07/12/2019

José Hermano Saraiva

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, homenageou, no início desta semana, José Hermano Saraiva.

Considerou então, por exemplo, que "ninguém usou com tanto brilho a oratória televisiva" como historiador e que o Professor havia sido "um mágico do verbo".

Acho, efectivamente, perfeitamente justo homenagear-se um homem que nasceu em 1919 (e que faleceu em 2013) e que, profissionalmente, foi jurista, ministro da Educação, historiador e apresentador de programas televisivos de divulgação cultural e patrimonial.

Foi, seguramente, uma das pessoas que mais – e melhor – divulgou a cultura e o património, material e imaterial, em Portugal.

Agradeço-lhe por isso - embora tardiamente e escrevendo algumas linhas num texto - e cito-o.


"De certo modo – claro, há muitas pessoas que são pela tradição, há muitas pessoas que são pela revolução – e, de um modo geral, a regra é esta: quem está bem é pela tradição, não quer que as coisas mudem, está bem, deixa-se estar; quem está mal, se sente, enfim, com dificuldades, mal instalado, com fome ou com sede de melhor justiça, pretende a revolução e, portanto, quer que as coisas mudem. Quer a mudança".

06/12/2019

Israel e o Vale do Jordão

As autoridades de Israel propõem anexar, 'sem demora', o Vale do Jordão.

Ora, a wikipedia refere que este é "uma longa depressão que se estende por Israel, Jordânia, Cisjordânia e chega ao sopé dos Montes Golan. Na região encontram-se o rio Jordão, o Vale de Hula, o Lago de Tiberíades e o Mar Morto, o local de menor altitude da Terra.
É rico em património natural de interesse para a paleogeografia".

E, extremamente importante, "constitui a região agrícola mais fértil de Israel e Jordânia".


05/12/2019

A Hemeroteca Digital do Algarve e António Aleixo

A Hemeroteca Digital do Algarve vai organizar o arquivo de centenas de publicações editadas naquela que é a região mais meridional de Portugal Continental desde o ano 1810.

Ora, penso não ser totalmente desprovida de sentido a "apropriação", assim, de uma quadra escrita por um dos mais notáveis autores oriundos do Algarve – António Aleixo – e que é possível encontrar em "Quando começo a cantar...".

Quadra que, de resto, me parece poder ‘ilustrar’ perfeitamente algumas dimensões da realidade, portuguesa e não só, como, por exemplo, a invenção de títulos académicos:


"Há pessoas muito altas
de nome ilustrado e sério,
porque o oiro tapa as faltas
da moral e do critério".

04/12/2019

A taxa cultural africana


Acabei de ler um texto a que o jornalista senegalês Ousseynou Nar Guèye deu o título "Non à la restitution du patrimoine africain, oui à une taxe culturelle sur les musées occidentaux".

Reconhecendo que muitos dos objectos culturais originários de países africanos que integram actualmente o espólio de espaços museológicos "ocidentais" não foram roubados pois sendo esses países, à época, colónias e sendo estas parte da chamada metrópole a sua "transferência" não foi ilegal, este jornalista propõe, assim, que em vez da mera devolução de objectos esses museus "ocidentais" imponham uma taxa – a "taxa cultural africana", como a definiu – no valor de todos os bilhetes de entrada que fossem cobrados.

Ora, esta foi, talvez, uma das propostas mais lúcidas e inteligentes que já li sobre esta matéria, por assim dizer.



***



O mundo da Química, por assim dizer, celebra, em 2019, a criação, pelo cientista russo Dmitry Mendeleev, do Sistema Periódico dos Elementos Químicos - vulgo, Tabela Periódica.



Em 1869.



Há cento e cinquenta anos, pois.



Mas celebra também, estou absolutamente certo, a inclusão, neste ano do século XXI, de cento e dezoito novos elementos químicos na referida tabela.








03/12/2019

De escravos a cidadãos

No ano em que se assinalam os quatrocentos anos do início do comércio negreiro - a escravatura... - para o território que hoje 'é' os Estados Unidos da América (embora esse território tivesse começado a 'receber' escravos africanos antes de 1619), o Gana, hoje um país que chegou a 'acolher' cerca de setenta e cinco por cento das então chamadas feitorias que negociavam, também, seres humanos, decidiu atribuir a cidadania a cento e vinte e seis afrodescendentes e afrocaribenhos descendentes desses escravos.

Medida essencialmente de carácter administrativo mas, também e sobretudo, emocional, cultural e identitário.

E, assim, justíssima.

02/12/2019

1640

"Os pesados impostos e as reformas administrativas que Filipe IV [III em Portugal] mandou aplicar fizeram renascer o espírito de independência em algumas províncias do seu reino, levando-as à revolta em 1640.
Quando o rei espanhol manda os seus exércitos para Barcelona (na Catalunha), os conspiradores portugueses aproveitam a ocasião e põem em prática o seu projecto de revolução".


Fonte: manual escolar que utilizei...






Painel de azulejos que 'ilustra' uma das salas de leitura do Palácio Galveias, em Lisboa.

30/11/2019

A efemeridade e a eternidade

A temática central, por assim dizer, do pequeníssimo texto que agora escrevo é o furto, na Alemanha, há poucos dias, de 'jóias nacionais'.

Ora, se há muito que sei que há quem, por amor ao efémero dinheiro, se apodere ilicitamente de objectos importantes para a História - e, claro, também para a Identidade - de um país (pense-se no 'caso' de alguma azulejaria em Portugal, por exemplo), fico atónito sempre que alguém, através de métodos aparentemente simples, por assim dizer, consegue como que enganar/iludir os supostos sistemas de 'alta segurança' de um espaço físico (um museu, por exemplo) e roubar (ou furtar) 'peças' imensamente importantes.

Mas, a verdade é que os indivíduos e os seus malabarismos criminosos desaparecerão (que pena tenho que nunca se lembrem disso...) enquanto que um país e a sua História viverão sempre (quanto mais não seja nos livros).