Extremamente contente.
Foi como me senti depois de ter lido, há já alguns dias no jornal digital O Minho, que cerca de "oito sepulturas, com construção estimada entre o final do período romano (século IV) e o início da idade média (século VIII)" haviam sido encontradas durante a realização, numa obra num prédio, de sondagens arqueológicas na cidade de Braga.
No entanto, algumas linhas depois, pude também ler que as referidas "sepulturas, depois de devidamente identificadas" iriam ser destruídas porque seria impossível a musealização das mesmas.
Assim, depois de uma alegria desmedida, uma angústia imensa.
10/12/2019
09/12/2019
Analfabetismo na "África Portuguesa"
"As taxas de analfabetismo, em 1950, eram de 98,8% na Guiné, 97,8% em Moçambique e 96,4% em Angola. A maioria dos alunos, sobretudo no ensino secundário e técnico, era constituída por brancos"...
Fonte: manual escolar
Fonte: manual escolar
07/12/2019
José Hermano Saraiva
O Presidente da República,
Marcelo Rebelo de Sousa, homenageou, no início desta semana, José
Hermano Saraiva.
Considerou
então, por exemplo, que "ninguém usou com tanto brilho a oratória
televisiva" como historiador e que o Professor havia sido "um
mágico do verbo".
Acho,
efectivamente, perfeitamente justo homenagear-se um homem que nasceu
em 1919 (e que faleceu em 2013) e que, profissionalmente, foi
jurista, ministro da Educação, historiador e apresentador de
programas televisivos de divulgação cultural e patrimonial.
Foi,
seguramente, uma das pessoas que mais – e melhor – divulgou a
cultura e o património, material e imaterial, em Portugal.
Agradeço-lhe
por isso - embora tardiamente e escrevendo algumas linhas num texto - e cito-o.
"De certo modo – claro, há
muitas pessoas que são pela tradição, há muitas pessoas que são
pela revolução – e, de um modo geral, a regra é esta: quem está
bem é pela tradição, não quer que as coisas mudem, está bem,
deixa-se estar; quem está mal, se sente, enfim, com dificuldades,
mal instalado, com fome ou com sede de melhor justiça, pretende a
revolução e, portanto, quer que as coisas mudem. Quer a mudança".
06/12/2019
Israel e o Vale do Jordão
As
autoridades de Israel propõem anexar, 'sem demora', o Vale do Jordão.
Ora,
a
wikipedia
refere que
este é
"uma longa depressão que se estende por
Israel,
Jordânia,
Cisjordânia
e chega ao sopé dos Montes
Golan.
Na região encontram-se o
rio
Jordão,
o Vale
de Hula,
o
Lago
de Tiberíades
e o
Mar
Morto,
o local de menor altitude da Terra.
É
rico em património natural de interesse para a
paleogeografia".
E, extremamente importante, "constitui a região agrícola mais fértil de Israel e Jordânia".
E, extremamente importante, "constitui a região agrícola mais fértil de Israel e Jordânia".
05/12/2019
A Hemeroteca Digital do Algarve e António Aleixo
A Hemeroteca Digital do Algarve vai organizar o arquivo de centenas
de publicações editadas naquela que é a região mais meridional de
Portugal Continental desde o ano 1810.
Ora,
penso não ser totalmente desprovida de sentido a "apropriação",
assim, de uma quadra escrita por um dos mais notáveis autores
oriundos do Algarve – António Aleixo – e que é possível
encontrar em "Quando começo a cantar...".
Quadra
que, de resto, me parece poder ‘ilustrar’ perfeitamente algumas
dimensões da realidade, portuguesa e não só, como, por exemplo, a
invenção de títulos académicos:
"Há pessoas muito altas
de nome ilustrado e sério,
porque o oiro tapa as faltas
da moral e do critério".
04/12/2019
A taxa cultural africana
Acabei
de ler um texto a que o jornalista senegalês Ousseynou
Nar Guèye
deu
o título "Non à la restitution du patrimoine africain, oui à une
taxe culturelle sur les musées occidentaux".
Reconhecendo
que muitos dos objectos culturais originários de países africanos
que integram actualmente o espólio de espaços museológicos "ocidentais" não foram roubados pois sendo esses países, à
época,
colónias e sendo estas parte da chamada metrópole a
sua "transferência" não foi ilegal, este
jornalista propõe, assim, que em vez da mera devolução de objectos
esses museus "ocidentais" imponham uma taxa
– a "taxa
cultural africana", como
a definiu
– no
valor de todos os bilhetes de entrada que fossem cobrados.
Ora,
esta
foi, talvez, uma das propostas mais lúcidas e inteligentes que já
li sobre esta matéria, por assim dizer.
***
O
mundo da Química, por assim dizer, celebra, em 2019, a criação,
pelo cientista russo Dmitry Mendeleev, do Sistema Periódico dos
Elementos Químicos - vulgo, Tabela Periódica.
Em 1869.
Há cento e cinquenta anos, pois.
Mas celebra também, estou absolutamente certo, a inclusão, neste ano do século XXI, de cento e dezoito novos elementos químicos na referida tabela.
03/12/2019
De escravos a cidadãos
No ano em que se assinalam os quatrocentos anos do início do comércio negreiro - a escravatura... - para o território que hoje 'é' os Estados Unidos da América (embora esse território tivesse começado a 'receber' escravos africanos antes de 1619), o Gana, hoje um país que chegou a 'acolher' cerca de setenta e cinco por cento das então chamadas feitorias que negociavam, também, seres humanos, decidiu atribuir a cidadania a cento e vinte e seis afrodescendentes e afrocaribenhos descendentes desses escravos.
Medida essencialmente de carácter administrativo mas, também e sobretudo, emocional, cultural e identitário.
E, assim, justíssima.
Medida essencialmente de carácter administrativo mas, também e sobretudo, emocional, cultural e identitário.
E, assim, justíssima.
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