11/12/2019

Shakespeare ou não, eis a questão

De acordo com o britânico The Shakespearean Autorship Trust, "há quatro séculos que existem dúvidas sobre se terá sido efectivamente William Shakespeare a escrever os trabalhos que lhe foram atribuídos".

Ora, não sendo eu especialista em Shakespeare (nem no seu suposto legado literário), por assim dizer, resta-me imaginar cenários económicos e culturais que poderiam tornar-se reais se um dia se conseguisse chegar à conclusão de que não, de que Shakespeare não havia sido o autor de "Hamlet", de "Sonho de Uma Noite de Verão" ou de "Ricardo III" uma vez que, como já escrevi aqui no blogue, "todos os anos a pequena cidade britânica de Stratford-upon-Avon recebe não apenas o Festival Literário mas também milhões de turistas que querem calcorrear as ruas e os locais que um dos mais famosos (se não mesmo o mais famoso...) escritores de língua inglesa terá percorrido".

10/12/2019

Leitura bipolar

Extremamente contente.

Foi como me senti depois de ter lido, há já alguns dias no jornal digital O Minho, que cerca de "oito sepulturas, com construção estimada entre o final do período romano (século IV) e o início da idade média (século VIII)" haviam sido encontradas durante a realização, numa obra num prédio, de sondagens arqueológicas na cidade de Braga.

No entanto, algumas linhas depois, pude também ler que as referidas "sepulturas, depois de devidamente identificadas" iriam ser destruídas porque seria impossível a musealização das mesmas.

Assim, depois de uma alegria desmedida, uma angústia imensa.

09/12/2019

Analfabetismo na "África Portuguesa"

"As taxas de analfabetismo, em 1950, eram de 98,8% na Guiné, 97,8% em Moçambique e 96,4% em Angola. A maioria dos alunos, sobretudo no ensino secundário e técnico, era constituída por brancos"...


Fonte: manual escolar

07/12/2019

José Hermano Saraiva

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, homenageou, no início desta semana, José Hermano Saraiva.

Considerou então, por exemplo, que "ninguém usou com tanto brilho a oratória televisiva" como historiador e que o Professor havia sido "um mágico do verbo".

Acho, efectivamente, perfeitamente justo homenagear-se um homem que nasceu em 1919 (e que faleceu em 2013) e que, profissionalmente, foi jurista, ministro da Educação, historiador e apresentador de programas televisivos de divulgação cultural e patrimonial.

Foi, seguramente, uma das pessoas que mais – e melhor – divulgou a cultura e o património, material e imaterial, em Portugal.

Agradeço-lhe por isso - embora tardiamente e escrevendo algumas linhas num texto - e cito-o.


"De certo modo – claro, há muitas pessoas que são pela tradição, há muitas pessoas que são pela revolução – e, de um modo geral, a regra é esta: quem está bem é pela tradição, não quer que as coisas mudem, está bem, deixa-se estar; quem está mal, se sente, enfim, com dificuldades, mal instalado, com fome ou com sede de melhor justiça, pretende a revolução e, portanto, quer que as coisas mudem. Quer a mudança".

06/12/2019

Israel e o Vale do Jordão

As autoridades de Israel propõem anexar, 'sem demora', o Vale do Jordão.

Ora, a wikipedia refere que este é "uma longa depressão que se estende por Israel, Jordânia, Cisjordânia e chega ao sopé dos Montes Golan. Na região encontram-se o rio Jordão, o Vale de Hula, o Lago de Tiberíades e o Mar Morto, o local de menor altitude da Terra.
É rico em património natural de interesse para a paleogeografia".

E, extremamente importante, "constitui a região agrícola mais fértil de Israel e Jordânia".


05/12/2019

A Hemeroteca Digital do Algarve e António Aleixo

A Hemeroteca Digital do Algarve vai organizar o arquivo de centenas de publicações editadas naquela que é a região mais meridional de Portugal Continental desde o ano 1810.

Ora, penso não ser totalmente desprovida de sentido a "apropriação", assim, de uma quadra escrita por um dos mais notáveis autores oriundos do Algarve – António Aleixo – e que é possível encontrar em "Quando começo a cantar...".

Quadra que, de resto, me parece poder ‘ilustrar’ perfeitamente algumas dimensões da realidade, portuguesa e não só, como, por exemplo, a invenção de títulos académicos:


"Há pessoas muito altas
de nome ilustrado e sério,
porque o oiro tapa as faltas
da moral e do critério".

04/12/2019

A taxa cultural africana


Acabei de ler um texto a que o jornalista senegalês Ousseynou Nar Guèye deu o título "Non à la restitution du patrimoine africain, oui à une taxe culturelle sur les musées occidentaux".

Reconhecendo que muitos dos objectos culturais originários de países africanos que integram actualmente o espólio de espaços museológicos "ocidentais" não foram roubados pois sendo esses países, à época, colónias e sendo estas parte da chamada metrópole a sua "transferência" não foi ilegal, este jornalista propõe, assim, que em vez da mera devolução de objectos esses museus "ocidentais" imponham uma taxa – a "taxa cultural africana", como a definiu – no valor de todos os bilhetes de entrada que fossem cobrados.

Ora, esta foi, talvez, uma das propostas mais lúcidas e inteligentes que já li sobre esta matéria, por assim dizer.



***



O mundo da Química, por assim dizer, celebra, em 2019, a criação, pelo cientista russo Dmitry Mendeleev, do Sistema Periódico dos Elementos Químicos - vulgo, Tabela Periódica.



Em 1869.



Há cento e cinquenta anos, pois.



Mas celebra também, estou absolutamente certo, a inclusão, neste ano do século XXI, de cento e dezoito novos elementos químicos na referida tabela.