição oral e permitirá assim um dia o aparecimento da literatura e das ciências, é, com a agricultura, a mais importante da História. (...) Surgida em primeiro lugar na Mesopotâmia (cerca de 3500 a. C.), depois no Egipto (cerca de 3200 a. C.), a escrita será adoptada ou reiventada por todos os Estados ricos".

12/11/2019

O genocídio arménio

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América reconheceu há poucos dias a existência do genocídio arménio.

Tal decisão, tomada por larga maioria, enfureceu as autoridades turcas e levou o país norte-americano a juntar-se a cerca de três dezenas de países, de todo o mundo, por assim dizer, que reconhecem oficialmente essa tentativa de extermínio do povo arménio.

Entre 1.2 milhões e 1.5 milhões de arménios terão, pois, sido mortos pelas tropas do Império Otomano durante a I Guerra Mundial.

Recordo também que o referido Império era, ao tempo, aliado da Alemanha e do Império Austro-Húngaro.


11/11/2019

A revolução russa

A semana que agora começa marca mais um aniversário do início da revolução russa.

Foi um período tumultuoso para o gigante do Leste (quero dizer, de Leste ou de Oeste dependerá de onde se esteja...) que transformou, positiva e negativamente, a "face" política, social, económica e cultural da Europa e do Mundo no século XX.

E, em 2019, continuará?

09/11/2019

Ir a um museu e reflectir

O Museu Nacional de Arte Antiga inaugurou, há alguns meses, uma exposição com o título "Museu das Descobertas".


Escreveu, a propósito, no seu sítio o seguinte: "O efeito transfigurador que o museu tem sobre o visitante é consequência de um mundo insuspeito de saberes, aplicados no contínuo trabalho de preservar, estudar e comunicar dissipando engano e dúvida. O museu existe para proporcionar uma experiência pessoal a quem o visita, fruto daquela que desenvolvem os que nele trabalham, dia após dia. A experiência do museu assenta no ato magnético e muito pessoal da contemplação, e esta, por seu turno, origina-se no valor insubstituível do objeto como testemunho intemporal e redentor da capacidade criadora humana. Ao Museu Nacional de Arte Antiga pareceu oportuno levar a cabo a organização do presente projeto, abrigado sob a designação provocadora de Museu das Descobertas, num tempo que assiste a uma renovada atualidade do conceito de museu, amplamente ilustrada na febre constitutiva de novas instituições".


Ora, é para mim evidente que o mero acto de se visitar um museu leva, desde logo, a construir-se uma reflexão sobre uma qualquer dimensão da nossa vida, enquanto povo.

Dimensão passada ou presente: pode ser a escravatura, o colonialismo, a a arte ou religião, por exemplo.

E, considerando somente esse facto, ir-se a um museu já vale a pena.